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Peças usadas cada vez mais “digitalizadas”

A ATENA organizou em Ávila, nas instalações do CESVIMAP, um workshop subordinado ao tema “Da Parte para o Mundo”. Desafios do setor automóvel, novidades e métricas do ecossistema ATENA, eletrificação automóvel e o novo regulamento europeu dos veículos em fim de vida foram alguns dos temas apresentados.

Na presença de muitos dos seus clientes, a ATENA realizou a edição 2026 do seu habitual Workshop anual em Espanha, mais concretamente em Ávila, onde a Cesvimap tem as suas instalações, o que permitiu a todos os presentes, visitar as suas instalações, nomeadamente a Cesvirecambios, um dos mais avançados centros de peças “verdes” que existe em toda a Europa.

Pedro Barros, da Tips4y, apresentou uma análise do mercado automóvel português e das necessidades das oficinas em matéria de peças. Destacou que, apesar do crescimento das vendas de veículos elétricos, os motores térmicos continuam a dominar as entradas nas oficinas. Revelou ainda que a idade média dos veículos “reparáveis” baixou de 17 para 16 anos, enquanto os automóveis com menos de cinco anos passaram de 4,3% para 10% das entradas nas oficinas independentes.

Um dos principais alertas foi o desfasamento entre os veículos abatidos, com uma média de 25 anos, e os reparados, com 16 anos, situação que condiciona a oferta de peças usadas. Pedro Barros defendeu que o futuro dos centros de abate dependerá da capacidade de disponibilizar peças corretamente identificadas, fiáveis e de entrega rápida, tornando-se parceiros essenciais das oficinas.

Daniel Dias, da ATENA, apresentou as mais recentes novidades da plataforma durante o workshop. A nova versão cloud da ATENA, já utilizada por mais de 40 centros de veículos em fim de vida, integra funcionalidades destinadas a aumentar a eficiência da catalogação, gestão de stocks e processamento de encomendas.

Entre as novidades destacam-se a pesquisa de peças por matrícula, a identificação de compatibilidades, a integração com marketplaces e transportadoras, a automatização de guias de expedição e a remoção automática de fundos (nas fotos das peças colocadas online) e ocultação de matrículas nas fotografias.

Daniel Dias anunciou ainda novos desenvolvimentos baseados em inteligência artificial, incluindo sugestões automáticas de preços, identificação das peças com maior potencial de venda, avaliação da rentabilidade das viaturas para desmantelamento e catalogação automática através de fotografias. O objetivo é permitir aos centros aumentar o número de peças disponíveis para venda, reduzir tarefas manuais e melhorar a rentabilidade do negócio.

Durante o workshop ATENA “Da Parte para o Mundo”, Joana Pacheco, responsável de Marketing da ATENA, apresentou as principais métricas do ecossistema, que integra 148 centros de veículos em fim de vida, representativos de 87% do mercado nacional.

Até agosto de 2026, a plataforma contabilizava 1,9 milhões de peças com imagem e preço, mais 31% do que em 2025, e cerca de 157 mil vendas. A mecânica passou a liderar as categorias mais vendidas, com 34%, seguida da colisão (26%) e da elétrica (13%).

As vendas online já representam 71% do total, sendo 83% dos compradores empresas. Cerca de 70% das compras são realizadas através de telemóveis.

Joana Pacheco destacou ainda a importância do marketing digital, com as campanhas Google Ads a gerarem 49% do valor das vendas dos clientes acompanhados, e o crescimento do tráfego proveniente de ferramentas de inteligência artificial.

Por sua vez, Marco Pacheco, responsável pela equipa de eCommerce Portals, apresentou a evolução das soluções de comércio eletrónico da empresa.

A nova versão dos Portals aposta numa arquitetura modular, maior rapidez de funcionamento e novas ferramentas de personalização e SEO. A infraestrutura recebe cerca de nove milhões de pedidos diários, demonstrando a dimensão da atividade digital.

Entre as novidades estão a importação de produtos externos, compatibilidades de peças, novas opções de pagamento e autenticação através do Google. Estão ainda previstos módulos de orçamentos e devoluções, pesquisa por matrícula e uma garagem virtual para facilitar as compras.

Marco Pacheco destacou também a importância das lojas online próprias dos centros de veículos em fim de vida, complementares aos marketplaces, e a possibilidade de criar soluções logísticas partilhadas para reduzir custos de transporte.

Sandra Pérez Barrientos, responsável pelo Departamento de Mobilidade da CESVIMAP, apresentou, os principais desafios que a eletrificação automóvel coloca ao setor da reparação, aos centros de veículos em fim de vida e ao mercado de peças usadas.

Na apresentação, intitulada “Eletrificação – Impacto no Setor”, Sandra Pérez Barrientos começou por analisar a evolução do mercado dos veículos eletrificados, destacando Portugal como um dos países do sul da Europa com maior penetração destas tecnologias. Segundo os dados apresentados, cerca de 40% das novas matrículas em Portugal, em 2025, corresponderam a veículos 100% elétricos ou híbridos plug-in, aproximadamente o dobro da proporção registada em Espanha.

Um dos principais temas abordados foi a reparabilidade das baterias de alta tensão, componentes que podem representar entre 20% e 50% do valor de um veículo elétrico. A responsável da CESVIMAP explicou que muitas avarias podem ser tecnicamente reparadas, mas as políticas dos fabricantes condicionam frequentemente essa possibilidade.

Como exemplos, referiu que marcas como BMW, Volkswagen, Hyundai, Kia e Nissan permitem determinadas intervenções nas baterias, enquanto outros fabricantes impõem restrições que podem obrigar à substituição completa, mesmo quando a reparação é tecnicamente possível.

A apresentação incluiu casos práticos estudados pela CESVIMAP, nomeadamente baterias de veículos Tesla, Porsche, Volkswagen, Renault e Mercedes, evidenciando as diferenças entre os custos de substituição e as possibilidades de reparação.

Outro tema relevante foi a avaliação do estado de saúde das baterias (SOH), fundamental para determinar o valor de um veículo elétrico usado e decidir se uma bateria proveniente de um veículo sinistrado pode ser reutilizada, reparada, destinada a uma segunda vida ou encaminhada para reciclagem.

Neste contexto, Sandra Pérez Barrientos apresentou projetos de reutilização de baterias desenvolvidos no ecossistema CESVIMAP, incluindo soluções de armazenamento de energia solar, equipamentos portáteis e sistemas de assistência a veículos elétricos que ficam sem carga.

Durante o workshop Vítor Pereira, presidente da ANCAV, analisou as principais alterações do novo Regulamento Europeu dos Veículos em Fim de Vida (VFV).

O responsável destacou as novas exigências de registo eletrónico, rastreabilidade das peças, descontaminação e tratamento dos veículos, bem como as obrigações relacionadas com as baterias dos veículos elétricos.

A comercialização de peças usadas terá também novas regras, nomeadamente ao nível da rotulagem e da reutilização de componentes de segurança, como airbags e cintos.

Apesar dos custos de adaptação, Vítor Pereira considera que o regulamento valoriza o mercado das peças usadas e reforça o seu papel na economia circular.

O presidente da ANCAV defendeu ainda a redução do IVA das peças usadas para 6%, medida que considera fundamental para estimular a reutilização e combater o mercado paralelo.

Na próxima edição da PÓS-VENDA traremos uma reportagem alargada sobre este workshop ATENA.

 

 

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