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“O principal desafio em 2026 e nos próximos anos será a atração de talento”, José González, Mahle Aftermarket

27 Janeiro, 2026

José González, da Mahle Aftermarket, faz um balanço positivo de 2025, destacando a evolução favorável das vendas face a 2024 e analisando os principais movimentos que marcaram o aftermarket ao longo do ano. O responsável aponta também as prioridades estratégicas e os investimentos do Grupo Mahle para 2026.

Que balanço fazem do ano de 2025 na atividade da vossa empresa?
As vendas de 2025 registaram uma evolução positiva face ao já bom ano de 2024.

Qual foi, na sua perspetiva, o fator ou acontecimento mais impactante no aftermarket em 2025?
2025 foi um ano cheio de surpresas, sobretudo no que diz respeito à aquisição de alguns distribuidores por outros distribuidores internacionais ou por fundos de investimento. Este processo de consolidação não parece ter terminado e é provável que continuemos a assistir a aquisições em 2026. O aftermarket na Península Ibérica continuou a crescer, mas os dados indicam que o ritmo de crescimento apresenta uma tendência de abrandamento.

Que mudanças acredita que poderão marcar o aftermarket automóvel em 2026, tendo em conta as transformações recentes do mercado?
O principal desafio em 2026 e nos próximos anos do aftermarket será a atração de talento. Ao nível das oficinas, mas também dos distribuidores, é preocupante a falta de profissionais que ambos nos transmitem. Muitos mecânicos irão reformar-se nos próximos anos e não parece existir substituição para esses perfis. Os distribuidores, e até nós enquanto fabricantes, enfrentamos o mesmo problema. Entre todos — oficinas, distribuidores e fabricantes — e sem esquecer o setor educativo, temos de tornar o aftermarket um setor mais atrativo para as novas gerações, porque disso depende o nosso futuro. O aftermarket irá viver um processo de transição lenta para a eletrificação e, talvez num futuro não muito distante, para outras tecnologias, ao mesmo tempo que continuará a verificar-se um aumento da idade média do parque automóvel. A diagnosis avançada, a manutenção de caixas de velocidades automáticas, a importância crescente das frotas e muitos outros fatores farão com que a relação entre oficina, distribuidor e fabricante seja cada vez mais relevante. Ao nível dos distribuidores, tudo indica que o processo de consolidação e concentração não terminou; pelo contrário, poderá estar apenas a começar na Península Ibérica.

Que investimentos e estratégias está a vossa empresa a planear implementar em 2026 e em que áreas?
O slogan da Mahle é “We shape future mobility” e acreditamos que resume muito bem os planos do Grupo Mahle. Queremos ser uma parte importante da mobilidade presente e futura e é nesse sentido que estamos a concentrar todos os nossos esforços. Continuamos a acreditar no motor de combustão como parte dessa mobilidade, coexistindo de forma equilibrada com as novas tecnologias híbridas e elétricas e, num futuro próximo, com a pilha de combustível, o hidrogénio e os combustíveis alternativos. Investimos e desenvolvemos em todas estas áreas, com, por exemplo, os pistões mais inovadores do mundo, sistemas de carregamento de veículos elétricos (OBC) de última geração, soluções de refrigeração para qualquer tipo de propulsão, sistemas de climatização para todo o tipo de veículos, diagnosis avançada, motores elétricos mais potentes e eficientes, entre muitos outros projetos, sempre com a premissa do respeito pelo meio ambiente. Tudo isto será igualmente determinante para o aftermarket num futuro não muito distante.

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