Em 2025, a Recambiofacil reforçou a sua posição como plataforma de referência para profissionais do setor ibérico e europeu. Manuel Peinado, CEO da empresa, faz o balanço de 2025, analisa os principais movimentos do mercado e antecipa as tendências que irão moldar o pós-venda em 2026.
Que balanço fazem do ano de 2025 na atividade da vossa empresa?
Sem dúvida, 2025 foi um ano de crescimento e aprendizagem para a Recambiofacil. Alcançámos marcos importantes: a comunidade de profissionais na plataforma ultrapassou os 34.000 utilizadores registados (entre oficinas, retalhistas de peças, concessionários e centros de abate), reforçando a nossa presença em Espanha, Portugal e França, onde as transações no país já representam mais de 1% do total em apenas 6 meses. Além disso, a atividade na plataforma disparou: ao longo do ano, foram transacionados mais de 70 milhões de euros em peças e ultrapassámos um marco histórico, com mais de 22 milhões de referências publicadas. Tudo isto reflete a confiança que o setor deposita na nossa plataforma e a crescente digitalização do pós-venda. Iniciativas como a nossa participação na Motortec 2025 permitiram-nos reforçar a proposta de valor, contactar com inúmeros profissionais e estabelecer novas parcerias. Também lançámos novas funcionalidades e conteúdos — por exemplo, estreamos o nosso Magazine digital setorial —, tudo graças a uma equipa comprometida e a clientes que nos motivam a melhorar todos os dias. O balanço é muito positivo: crescemos em utilizadores, em serviços e em conhecimento partilhado, criando uma base sólida para encarar 2026 com muita ambição e entusiasmo.
Na vossa opinião, qual foi o fator ou acontecimento mais impactante no mercado do pós-venda em 2025?
Na minha opinião, o pós-venda em 2025 foi marcado por uma mudança de rumo na transição para o veículo elétrico. Durante anos assumiu-se que o elétrico dominaria rapidamente, mas a realidade de 2025 mostrou o contrário: as vendas de automóveis elétricos não cresceram ao ritmo esperado, o que obrigou muitos intervenientes a “recuar” nas suas previsões. Um exemplo claro foi a União Europeia ter moderado os seus planos e ter admitido os combustíveis sintéticos como alternativa no futuro, reabrindo um debate que parecia encerrado. E os números falam por si: em Espanha, num parque de 25 milhões de veículos, apenas cerca de 300.000 são elétricos puros — um ritmo de adoção que torna impossível cumprir as metas definidas para 2030. Ou seja, os motores de combustão vão continuar a dominar durante bastante tempo, o que, em parte, tranquiliza o pós-venda tradicional. Vamos continuar a manter e reparar veículos a gasolina e a gasóleo durante muitos anos. Por outro lado, o crescimento do mercado de veículos usados também foi muito relevante em 2025. As vendas de usados aumentaram acima de 5%, ultrapassando 1,8 milhões de unidades, e esta estabilidade do mercado de ocasião impulsionou o pós-venda, uma vez que esses veículos adicionais exigem mais manutenção e reparações após a mudança de proprietário. No conjunto, 2025 lembrou-nos que as oficinas continuam a ter muito trabalho pela frente com o parque atual, enquanto o setor se adapta de forma mais gradual às mudanças tecnológicas que se aproximam.
Tendo em conta as mudanças recentes do mercado, que evoluções acredita que irão marcar o pós-venda automóvel em 2026?
Para 2026, espero mudanças importantes centradas na eficiência e na tecnologia dentro do pós-venda. Em termos de mercado, após os aumentos dos últimos anos, veremos alguma estabilização: estima-se um crescimento mais moderado, em torno dos 3–4%, sinal de que o setor se está a consolidar, mas continua a crescer. A boa notícia é que o parque automóvel convencional vai continuar a gerar muito trabalho: os veículos a combustão ainda serão a maioria em circulação, sobretudo porque a procura por elétricos avança de forma mais lenta. De facto, o forte mercado de usados continuará a alimentar a atividade das oficinas em 2026, já que muitos condutores optam por viaturas seminovas e esses veículos precisam de revisões e peças logo após a compra. Ao mesmo tempo, a digitalização e a adoção de novas tecnologias vão marcar a tendência. Cada vez mais oficinas e distribuidores irão recorrer a plataformas online e a ferramentas de gestão avançadas, e veremos um salto na utilização de inteligência artificial e análise de dados para otimizar operações. Por exemplo, a IA aplicada à manutenção preditiva permitirá antecipar avarias e planear melhor as intervenções, tornando o serviço mais rápido e fiável para o cliente. Também espero avanços na integração de dados de veículos conectados e na oferta de serviços mais personalizados. Em suma, 2026 será marcado pela consolidação de um pós-venda mais eficiente e tecnológico, mas com pragmatismo: adaptando-se de forma gradual ao veículo elétrico e enfrentando desafios pendentes, como a captação de talento e a própria transformação digital do negócio.
Que investimentos e estratégias prevê implementar a vossa empresa em 2026 e em que áreas?
O nosso plano para 2026 está focado em investir em tecnologia, expansão internacional e excelência no serviço. No plano tecnológico, começámos o ano com novas ferramentas na plataforma: um Armazém Avançado com dados estratégicos em tempo real sobre preços e stock, estatísticas de vendas muito mais completas e APIs para automatizar tarefas como faturação e etiquetagem de envios. Além disso, estamos a explorar a integração de IA de forma inteligente nos nossos processos. Tudo isto visa ajudar os nossos utilizadores a poupar tempo e a ganhar eficiência no dia a dia. Quanto à expansão, França é a nossa grande aposta este ano. Já contamos com uma sede própria em Paris e vamos investir em marketing e acordos locais para fazer crescer a nossa comunidade de profissionais em França, replicando o sucesso alcançado na Península Ibérica. Em paralelo, continuaremos a consolidar a nossa posição em Espanha e Portugal, com iniciativas comerciais que acrescentem valor aos clientes atuais. Naturalmente, em 2026 será incontornável melhorar ainda mais a experiência do cliente: queremos aumentar a precisão e a rapidez na identificação da peça certa (melhorando continuamente os nossos algoritmos de pesquisa por chassis VIN) e oferecer um apoio ao cliente próximo, profissional e proativo em cada pedido. Em suma, vamos investir para que a Recambiofacil continue a ser sinónimo de inovação e confiança para todos os intervenientes do pós-venda, adaptando-nos aos novos tempos sem perder o foco na qualidade e no serviço.







