José Azevedo da Mota, da Pneurama, analisa um ano de 2025 marcado por crescimento expressivo, consolidação de marcas exclusivas e decisões regulatórias com impacto direto no setor. Traça também as perspetivas para 2026, num contexto de incerteza regulatória e de adaptação estratégica do aftermarket automóvel.
Que balanço fazem do ano de 2025 na atividade da vossa empresa?
Para a Pneurama, o balanço de 2025 é muito positivo, tendo sido um ano de forte crescimento, na ordem dos 20%. Este desempenho confirma a solidez da nossa estratégia, a confiança contínua por parte do mercado, nas marcas que representamos em exclusividade em Portugal, como a Lassa Tyres e a CST Tires, bem como o serviço de excelência que prestamos e que nos diferencia. Destacamos, em particular, a afirmação do modelo Revola, da Lassa Tyres, um pneu preparado também para veículos elétricos, com classificação energética A, que teve uma excelente aceitação e que tem contribuído de forma relevante para o desempenho e notoriedade da marca. Também a CST Tires registou um crescimento muito significativo, sobretudo nas gamas 4×4, bem como em modelos compatíveis com veículos elétricos, igualmente com classificação A, acompanhando a evolução do mercado automóvel. No segmento de pneus maciços para empilhadores, onde a Pneurama alia produto e serviço, mantivemos a nossa quota de mercado, em torno dos 10%, bem como um nível de stock elevado, fator essencial para garantir a resposta rápida que o mercado exige e que, orgulhosamente, nos diferencia.
Qual foi, na sua perspetiva, o fator ou acontecimento mais impactante no aftermarket em 2025?
Sem dúvida, o acontecimento mais impactante em 2025 foi o anúncio, por parte da União Europeia, da aplicação de uma taxa antidumping aos pneus de turismo fabricados na China. Embora a sua entrada em vigor estivesse inicialmente prevista para dezembro de 2025, a decisão acabou por ser adiada, o que gerou alguma incerteza no mercado e levou muitos operadores a adotarem uma postura mais defensiva na gestão de stocks e encomendas. Este tema marcou claramente o ano e continuará a influenciar o setor, no curto e médio prazo.
Que mudanças acredita que poderão marcar o aftermarket automóvel em 2026, tendo em conta as transformações recentes do mercado?
Em 2026, a principal mudança com impacto no aftermarket automóvel poderá ser, precisamente, a eventual aplicação efetiva da taxa antidumping aos pneus de turismo de origem chinesa, cuja decisão final deverá ocorrer entre maio e junho deste ano. Caso esta medida avance, irá provocar ajustes relevantes na estrutura de preços, na oferta disponível e nas estratégias de importação, reforçando a importância de marcas consolidadas, de fornecedores fiáveis e de operadores com capacidade logística e financeira para se adaptarem rapidamente a novos cenários.
Que investimentos e estratégias está a vossa empresa a planear implementar em 2026 e em que áreas?
A Pneurama tem vindo a investir de forma consistente na sua estrutura. Em 2025, realizámos a ampliação do nosso armazém, passando a dispor de mais de 5.000 m² de área disponível, o que reforça significativamente a nossa capacidade de armazenamento e a rapidez de resposta ao mercado. Para 2026, a nossa estratégia comercial continuará muito focada na valorização das nossas marcas exclusivas, designadamente a Lassa Tyres e a CST Tires, através do reforço das vendas, da promoção ativa destas marcas e da manutenção de um elevado nível de stock, elemento diferenciador no nosso serviço. Paralelamente, continuaremos a oferecer aos nossos clientes parcerias com níveis de exclusividade local, que lhes permitem apostar de forma dedicada nas nossas marcas, protegendo a sua margem comercial e fomentando relações de longo prazo, baseadas na confiança, na ética e na sustentabilidade do negócio, princípios que sempre orientaram a Pneurama desde a sua fundação, em 1987.











