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“Preocupa-nos o peso que representa para o consumidor esta escalada de preços”, Luís Almeida, Japopeças

11 Agosto, 2022

Traçando um cenário realista, Luís Almeida, gerente da Japopeças explica o impacto da inflação no aftermarket e as medidas que a empresa tem vindo a tomar para reduzir o seu impacto.

Que efeito está a ter neste momento a inflação no negócio de peças auto (incluindo lubrificantes)?
Pese o facto da inflação se manifestar genericamente, a dimensão no nosso sector é particularmente grande porque as peças requerem matérias-primas como metal, borracha, plástico a que acrescem os custos de transporte que têm tido aumentos numa escala sem precedentes.

O impacto no negócio em si é ambivalente, se por um lado o aumento do preço de venda se reflete em maiores níveis de faturação potenciais, por outro lado quantitativamente não percecionamos que o mercado esteja a crescer.

Necessitaremos de mais tempo para compreender qual dos pratos da balança pesará mais, contudo preocupa-nos o peso que representa para o consumidor esta escalada de preços que penaliza todos.

A médio prazo qual poderá ser o impacto da taxa de inflação muito alto no mercado?
Ponderando o custo-benefício de uma reparação, quanto mais alto o seu custo menor o incentivo à reparação por parte dos consumidores especialmente quando confrontados com um valor residual dos seus veículos baixo o que é justo aferir face à idade média do parque automóvel português.

Em sentido inverso economicamente a perda de poder de compra e a escassez de carros novos para entrega também devem ser tidas em conta no presente contexto, reduzindo as opções dos consumidores.

Ainda que este processo inflacionário nos pareça demasiado longo, acreditamos que ainda não foi totalmente imputado ao mercado pelo que os efeitos nefastos ainda perdurarão por mais algum tempo.

Que medidas está a dinamizar para combater esta subida inflacionada nos preços das peças?
Faz muito tempo que aumentámos os níveis médios de stock por forma a precaver a escassez de produto e antecipar aumentos de preços que acontecem com muita frequência.

Contudo, todas as ações têm a sua data de validade e efeito, a longa duração deste contexto acaba por se impor e ter o seu reflexo, consideramos inevitável.

Numa tónica mais otimista não é possível acreditar que esta escalada se “eternize” no tempo pelo que terá que haver uma inversão de tendência no horizonte assim como uma maior estabilidade.

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