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“Prevê-se que o mercado seja marcado pela democratização da IA aplicada ao diagnóstico preditivo”, Alexandre Freire, CEPRA

12 Fevereiro, 2026

Alexandre Freire, do CEPRA, faz um balanço globalmente positivo de 2025 e aponta as tendências que deverão marcar 2026, bem como os investimentos estratégicos do CEPRA para responder às novas exigências do mercado.

Que balanço fazem do ano de 2025 na atividade da vossa empresa?

O balanço de 2025 é globalmente positivo para o CEPRA, marcado pela consolidação da transição digital na formação e pelo reforço da formação prática em tecnologias de propulsão alternativa. Ao mesmo tempo, 2025 foi um ano desafiante, marcado pela necessidade de adaptação contínua dos conteúdos formativos, face à rápida evolução dos veículos e à crescente escassez de técnicos qualificados no mercado. Assistimos a uma consolidação do nosso papel enquanto entidade de referência na formação técnica para o setor automóvel, tendo conseguido expandir a nossa capilaridade formativa e estreitar parcerias estratégicas com os principais players do setor.

Qual foi, na sua perspetiva, o fator ou acontecimento mais impactante no aftermarket em 2025?

Em 2025 continuou a assistir-se a uma aceleração da eletrificação do parque automóvel, assim como a um aumento da complexidade tecnológica dos veículos, onde se destacou o crescimento da importância do software e do diagnóstico remoto. Neste enquadramento, é nosso entendimento que a aceleração da implementação do Acesso Seguro a Dados do Veículo, SERMI, terá sido o acontecimento mais impactante, porque esta regulamentação alterou profundamente a dinâmica das oficinas independentes, exigindo uma maior certificação dos técnicos e das empresas para acederem a informações críticas de reparação e manutenção.

Que mudanças acredita que poderão marcar o aftermarket automóvel em 2026, tendo em conta as transformações recentes do mercado?

Em 2026, a eletrificação continuará a crescer, mas será acompanhada por uma maior maturidade nos processos de reparação e manutenção de veículos elétricos e híbridos. Prevê-se ainda que o mercado seja marcado pela democratização da Inteligência Artificial aplicada ao diagnóstico preditivo. Existirá uma tendência para uma maior especialização técnica das oficinas, com uma segmentação mais evidente entre operadores generalistas e operadores altamente especializados, pelo que a escassez de mão-de-obra qualificada continuará a ser o grande desafio, forçando uma valorização das carreiras técnicas e uma maior aposta na retenção de talento através da formação contínua. Neste âmbito, também se prevê um reforço do peso da formação certificada, tanto por exigência legal como por pressão dos clientes e das seguradoras

Que investimentos e estratégias está a vossa empresa a planear implementar em 2026 e em que áreas?

Em 2026, o CEPRA pretende reforçar o investimento em infraestruturas técnicas, equipamentos pedagógicos e atualização dos conteúdos formativos, com especial foco em: veículos elétricos e híbridos; diagnóstico avançado, software automóvel e conectividade; sistemas ADAS e respetivas calibrações. Paralelamente, continuará a aposta na formação de jovens e na valorização da carreira técnica, através de parcerias com empresas do setor, fabricantes e associações profissionais. A estratégia passa por alinhar a formação com as necessidades reais do mercado, contribuindo para a sustentabilidade e competitividade do aftermarket automóvel em Portugal. Sendo o CEPRA um centro de gestão participada, existirá o necessário alinhamento com as políticas públicas de emprego e as necessidades específicas das empresas associadas no encerramento das respostas.

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