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“As tendências apontam para um setor mais tecnológico, segmentado e focado na sustentabilidade”, Rodrigo Pedroso, Castrol

As plataformas da Pós-Venda celebram 10 anos de atividade. Para assinalar este marco, reunimos testemunhos de vários profissionais do aftermarket, entre eles Rodrigo Cardoso, da Castrol, que partilha a sua visão sobre a evolução do mercado e os principais desafios do pós-venda automóvel.

O que está a suceder no negócio dos lubrificantes auto (aftermarket), era o que previa há 10 anos que estivesse a acontecer agora?
As exigências das normas europeias aumentaram em muito os desafios para os fabricantes de motores, que têm de recorrer a lubrificantes de cada vez mais baixa viscosidade, por forma a diminuir os atritos fluidos, obrigando a que os fabricantes de lubrificantes desenvolvam produtos cada vez mais evoluídos por forma a garantir a máxima proteção dos motores mesmo com viscosidades impensáveis até este momento. Como consequência, cada fabricante tem as suas próprias exigências, o que tem obrigado a distintos desenvolvimentos por forma a ir ao encontro das mesmas. Tem-se verificado também um aumento no parque automóvel de viaturas híbridas e elétricas, o que exige também desenvolvimentos próprios. Na Castrol desenvolvemos testes específicos para as exigências particulares dos híbridos (como por exemplo o elevado aumento das situações de “pára-arranca”, início de funcionamento a rotações mais elevadas e temperaturas médias de funcionamento mais baixas), onde os produtos que cumprem estes mesmos ensaios têm o nosso selo Hyspec, e para as viaturas elétricas desenvolvemos produtos específicos com a marca Castrol ON. Em resumo, temos produtos específicos para cada utilização, de viscosidades cada vez mais baixas, de maior complexidade tecnológica e um portfólio cada vez mais diversificado por forma a cumprir com as exigências de cada fabricante.

Quais foram as principais alterações no negócio dos lubrificantes auto (aftermarket) nestes últimos 10 anos?
A complexidade dos produtos atuais, com necessidades específicas para cada utilização, de viscosidades cada vez mais baixas, de maior complexidade tecnológica e um portfólio cada vez mais diversificado por forma a cumprir com as normas de cada fabricante, exige um conhecimento técnico cada vez maior por parte de quem comercializa os mesmos, por forma a podermos garantir que toda esta tecnologia é aplicada corretamente. O aumento de viaturas híbridas no parque automóvel trouxe como consequência um aumento significativo de viaturas com caixas de velocidade automáticas, o que representa um novo desafio para as oficinas que até há bem pouco tempo tinham como residual o número de viaturas de caixa automática. Temos aqui também soluções específicas para as exigências destas viaturas, mas mais uma vez o aconselhamento técnico é essencial.

Como é que caracteriza o momento atual do negócio de lubrificantes auto (aftermarket)?
Consumidor mais informado e consciente da importância do lubrificante na longevidade e eficiência da viatura, exigindo produtos premium. Maior valorização da qualidade dos mesmos e preocupação crescente pela utilização dos produtos aprovados pelos fabricantes.

O que, no seu entender, poderá ter mais impacto no setor dos lubrificantes auto (aftermarket) durante os próximos 10 anos?
Novas regulamentações e aparecimento de novas tecnologias serão sempre os fatores que podem provocar uma maior disrupção do mercado, sendo que o setor está atento e preparado para as mudanças.

Como perspetiva que será o negócio de lubrificantes auto (aftermarket) daqui a 10 anos?
As tendências apontam para um setor mais tecnológico, segmentado e focado na sustentabilidade. Assim, conforme referido anteriormente, as viscosidades dos lubrificantes continuarão a baixar e os lubrificantes de transmissão terão cada vez uma maior relevância, dado a evolução dos mesmos. Novas tecnologias aparecerão e, com isto, novas soluções nos lubrificantes serão com certeza encontradas, conforme temos conseguido nestes mais de 125 anos de investigação no mundo dos lubrificantes. Novas regulamentações e fatores ESG obrigam também a novas soluções. Exemplos disto foram o desenho das novas embalagens, que tiveram como um dos focos a redução da pegada de carbono (redução do plástico, otimização no armazenamento…), e novos produtos com RRBO (óleos base re-refinados).

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