Vasco Duarte, da Auto Silva Acessórios, faz um balanço positivo do ano de 2025, marcado pelo crescimento da faturação, pelo reforço da capacidade logística e pelo alargamento da gama de produtos. Analisa ainda os principais fatores que impactaram o setor ao longo do último ano e antevê 2026 como um período de maior pressão sobre os modelos operacionais.
Que balanço faz do ano de 2025 na atividade da sua empresa?
O ano de 2025 foi globalmente positivo para a empresa. Registámos crescimento ao nível da faturação, reforçámos a nossa capacidade de armazenamento e alargámos as famílias de produtos comercializadas. Estes avanços permitiram-nos consolidar a nossa estrutura e preparar de forma sólida o ano de 2026, criando as bases para continuar a crescer de forma sustentada num mercado cada vez mais competitivo e exigente.
Qual foi, na sua perspetiva, o fator ou acontecimento mais impactante no aftermarket em 2025?
Na minha perspetiva, um dos fatores mais impactantes em 2025 foi a incerteza em torno do futuro do mercado automóvel. A tendência de crescimento dos veículos elétricos parece ter abrandado, muito influenciada por algumas decisões e recuos a nível europeu relativamente à eletrificação total. Paralelamente, a forte entrada de veículos elétricos no mercado europeu, provenientes de outros países, nomeadamente da China, aliada à hesitação dos consumidores em investir em viaturas novas, levou muitos clientes a optar pelo mercado de usados. Esta imprevisibilidade tem um impacto direto no aftermarket, influenciando os padrões de consumo e as necessidades de manutenção.
Que mudanças acredita que poderão marcar o aftermarket automóvel em 2026, tendo em conta as transformações recentes do mercado?
Acredito que 2026 será marcado por uma maior pressão sobre os modelos operacionais e logísticos do aftermarket. Atualmente, existem players grossistas capazes de realizar quatro entregas diárias às lojas de peças, um modelo que, a médio prazo, poderá revelar-se difícil de sustentar do ponto de vista económico e operacional. Ao mesmo tempo, assistimos a uma forte concentração da concorrência nas mesmas marcas e a uma intensificação da guerra de preços, o que tem vindo a pressionar margens em toda a cadeia de distribuição. Creio que o mercado tenderá a evoluir para modelos mais racionais, onde a eficiência, a gestão de stock e a qualidade/personalização do serviço ganharão maior relevância face à simples lógica do preço.
Que investimentos e estratégias está a vossa empresa a planear implementar em 2026 e em que áreas?
Em 2026, a empresa continuará a investir de forma consistente em tecnologia com o objetivo de aumentar a eficiência dos seus processos operacionais. Em particular, estamos focados na logística de armazém e na recolha e análise de dados, nomeadamente nas áreas de compras de stock a fornecedores, desempenho comercial, vendas a clientes e análise de vendas perdidas. O nosso objetivo passa por recolher o máximo de informação possível e aprofundar a sua análise, permitindo-nos trabalhar com um stock mais ajustado e responder de forma rápida e eficaz a alterações nas variáveis de um mercado cada vez mais dinâmico, como é o aftermarket português.











