Miguel Silva, responsável da Midas em Portugal, faz um balanço de um ano exigente, mas decisivo para a consolidação e crescimento da rede no mercado nacional, e faz uma antevisão de 2026 para a empresa.
Que balanço fazem do ano de 2025 na atividade da vossa empresa?
O ano de 2025 foi, para a nossa empresa, um ano particularmente desafiante, mas também muito positivo em termos de crescimento e consolidação da rede Midas em Portugal. Encerrámos o ano com uma evolução significativa do número de oficinas, passando de 26 no final de 2024 para um total de 34 unidades ativas. Este crescimento ficou marcado por uma aposta clara e estratégica na expansão da rede em regime de franchising. Ao longo de 2025, registámos a entrada de quatro novos franqueados, a que se somaram novas aberturas realizadas por parceiros já existentes. Este movimento é um sinal muito claro da confiança no nosso modelo de negócio e da sua atratividade, bem como da capacidade de gerar valor de forma sustentável para os nossos parceiros. Pela primeira vez na nossa operação em Portugal, terminámos o ano com mais oficinas em modelo de franchising (18) do que oficinas próprias (16), um marco relevante que reflete a maturidade da rede e a eficácia da nossa estratégia de expansão. Destacamos ainda a abertura da oficina em Ponta Delgada, que representa um passo importante na concretização da nossa ambição de assegurar uma cobertura verdadeiramente nacional, reforçando a proximidade ao cliente e a presença da marca em todo o território português. Não podemos deixar de referir a conquista do Selo de Excelência em Franchising! Para nós, um sinal muito importante do Reconhecimento dos nossos parceiros na força e qualidade do franchising Midas.
Qual foi, na sua perspetiva, o fator ou acontecimento mais impactante no aftermarket em 2025?
A eletrificação e a digitalização dos veículos, com especial destaque para conectividade, software e novos modelos de relacionamento com o cliente, foi o motor de mudança mais transformador no aftermarket em 2025. Está a reconfigurar todo o setor — desde o tipo de peças que mais crescem até as competências que oficinas precisam ter e como serviços são vendidos e consumidos. Também a digitalização e relação com o cliente, com relevância para as plataformas digitais, e-commerce e soluções conectadas redefinem como peças são compradas, vendidas e diagnosticadas.
Que mudanças acredita que poderão marcar o aftermarket automóvel em 2026, tendo em conta as transformações recentes do mercado?
O ano de 2026 deverá ser marcado por transformações estruturais no aftermarket automóvel, impulsionadas sobretudo pela evolução tecnológica dos veículos e pelas mudanças no mercado de trabalho. A mobilidade eletrificada continuará a ganhar peso e trará desafios significativos para as oficinas multimarca. A manutenção e reparação de veículos elétricos e híbridos exigem mais e melhor conhecimento técnico, bem como investimento contínuo em formação, equipamentos específicos e certificações de segurança. As redes que conseguirem preparar atempadamente as suas equipas técnicas estarão em melhor posição para responder às novas exigências dos clientes e dos fabricantes. Ao mesmo tempo, assistimos ao envelhecimento do parque automóvel que exige uma oferta sólida em manutenção preventiva, reparação mecânica tradicional e soluções adaptadas a veículos com maior quilometragem. Assim, não é apenas a eletrificação do mercado que determina a evolução do setor: a combinação entre a crescente presença de veículos eletrificados e o aumento da idade média do parque obriga as oficinas a terem capacidade de resposta para ambos os extremos do mercado. É precisamente neste equilíbrio que direcionamos a nossa oferta — garantindo uma cobertura mais ampla do mercado, reforçando competências técnicas tanto nas tecnologias emergentes como nas necessidades crescentes dos veículos mais antigos. Em paralelo, a dificuldade crescente na contratação e retenção de técnicos qualificados continuará a ser um dos principais constrangimentos do setor. Esta escassez de talento tende a aumentar a pressão sobre os custos operacionais e obriga as empresas a repensar os seus modelos de gestão de pessoas, apostando em condições de trabalho mais atrativas, planos de carreira claros e programas de formação e valorização profissional. Adicionalmente, o aftermarket será cada vez mais influenciado pela digitalização dos processos, pela maior complexidade dos sistemas eletrónicos e de software das viaturas e pela necessidade de acesso rápido a dados técnicos e diagnósticos. A eficiência operacional, a rapidez de resposta e a capacidade de adaptação tecnológica serão fatores decisivos para a competitividade das oficinas em 2026.
Que investimentos e estratégias está a vossa empresa a planear implementar em 2026 e em que áreas?
Em 2026, a nossa estratégia estará fortemente orientada para três pilares fundamentais de crescimento: Rede, Recursos Humanos e Produto. No que diz respeito ao crescimento da rede, iremos reforçar o modelo de franchising, apostando na expansão sustentada e na consolidação da nossa presença no mercado, sempre com foco na proximidade e na criação de valor para os parceiros da rede. Ao nível dos Recursos Humanos, continuaremos a investir de forma consistente no recrutamento, retenção e formação de talento. Acreditamos que pessoas qualificadas, motivadas e alinhadas com a nossa cultura são um fator crítico de sucesso, pelo que o desenvolvimento contínuo das equipas será uma prioridade estratégica. A área de Produto será igualmente central em 2026, com um foco claro no procurement e na melhoria da competitividade da nossa oferta. O objetivo passa por alargar e otimizar o portefólio de produtos e serviços, garantindo soluções cada vez mais ajustadas às necessidades dos nossos clientes e às exigências do mercado. Por fim, destacamos um investimento estruturante no suporte técnico. Em 2026, passaremos a contar com uma equipa própria dedicada ao suporte hotline da nossa rede, dando continuidade a um processo iniciado já no ano anterior. Esta solução permitirá uma resposta mais rápida e eficaz às oficinas, com a disponibilização de ferramentas digitais como diagnóstico remoto, contribuindo para o aumento da capacidade técnica da rede, maior autonomização e uma redução significativa do tempo de imobilização das viaturas. A diminuição da dependência de terceiros, nomeadamente em processos como atualizações de software, será um fator-chave para ganhos de eficiência operacional e qualidade de serviço.











