A EGmais promoveu hoje, 5 de novembro, o webinar “Manual de Sobrevivência – Resíduos de Lítio”, uma iniciativa dedicada aos procedimentos de segurança, acondicionamento, identificação e transporte de baterias de lítio em fim de vida. A sessão contou com os esclarecimentos de João Cezília, especialista em ADR (transporte de mercadorias perigosas).
O crescimento da utilização de baterias de lítio no setor automóvel coloca novos desafios às oficinas, operadores de gestão de resíduos e empresas de transporte. Para esclarecer as principais dúvidas, a EGmais organizou este webinar, centrado nas boas práticas de manuseamento e nas obrigações legais associadas a estes resíduos.
Ao longo da sessão, João Cezília explicou as principais exigências do regulamento ADR, destacando a necessidade de distinguir as baterias em bom estado das que apresentam danos ou defeitos, uma vez que essa avaliação determina os procedimentos de acondicionamento e transporte.
Uma das principais mensagens transmitidas foi que, ao contrário do que acontece com as baterias de chumbo-ácido, o transporte a granel de baterias de lítio não é permitido, sendo obrigatório recorrer a embalagens adequadas.
No caso das baterias de iões de lítio não danificadas, abrangidas pelas regras apresentadas, as exigências dependem também do peso. Até 12 kg, devem ser utilizadas embalagens certificadas. Para baterias com peso superior, podem ser utilizadas embalagens exteriores resistentes, não necessariamente certificadas, desde que o invólucro da bateria ofereça proteção adequada contra impactos e sejam cumpridos os restantes requisitos.
A proteção dos terminais contra curto-circuitos, a separação das baterias e a sua imobilização no interior das embalagens constituem procedimentos essenciais para reduzir os riscos de acidente.
Cuidados acrescidos com baterias danificadas
João Cezília salientou que as baterias danificadas ou defeituosas exigem cuidados adicionais, nomeadamente a utilização de embalagens certificadas, materiais de isolamento térmico e soluções que evitem derrames e movimentos durante o transporte.
Quando uma bateria danificada ultrapassa os 30 kg, apenas pode ser colocada uma unidade por embalagem. Nos casos em que exista risco de instabilidade térmica, com possibilidade de incêndio ou libertação de gases perigosos, são necessárias embalagens especiais, sujeitas a requisitos de certificação mais exigentes.
Durante a sessão foi também abordada a utilização de vermiculite como material de enchimento, pelas suas propriedades de isolamento térmico, absorção de eventuais derrames e capacidade de limitar os movimentos das baterias.
Transporte limitado a 333 kg em regime de isenção parcial
Outro dos esclarecimentos relevantes esteve relacionado com as quantidades transportadas ao abrigo das isenções previstas no ADR.
Segundo explicou João Cezília, é possível transportar até 333 kg de baterias de lítio ao abrigo de um regime de isenção parcial que dispensa determinados requisitos, nomeadamente o certificado ADR do motorista, mas que não elimina as obrigações de acondicionamento, documentação, equipamento de segurança e formação adequada dos intervenientes.
O especialista sublinhou que, mesmo nestas situações, os profissionais envolvidos nas operações de embalagem, carga e descarga devem possuir formação adequada às respetivas funções.
Foi igualmente esclarecido que baterias de lítio e de chumbo-ácido podem ser transportadas no mesmo veículo, desde que sejam cumpridas as exigências específicas de cada tipologia, não sendo permitido colocá-las na mesma embalagem.
Prevenção de incêndios é fundamental
O risco de incêndio constituiu outro dos temas em destaque. João Cezília chamou a atenção para os perigos associados ao esmagamento, perfuração, queda ou exposição a temperaturas elevadas, situações que podem provocar reações térmicas perigosas.
O especialista explicou que ainda não existe uma solução universalmente eficaz para extinguir incêndios envolvendo baterias de lítio, salientando a importância de prevenir a propagação do fogo e evitar a exposição dos trabalhadores aos gases tóxicos libertados.
As mantas de proteção e os agentes extintores disponíveis apresentam limitações, pelo que a prevenção, o isolamento e o correto acondicionamento das baterias assumem particular importância.
EGmais disponibiliza documentação técnica
Durante o webinar, a EGmais destacou os materiais técnicos disponíveis no seu portal, incluindo fichas de apoio à preparação, embalagem, etiquetagem e expedição de baterias de lítio.
A sessão abordou ainda a evolução da regulamentação, nomeadamente as revisões periódicas do ADR e as alterações aos códigos da Lista Europeia de Resíduos (LER), que passam a permitir uma identificação mais específica das diferentes químicas das baterias.
A EGmais anunciou que irá comunicar aos seus parceiros e clientes as alterações aplicáveis, reforçando o objetivo de promover uma gestão mais segura e adequada dos resíduos de baterias de lítio.













