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“Mercado de lubrificantes necessita de maior fiscalização”

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Paulo Santos, responsável em Portugal pelos lubrificantes da Valvoline, diz que o mercado de lubrificantes em portugal necessita de maior fiscalização.

Breve análise ao mercado de lubrificantes em Portugal?

É um mercado extremamente competitivo com demasiados operadores e marcas.

Infelizmente e à semelhança de muitos outros, necessita de maior fiscalização, o que o torna demasiado desvirtuado.

A qualidade dos produtos e respectivas aprovações/recomendações inscritas nas embalagens estão demasiado inflacionadas, tornando a concorrência desleal e por vezes torna difícil justificar maiores diferenças de preços.

Para termos uma ideia do que estamos a falar, basta pararmos para ver que os maiores operadores mundiais saíram do mercado ibérico na última década, Shell, Mobil…, marcas que operavam directamente no nosso mercado e actualmente são representadas por importadores.

Associado a tudo isto o nosso mercado carece de um problema recorrente de falta de dimensão, não exclusiva do mercado dos lubrificantes, mas para teres uma ideia o nosso mercado global em 2015, sem dados finais creio rondar as 42.000T, se comparadas com as mais de 300.000T de Espanha, percebemos que não é fácil operar no nosso pais, não obstante que temos mais de 100 marcas comercializadas em Portugal e não creio existirem tantas em Espanha…o mesmo de sempre…

2 – Qual a maior dificuldade que o setor dos lubrificantes enfrenta em Portugal?

A maior dificuldade que encontramos no nosso país actualmente, para além do que mencionei no ponto anterior, passam pela extensa gama de produtos e soluções necessárias para fazer face às necessidades do nosso parque, a falta de conhecimento dos aplicadores e consequente falta de conhecimento dos clientes finais, no entanto esta situação tem vindo a alterar mas de forma muito lenta.

Esta falta de conhecimento era tendêncialmente incutida pelos tradicionais distribuidores de lubrificantes, os quais disponibilizavam uma curta gama de produtos e tinham por objectivo “encharcar” os clientes, em parte por deficiências relacionadas com problemas de logística/proximidade, esse desconhecimento e falta de informação acabavam por ser uma vantagem para este modo de operar.

Para teres uma ideia um Distribuidor Oficial Valvoline™ tem na ordem das 60 referências em stock permanente e opera com forte proximidade do seu cliente, isso não era assim a alguns anos atrás, no mercado dos lubrificantes e num futuro próximo acredito que as exigências vão aumentar.

A falta de poder de compra dos clientes finais, facilita algum laxismo e falta de profissionalismo de alguns operadores, que vêm no lubrificante uma fonte de receita de elevado rendimento, o que os leva a fazerem aplicações incorrectas e de certa forma danosas para os clientes menos informados.

Para fazerem face ás reais necessidade do mercado as oficinas necessitam de muita proximidade e boa capacidade de resposta por parte do seu parceiro de lubrificantes, com a vantagem acrescida se este trabalhar uma marca global capaz de responder as necessidades mais complexas e pontuais.

3 – Que oportunidades existem para a comercialização de lubrificantes nas oficinas?

As oportunidades são inúmeras, no entanto essas oportunidades estão fortemente associadas a forma como os responsáveis das mesmas querem estar no mercado.

Acredito que durante décadas a forma de distribuição e a menor exigência de aplicação, permitiam operar de forma diferente, comprando em quantidade (tambores de 208L) e vendendo a preços de lata (4/5L), o que libertava por si só fortes margens. No entanto hoje em dia isso não é possível de forma tão universal e as margens associadas as compras em quantidade estão mais limitadas, isso por um lado, por outro lado a proximidade necessária no passado e a actual para com o parceiro de lubrificantes, tornou-se vital e sem uma boa taxa de serviço as oficinas correm o risco de fazerem aplicação indevida dos produtos. Isso resulta na oportunidade de marcar a diferença para as oficinais mais conscientes e atentas a esta importante necessidade, marca do lubrificantes/parceiro fornecedor, apresentam um factor diferenciador de elevada importância, a capacidade de argumentação perante os clientes finais torna-se decisiva e vital para a fidelização dos mesmos.

Mais importante actualmente que o preço é a capacidade de servir o cliente de forma eficiente e adequada, uma aplicação incorrecta de lubrificante pode importar em reparações de milhares de euros num curto espaço de tempo, algo que todos os cliente finais pretendem evitar, mas para isso as oficinas têm que ter formação e suporte por parte dos fornecedores. Por outro lado as oficinas têm a possibilidade de optar por marcas de lubrificantes que não estejam massificadas e que lhes permitam manter níveis de lucro idênticos aos que tinham no passado.

Em suma, conhecimento, suporte do parceiro/fornecedor e uma marca abrangente não massificada, resulta em boa rentabilidade e maior capacidade de fidelização…creio que estas são as actuais oportunidades para as oficinas no que confere aos lubrificantes.

4 – Em que sentido têm ido os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos ao nível dos lubrificantes?

Bom este ponto é extremamente importante e vital, os lubrificantes tendem a ser tecnologicamente muito desenvolvidos e em boa parte dedicados por marca/viatura.

Isto porquê, a forma como as viaturas são taxadas actualmente em termos de impostos, está fortemente condicionada pelos índices de poluição, nos quais os lubrificantes passaram a ter um papel decisivo.

Esta importante situação veio desvirtuar tudo o que se fazia até sensivelmente o ano 2006, implicou que o lubrificante passasse a ter uma função muito para além de lubrificar, passou a ter que baixar os consumos de combustível, por sua vez e associado a isso baixar as emissões, aumentar os intervalos de manutenção e diminuir a pegada ambiental ao longo da vida útil da viatura…

Tudo isto resulta em índices de viscosidade cada vez mais baixos, actualmente já dispomos de soluções dedicadas de índices 0W-20, 0W-25 e num curto espaço de tempo 0W-16, para intervalos de manutenção actuais de 30.000Km e num futuro próximo existe pressão para se alargarem os intervalos de manutenção para 50.000Km, no que toca a viaturas ligeiras.

Isto reflecte uma necessidade tecnológica muito forte por parte do fabricante e um respeito muito grande por parte de quem aplica.

Em suma níveis de viscosidade cada vez mais baixos e intervalos de manutenção cada vez mais alargados, produtos mais dedicados e evoluidos.

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