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Portugal lidera na duração da posse de automóveis na Europa

22 Janeiro, 2026

De acordo com um estudo realizado pela carVertical, os condutores portugueses percorrem, em média, mais quilómetros com o mesmo carro do que a maioria dos seus congéneres europeus, mantendo igualmente o veículo durante mais tempo antes de o venderem.

A conclusão resulta de um estudo realizado pela carVertical, que analisou dados de relatórios históricos de automóveis em 18 países europeus. De acordo com os dados apurados, em Portugal um único proprietário conduz em média 108 256 km antes de vender o carro, um valor significativamente superior à média europeia de 75 928 km e entre os mais elevados do estudo. Apenas a Polónia, com 112 977 km, e a Eslováquia, com 109 044 km, apresentam valores semelhantes ou superiores. No extremo oposto surgem a Sérvia, com 18 807 km, a Ucrânia, com 22 580 km, e a Hungria, com 47 845 km.

O estudo sublinha que estes números dizem respeito à distância total percorrida durante o período de propriedade e não à quilometragem anual, uma vez que a frequência com que os condutores trocam de carro varia consideravelmente entre países. Em Portugal, a quilometragem média anual situa-se nos 15 133 km, um valor próximo da média europeia, indicando que a utilização anual dos veículos é relativamente moderada, apesar do longo período de posse. Os condutores portugueses mantêm o mesmo carro durante uma média de 7,2 anos, o período de propriedade mais longo entre todos os países analisados. Para comparação, na Polónia a média é de 6,1 anos, na Lituânia de 5,5 anos e na Alemanha de 4,8 anos. As trocas mais frequentes verificam-se na Sérvia e na Ucrânia, onde os veículos são substituídos, em média, a cada 1,1 anos. Segundo o especialista automóvel da carVertical, Matas Buzelis, a intensidade de utilização de um veículo é um fator determinante para o seu estado futuro. “A quilometragem média anual revela a intensidade com que o carro foi utilizado. O uso intensivo afeta a longevidade do veículo, muitas vezes levando a avarias mais frequentes e outros problemas posteriormente. É por isso que nos nossos relatórios históricos destacamos os períodos de condução intensiva, pois é algo a que os compradores devem sempre prestar atenção ao escolher um carro usado”, afirmou.

O estudo conclui ainda que países onde os carros mudam de proprietário com maior frequência tendem a apresentar maior risco no mercado de usados. República Checa, Finlândia, Espanha e Ucrânia surgem como os mercados mais arriscados, devido à combinação de períodos de posse mais curtos e quilometragens anuais elevadas. Em contraste, Alemanha, Lituânia, Portugal e Reino Unido destacam-se como países onde os veículos tendem a ter menos proprietários, percorrer menos quilómetros por ano e permanecer mais tempo com o mesmo condutor.

A análise teve por base relatórios históricos de veículos consultados entre janeiro e outubro de 2025, considerando apenas automóveis com registos completos desde o primeiro até ao último proprietário, o que permitiu traçar um retrato comparativo dos hábitos de condução e de troca de viatura na Europa.

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