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NotíciasPersonalidade do Mês“A minha missão é defender os distribuidores com quem trabalho”, Carlos Costa, RES Aftermarket Solution

“A minha missão é defender os distribuidores com quem trabalho”, Carlos Costa, RES Aftermarket Solution

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Carlos Costa conhece bem o mercado das peças e hoje, como representante de seis marcas no nosso mercado, está a construir uma relação de confiança entre fabricantes e distribuidores. A sua empresa, Res Aftermarket Solution, tem como principal objetivo ser facilitadora de negócios.

{ ENTREVISTA CLÁUDIO DELICADO FOTOS MICAELA NETO }

Carlos Costa é um histórico do setor, com 28 anos de carreira nas peças. A empresa onde trabalhou mais tempo, até junho de 2015, foi a AD Portugal. Desde então, criou a sua empresa, cumprindo um plano estratégico e um orçamento. Apesar de trabalhar, para já, sozinho como agente, representa seis marcas, todas elas com ligação ao primeiro equipamento: FTE, Breda Lorett, OCAP, LGK, Tubostugar e a Timken (Portugal e Espanha). Em todas é grande o potencial de crescimento. Carlos Costa trabalha ainda a Kavo, mas só em Espanha. É o vertice de um triângulo que une fabricantes a distribuidores nacionais. No seu escritório em Mafra, em frente ao Palácio Nacional, explica-nos, numa longa conversa, não só como está a correr esta nova fase da sua vida profissional, mas partilha também uma visão de mercado com muita experiência e com uma atitude própria de quem gosta de pensar e analisar a fundo o que o rodeia. Esta é uma das poucas entrevistas que deu ao longo de toda a sua carreira.

Depois de 15 anos na distribuição voltou a estar mais perto dos fabricantes…
A partir da saída da AD achei que era preferível voltar a estar do lado dos fornecedores e foi isso que fiz. A minha atual situação permite-me ter uma visão transversal do que é o negócio porque, mais do que tudo, hoje a questão é que valor consigo aportar ao mercado.

“As empresas de aftermarket em Portugal fizeram um excelente trabalho nos últimos anos. E vão continuar a fazê-lo mesmo com desafios como a telemática”

Hoje apresenta-se como agente?
Isso é algo que não me faz a mínima confusão. Existem alguns preconceitos e eu também os tive quando me apareciam algumas marcas com agentes. A dúvida que ficava era sempre sobre o que essa pessoa aportava ao negócio e se fazia parte do custo ou se ajudava realmente a criar valor e a desenvolver o negócio. Depois de ter iniciado este processo cheguei rapidamente à conclusão de que o agente não se faz a ele próprio. É consequência do que as marcas querem que ele faça. Para mim é pouco relevante a nomenclatura, entendo-me como facilitador de negócios. Alguém que, tendo uma relação direta com os fabricantes, que são os meus clientes, se preocupa sobretudo com quem compra o produto. Equaciono qual a melhor forma de aportar soluções, que facilitem o trabalho de quem faz a distribuição e como posicionar as marcas por forma a que o negócio desenvolvido pela distribuição possa ser lucrativo e sustentável. Procuro sempre marcas que sejam premium, que tenham uma ligação ao primeiro equipamento e, de preferência, com uma visão clara das necessidades do aftermarket.

Essa figura do agente em Portugal está em desuso ou é uma tendência que está a voltar?
Não nos enganemos. A maioria das entidades que estão presentes no mercado português são agentes, podem ser é exclusivos e, consequentemente, só trabalharem para uma marca. A maioria das empresas não tem sede fiscal em Portugal. Eu prefiro trabalhar numa lógica de não exclusividade, porque dá-me mais liberdade e um contacto transversal com o mercado.

Que balanço faz de pouco mais de um ano nestas funções?
Tem sido uma experiência muito positiva. Permite-me atuar transversalmente no mercado. Tenho um contacto mais próximo com uma série de intervenientes presentes no mercado e que antigamente me viam como concorrente, e a quem hoje procuro aportar valor através das marcas que trabalho. Permite-me também constatar a evolução do mercado. Existem bastantes empresas com estruturas muito profissionais, onde a segunda geração se integrou e aportou muita qualidade. Esta geração que está agora a assumir os negócios dos pais é a geração mais bem preparada e isso nota-se de uma forma clara. Independentemente do tipo de projeto, nota-se a existência clara de uma visão e de um plano para a concretização dos seus objetivos. O negócio casuístico é passado.
A renovação geracional, quando empreendida de forma profissional, fortalece as organizações, e isso já hoje se vê de forma evidente.

Temos cada vez mais retalhistas a importar diretamente das fábricas, sem que esses produtos cumpram a cadeia clássica de distribuição. Será cada vez mais assim?
A cadeia clássica é isso mesmo: clássica. É passado. Há cada vez mais fabricantes e cada um da sua forma procura ocupar um espaço no mercado. A evolução da distribuição é consequência dos tempos. Existem empresas com menor dimensão e com projetos próprios muito interessantes. Não vale a pena pensar em mercados regulados. Hoje a diferença faz-se pelo desempenho profissional diário que cada organização é capaz de promover. Não vale a pena discutir o modelo. Vale a pena, sim, perceber como podemos obter o melhor resultado utilizando o que está ao nosso alcance, criando uma marca forte no mercado e, como tal, reconhecida pelos clientes.

“Os fabricantes que percebem que é importante ter alguém diretamente no mercado têm tido resultados comprovados em Portugal”

Já não temos elos da cadeia bem definidos?
O elo da cadeia em que se está hoje é definido pela dimensão que temos. A questão é as pessoas perceberem qual é o seu projeto, como querem atuar no mercado e a partir daí usar as inúmeras ferramentas que existem e que estão à disposição de todos. As empresas hoje não são melhores porque têm melhores softwares ou armazéns, são melhores porque têm estruturas bem orientadas e focadas com o negócio. Porque souberam desenvolver uma cultura de organização e todos atuam diariamente para que os seus objetivos se concretizem. A estratégia clara, aglutina, motiva faz com que as pessoas se movimentem todas no mesmo sentido. As marcas com que trabalho têm um total respeito pela distribuição, sabendo que são determinantes no sucesso que a marca pode ter. A estes fabricantes não lhes passa pela cabeça virem para Portugal vender diretamente às oficinas. Quando os desenvolvimentos não forem os adequados, seguramente a minha liberdade de defender aquilo em que acredito, condicionará os passos futuros. Só assim um projeto como o meu pode ganhar consistência.

É fundamental para uma marca ter alguém diretamente no mercado?
Diria que muitas marcas continuam a atuar no mercado numa lógica de exportação, mas que essa lógica passa por vender aquilo que nos querem comprar à hora que nos querem comprar e a um preço que nos dizem que é o preço necessário. E mais nada. Pode ser entendido como um excelente negócio. No entanto, ter alguém no mercado permite à marca evoluir para outro patamar. Trabalhar o seu posicionamento de acordo com os seus competidores, trabalhar a visibilidade da marca junto de quem a distribui e de quem a instala nas viaturas, desenvolver as ações promocionais e de formação que o mercado possa necessitar, etc. Isto são desenvolvimentos que não estão ao alcance de quem trabalha num departamento de exportação seja em que país for. O representante garante o conhecimento do mercado, a relação de proximidade com esse mercado e a capacidade de desenvolver as ferramentas que permitam ao fabricante fazer um melhor trabalho.

É uma clara vantagem ter um representante diretamente no mercado?
Para as marcas que querem ter futuro sim. As marcas que, hoje, vendem quatro peças em cada mercado e essas quatro peças no total lhes dá um volume que os satisfaz, nem pensam no que poderiam vender se tivessem um representante a trabalhar o mercado nacional. E aí em vez de vender 4 venderiam 4000, mas como não entendem que poderiam vender 4000 nunca vão colocar essa questão. Basta olhar para o mercado, para as marcas que anunciam nas revistas e ver as que eram trabalhadas à distância e que passaram a ser trabalhadas localmente. Passaram a ter uma presença forte e uma visibilidade que não tinham, cresceram no mercado e ganharam uma dimensão muito diferente. Existem variados exemplos que mostram a diferença entre estar e não estar.

SEIS REPRESENTAÇÕES

Atualmente são seis as marcas que representa no mercado. Vamos ver novidades este ano?
Sim, vamos ter algumas novidades em breve, mas estes são processos que levam o seu tempo e as marcas têm de amadurecer as ideias.
Há um número máximo de marcas representadas que esteja na sua cabeça para a sua empresa?
Não é uma questão de número, até porque, se o número aumentar muito, terei também mais gente a trabalhar comigo, porque as oportunidades têm de ser aproveitadas. A questão fundamental é que tipo de fornecedor está em causa. Procuro fornecedores que tenham relação com primeiro equipamento e, de preferência, que tenham uma visão clara do aftermarket. O que ofereço em troca é criar valor para as próprias marcas, resolvendo os problemas normais que surgem entre distribuição e fabricante, garantindo, ao mesmo tempo, mais volume para a marca. Quando se atinge esse ponto, o meu trabalho está a ter resultados.

Quem é, na verdade, o seu cliente?
Do ponto de vista formal, o meu cliente é o fabricante que é a entidade que me paga. Mas onde está a minha preocupação é no mercado e nos clientes dos meus fabricantes. E é nas necessidades deles que me foco. Isso ajuda a construir e reforçar este triângulo entre distribuição, fabricante e agente. Se eu me focar em quem vende o produto no dia-a-dia, no final, o fabricante não se vai queixar porque vai ter bons resultados.

O que vieram trazer para o mercado as novas formas e redes de distribuição?
Não considero que sejam redes. São conceitos de grupo, uma identidade própria, uma filosofia de trabalho, um foco e uma fidelização. O importante é a dimensão que se tem. Quando os retalhistas são de pequena dimensão, estes grupos dão-lhes a possibilidade de se poderem dimensionar para atuar no mercado. Existem grupos internacionais e nacionais, todos eles válidos, e isso foi um elemento de mudança do mercado. Em 1999 existia a Atlantic Parts e a AD, depois apareceram vários, internacionais e nacionais. É uma realidade e as empresas portuguesas já perceberam que têm de viver e adaptar-se a esta nova realidade.

Mas isto leva-nos a uma realidade em que os players obrigatoriamente têm que se associar para ganhar dimensão?
Se queremos ter capacidade num mercado que deixou de ser analógico e está cada vez mais digital, onde é tudo mais rápido, ou entendemos quais os desafios que temos ou vamos ficando mais pequenos e ao perder escala vai ser cada vez mais difícil pagar as contas. Continua, naturalmente, a ser possível ter um projeto autónomo e independente. Basta olhar para o mercado e constatar esta realidade. Mas as dificuldades que se vão acumulando obrigam-nos a ter de nos reinventar quando somos pequenos. A encontrar parcerias, por exemplo. No fundo, a ganhar músculo para continuar de forma sustentável no mercado. O que não é sustentável não terá futuro.

Como olha para os fabricantes automóveis que estão a entrar nas peças multimarca, como a Renault, PSA e também a Ford?
O conhecimento que existe nas entidades que operam no aftermarket em Portugal é muito grande. Como tal estão suficientemente preparadas para os novos tempos da distribuição. Não acredito em fatalismos anunciados e há sempre caminhos para novas abordagens.
Os fabricantes automóveis estão a uma grande distância deste conhecimento real do aftermarket. Historicamente nunca sentiram essa necessidade e as coisas funcionavam. Agora os construtores viram essa necessidade. Existem novos desenvolvimentos que, se analisarmos com atenção, se constata que já existiram com outro nome, não tendo nessa altura tido sucesso e como tal sido abandonados. São modas cíclicas movidas pela necessidade. A grande vantagem das marcas é que têm recursos e uma forte capacidade de investimento. A sensação que me dá é que querem fazer um pouco mais. Criar uma linha global e querem estar no mercado, mas falta-lhes muito conhecimento.

Muitos distribuidores e retalhistas estão a fazer grandes investimentos em instalações. É um sinal de dinamismo?
Mostra que o mercado está vivo e consciente das necessidades que tem e dos desafios que o futuro coloca. A questão logística é determinante. Mostra que são organizações com capacidade, com visão e que, independentemente de poder ser uma nova geração que está a liderar, estas decisões mais pesadas são da geração inicial. O que também é particularmente significativo. As decisões de investimento são tomadas porque existe confiança no mercado e, implicitamente, no futuro das organizações.
A distribuição está a dar os passos que lhe compete, porque não lhe compete definir tendências de mercado. Compete-lhe encontrar soluções para as novas tendências, sejam estas a telemática, as viaturas elétricas ou as híbridas. No entanto, não deve a distribuição perder o foco da realidade, sobretudo porque todas estas tendências, de uma forma ou outra, acabam por estar condicionadas pela vontade política e essa muda, como se está a ver, e com uma velocidade também vertiginosa. Não nos devemos esquecer do que aconteceu na Califórnia, por questões ambientais, nos anos 80 do século passado, e que foi, em poucos anos, um parque muito eletrificado desmantelado pelos lobbies do petróleo. A capacidade de adaptabilidade aos novos desafios será cada vez mais importante. Um dos grandes desafios atuais é a questão da internet e as empresas estão a adaptar-se a esta nova realidade.

O sistema ecall e a comunicação dos carros diretamente com as oficinas da marca são uma ameaça?
Todas as oficinas que se preocupam com o seu negócio tentam perceber qual a tecnologia que está a aparecer e como pode condicionar o seu dia-a-dia. Acredito que há desenvolvimentos interessantes na evolução da rede independente de oficinas de uma forma geral, quer estejam agrupadas ou não, e as mesmas vão ter de continuar a investir em três níveis: formação/informação, estrutura de equipamentos para prestar serviço, e na relação com o cliente. Se nos últimos anos, ser bom técnico já não era suficiente para que no final houvesse um negócio de sucesso, daqui para a frente a comunicação com o cliente é fator crítico. A capacidade de comunicar com o cliente e explicar-lhe o que deve fazer, como e porquê – sendo ele cada vez mais informado – é um desafio grande. O eCall é uma ferramenta fantástica se permitir salvar vidas em caso de acidente. Tudo o que ultrapasse essa situação e condicione o consumidor, na minha opinião, é inaceitável. Mas não devemos esquecer que continua a ser o consumidor que tem que decidir quando e onde irá fazer a revisão da sua viatura. E essa é uma questão que tem sido muito esquecida. O poder está do lado do consumidor e é por isso que a relação que as oficinas independentes estabelecem com esse consumidor tem de ser uma clara aposta.
Quando se fala destas questões parece que falamos do fim do mundo. O que está em causa é como é que eu ,enquanto reparador independente, sou capaz de criar sistemas ou utilizar sistemas dos meus fornecedores que me permitam continuar a ter uma relação com os clientes da minha área de influência. Esquecemo-nos muito rapidamente das coisas, mas a evolução do automóvel foi sempre feita de desafios. O que aconteceu sempre? As empresas bem preparadas adaptaram-se e continuaram, as outras foram desaparecendo.

Que radiografia faz ao setor neste momento e que mensagem passa aos fabricantes com quem trabalha?
É um mercado que evoluiu e está mais maduro e consciente dos desafios que tem pela frente, onde continua a existir a necessidade de apoio dos fabricantes, nomeadamente ao nível da informação técnica e formação, porque é um trabalho que nunca está concluído. É um mercado onde as empresas estão cada vez mais organizadas, profissionais e com uma visão para o futuro, garantindo aos diversos fabricantes a possibilidade de crescimento no mercado.

LOGÍSTICA, GARANTIAS E DEVOLUÇÕES

O peso da logística inversa está a crescer. A distribuição está a saber geri-lo?
Essa situação apresenta alguma complexidade. Não é algo de que a distribuição goste muito. Muitas vezes, existem produtos em que adistribuição ainda hoje toca menos, ou não toca de todo, porque tem muito medo do custo de gerir esse processo. O tempo vai-se encarregar de mostrar que ao ser um mercado em crescimento isso pode trazer muito negócio e será a única forma das empresas se tornarem one-stop-shop. Quem já faz este trabalho tem vantagem porque a única forma que existe de melhorar um processo é tendo o controlo sobre o mesmo.

Como é que a distribuição está a trabalhar com a questão das garantias e devoluções?
Podemos estar a falar, nas devoluções, em valores entre 8 a 18% da faturação, o que é um custo brutal e uma grande ineficiência. Mas é também uma oportunidade enorme de tornar o negócio mais eficiente e mais rentável, se houver vontade de olhar para esta questão com profissionalismo. Esta é uma questão que está sempre presente entre a oficina e o retalhista e é algo que não tem soluções mágicas. Não é porque a associação fez as regras da garantia ou da devolução que isso deixa de existir. A questão é ir praticando e ir fazendo evoluir o mercado. A própria oficina tem de se profissionalizar e isto vem de baixo e não da distribuição, que é quem sofre neste processo, porque fica entre uma entidade que tem o poder discriminatório de dizer “não me resolves a garantia, não te pago” e sofre as ações do fabricante que diz que não há garantia nenhuma, porque a peça não tem qualquer problema. E isto custa dinheiro ao distribuidor. É um problema de difícil resolução e, na minha perspetiva, só se resolve atacando o problema na base, ao nível da formação da oficina. Mas vai demorar o seu tempo, porque a oficina vai ter de perceber que já não pode fazer alguns erros que originam as garantias por má montagem da peça.

Mas isso normalmente dá origem às garantias comerciais…
Dá origem a um problema, porque eu empurro o meu não saber fazer para alguém e esse alguém vai tentar empurrar para o fabricante e depois surge a solução salomónica de fazer uma garantia comercial. Esse é o processo fácil, rápido, mas não ataca o problema na base, que é dizer à oficina o que realmente aconteceu, explicar porquê e como não voltar a repetir esse erro. Esse é que tem de ser o caminho. Há alguma distorção do processo, pelo facto de a oficina, muitas vezes, dizer que não paga, se não for feita uma garantia. A oficina tem de investir cada vez mais na sua formação, com o apoio de quem lhes vende as peças. Tem de ter cada vez mais ferramentas e equipamentos para fazer logo de início o seu trabalho bem. Se assim for, nunca chegaremos à necessidade desta garantia comercial. Quando se trata de uma garantia é porque a peça tem mesmo um problema e isso está contemplado.

Havendo constantemente uma oficina que lhe é atribuída uma garantia comercial isso não faz com que essa oficina se desvalorize do processo?
Sem dúvida. Ao fazer a garantia comercial o fabricante resolve o problema do distribuidor que, naturalmente, não quer perder um cliente. Mas aquilo que dá origem ao problema, a oficina acaba por dizer que “já passou”. Mas as garantias são um custo também para as oficinas na relação com os seus clientes e essa é uma realidade pouco analisada.

Como tem sido a evolução dos preços nas peças?
Julgo que na definição estratégia de preço de cada interveniente no mercado, muitas vezes algumas das questões já faladas não são devidamente ponderadas. Pelas diversos inquéritos existentes, verifica-se que o preço não é o fator determinante da escolha de um cliente.
Outros fatores são mais importantes. A disponibilidade e o serviço são chave. No entanto, no mercado continuam a existir práticas que, salvo melhor opinião, não creio que possam ser sustentáveis. Sobretudo que permitam às empresas pensar nos desafios do futuro, investindo em soluções que, efetivamente, possam gerar valor aos seus clientes. O dinheiro está caro e os investimentos devem ser amortizados, o que só é possível com modelos de negócio sustentáveis.

O que tem trazido o B2C ao setor? Que influência tem na distribuição de peças?
Há aqui duas questões diferentes: o impacto ao nível da oficina independente e o da distribuição. Do ponto de vista da oficina, esta vê-se obrigada a definir uma estratégia no seu modelo de negócio, tendo de enquadrar esse tipo de cliente. Ninguém vai ao restaurante e leva a garrafa de vinho no bolso, mas, no caso da oficina, em que a maioria é pequena e com um número reduzido de clientes, não me parece que tenha grandes resultados em mandar todos estes clientes embora. Se a oficina entendesse que aquilo que tem de fazer é cobrar a sua mão-de-obra de acordo com a qualidade de serviço que disponibiliza e equipamentos que possuí, e, no que diz respeito ao valor da peça, criar mecanismos comerciais de fidelização do cliente, originando uma segmentação dos mesmos, talvez fosse possível minimizar esta tendência. Por outro lado, ao nível da distribuição vejo esse impacto com mais preocupação, porque aqui entra a questão da escala, do pricing a nível europeu, das dificuldades de controlo introduzidas pela utilização de ferramentas digitais, e, em consequência, as dificuldades a que muitos mercados ficam sujeitos. Não existem respostas fáceis para este tipo de problema.

PERGUNTAS RÁPIDAS
Qual foi o seu primeiro carro?
Um Renault 4.

Em média quantos quilómetros faz por ano?
O ano passado fiz 62 mil entre viagens em Portugal e Espanha.

Gosta de visitar as oficinas?
Se quisermos continuar a entender o que vai acontecendo, quais as dificuldades existentes e que soluções podem ser aportadas é fundamental ter contacto com a oficina independente.

Consegue facilmente mudar o chip entre as marcas que representa?
Não tenho nenhum problema com isso. Tem a ver com a minha grande capacidade de adaptação.

O que mais gosta neste setor?
Da relação com as pessoas. É a parte mais interessante porque os negócios são pessoas.

No reverso da medalha, o que menos gosta?
Tenho tendência a não valorizar isso, mas claro que há coisas de que não gosto. Uma das coisas de que menos gosto é a inconsistência humana.

O que gosta de fazer nos tempos livres?
Aquilo que mais prazer me dá é viajar.

6 MARCAS REPRESENTADAS

FTE
“A FTE é líder mundial ao nível da hidráulica de travagem e embraiagem. Tem desenvolvido vários projetos na área das caixas automáticas, e ganhou diversos prémios mundiais. A sua capacidade constante de encontrar soluções para os desafios colocados pelos construtores automóveis é uma das suas claras mais valias. A aportação desse conhecimento ao aftermarket é um elemento determinante na sua estratégia de atuação. Com uma gama completa, quer ao nível da travagem quer da hidráulica de embraiagem, oferece ao Aftermarket qualidade OE.”

Breda Lorett
“É um fabricante italiano com enorme potencial de crescimento na área dos componentes de distribuição, polies livre de alternador, rolamentos de roda, tensores, dumpers. É um fabricante com um envolvimento importante com o OE, tendo por essa consequência passado a fornecer também ao Aftermarket uma gama de tensores automáticos. A sua cultura de atenção ao detalhe, origina uma constante busca de soluções para os seus clientes. Os produtos Breda são concebidos, desenvolvidos e produzidos na fábrica de Pianezza. O Sistema de Qualidade Breda Lorett é certificado ISO / TS 16949 e ISO 9001.

OCAP
“A sua relação privilegiada com os construtores automóveis, a flexibilidade introduzida na produção pelas suas três fábricas localizadas na Itália, Índia e China, o facto dos produtos independente da sua origem apresentar certificação OE, fazem da OCAP uma marca de referência no mercado da suspensão e direção. Tem gama para ligeiros, comerciais ligeiros, pesados e agrícolas. O Sistema de Qualidade OCAP é certificado pela TUV com a norma ISO / TS 16949 e ISO 9001 e ISO 14001″

LGK
“É um especialista em alternadores e motores de arranque. Oferece ao mercado uma gama de produto novo, sem casco, com dois anos de garantia. A sua gama cobre as viaturas ligeiras, comerciais ligeiros, pesados e agrícola. Desenvolveu uma aplicação específica para identificação e encomenda de motores de Arranque e Alternadores. Minimizar os erros de identificação e a logística inversa é determinante para a distribuição. Eliminar o problema que os cascos introduzem na venda deste tipo de produto é o que faz a LGK, com uma gama de mais de 1900 referências.”

Tubostugar
“É um fabricante de tubos, sobretudo de tubos de poliamida. Os sistemas de combustível com tubos rígidos de poliamida são hoje um problema crescente nas oficinas independentes. A Tubostugar apresenta ao mercado independente da reparação uma ferramenta patenteada, que resolve de forma rápida e económica a solução para tubos partidos ou entradas de ar no sistema de combustível.”

Timken (pesados)
“A Timken é um dos 3 fabricantes premium mundiais nos rolamentos para pesados. Empresa americana, possui um alto padrão de qualidade e fiabilidade. A Timken tem uma gama de produtos muito abrangente, composta por rolamentos de esferas, agulhas, cónicos. Tem sistema de e-commerce próprio e auxilio técnico integrado. Tem uma gama de mais de 6.000 referência para Aftermarket.”

PERFIL CARLOS COSTA
Carlos Costa começou a trabalhar no setor das peças há 28 anos, depois de quatro anos numa companhia de navegação, fruto da sua formação em Engenharia de Máquinas Marítimas. Começou na Sonicel, em 1989, como responsável comercial da zona norte, tendo ficado, mais tarde, com a responsabilidade comercial a nível nacional. Passou por uma marca de automóveis, depois trabalhou na Bendix (AlliedSignal) como responsável de Marketing e Formação, passando depois para a AD Portugal, onde esteve 15 anos como diretor-geral, e de onde saiu em Junho de 2015. Desde então deu início à sua empresa, a Res Aftermarket Solution, que teve em 2016 o seu primeiro ano completo de trabalho. Carlos Costa tem 52 anos, é casado e tem uma filha.

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