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APDCA fez balanço de sete anos de atividade e apontou para o futuro

26 Março, 2024

A APDCA levou a efeito a 5ª edição da sua Convenção, num momento em que esta associação está a comemorar o sétimo aniversário de existência. Cerca de 100 associados marcaram presença e ouviram apelar ao associativismo e à união das empresas, como forma de enfrentar os muitos desafios que a atividade enfrenta.

Decorreu este sábado, 23 de março, a 5ª Convenção da Associação Portuguesa do Comércio Automóvel, subordinada ao tema Como Vencer? Ferramentas para potenciar o seu negócio. Tendo como palco a cidade de Ílhavo, esta jornada de troca de ideias e de reflexão, ficou marcada pela qualidade dos oradores e pelas mensagens de apelo a uma ainda maior união entre as empresas de um setor tão importante para a economia nacional.

Na intervenção de abertura, Nuno Silva, Presidente da Direção da APDCA, sublinhou o papel desempenhado pela Associação na promoção e defesa do setor do comércio de automóveis usados ao longo dos últimos sete anos, mas também projetou a importância do associativismo a curto prazo. “Nos últimos sete anos foram muitas as conquistas para o setor. Estivemos na linha da frente no apoio à adesão à figura de intermediário de crédito; apostámos na formação, criando a Academia APDCA; criámos pontes, assinando protocolos com quase duas dezenas de parceiros e encetámos conversas com os diferentes Grupos Parlamentares, apresentando um caderno de medidas que visam a defesa dos interesses das empresas e empresários que representamos, mas também dos nossos clientes. Agora, aguardamos com expetativa a entrada em funções de um novo Governo, para voltarmos à carga com as propostas de medidas que julgamos inadiáveis e que já tinham encontrado eco no anterior executivo e recolhido o apoio de diferentes Grupos Parlamentares. Mas só juntos, unidos e a uma só voz, vamos voltar a colocar as nossas preocupações na agenda política.

A segunda intervenção da tarde, da autoria de Paulo Afonso, especialista em assessoria de políticas públicas em organizações da sociedade civil, em instituições públicas e no Parlamento Europeu, foi no mesmo sentido. Paulo Afonso, enfatizou a necessidade de as empresas se unirem em torno de ideais e desafios comuns, para ganharem “peso” e uma acrescida representatividade. “O associativismo, as associações e as dinâmicas associativas, nos mais variados sectores da sociedade, encerram um valor acrescentado, mas, também, têm em si  uma vantagem competitiva, um ganho de força; e pegando de empréstimo o mote da APCDA, “Juntos somos mais fortes”, tomo a liberdade de acrescentar: juntos vamos mais longe, porque juntos podemos mais e avançamos mais”.

Ferramentas inovadoras e adaptadas ao setor

Mas a 5ª Convenção da APDCA também foi o palco da apresentação de ferramentas inovadoras que aportam ao setor evidentes mais valias, não apenas em conhecimento, mas também na facilidade de utilização e na otimização do tempo dos seus profissionais.

O Autobiz Market é disso exemplo, uma ferramenta de avaliação de viaturas usadas ímpar no mercado, tanto pela eficiência como pela sofisticação, e que acrescenta um conjunto muito alargado de novas funcionalidades.

Já a Carmine D-Services apresentou uma solução digital que maximiza a eficiência e revoluciona a gestão quotidiana do negócio, permitindo ganhar tempo e, claro está, poupar dinheiro.

Em representação da SNG, empresa especializada em garantias automóveis, Pedro Simões apresentou uma solução específica de suporte às Viaturas Certificadas APDCA, recordando que o Programa Usado Certificado APDCA “revolucionou a forma como os clientes encaram a aquisição de uma viatura usada, já que pela exigência e transparência de todo o processo de certificação, acrescenta uma camada adicional de confiança. Para os próprios empresários do setor, este Programa também se revela uma mais valia, não só por atestar a conformidade do bem na altura da venda, como por permitir uma diferenciação face aos ‘concorrentes’ que não possuam em stock viaturas com o selo Usado Aprovado APDCA”.

A ronda de parceiros da APDCA ficou concluída com a intervenção de Hugo Cruz, Diretor Comercial do Pisca Pisca, que fez um apanhado das últimas novidades da plataforma líder em Portugal no número de automóveis anunciados. Para Hugo Cruz, “apesar da juventude deste projeto, o Pisca Pisca já alcançou um estatuto e uma notoriedade invejáveis, estando consecutivamente a crescer no número de visitas mensais e, claro, no número de leads geradas. Obviamente que isto é um processo em permanente evolução e estamos sempre a trabalhar nas melhorias que queremos implementar no Pisca Pisca. Ouvimos diariamente os nossos clientes, os profissionais do setor do comércio de usados, e estamos continuamente a melhorar a plataforma.

Evoluir ou morrer

Sem quaisquer dramatismos, até porque a expressão é de Bruno Venâncio, especialista em IA, a verdade é que a Inteligência Artificial veio mesmo para ficar e “quem não se adaptar vai morrer”. Para Bruno Venâncio “a utilização, ainda que, numa primeira fase, mais básica de ferramentas como o ChatGPT vai abrir novos horizontes para as empresas deste setor e as possibilidades são quase infinitas. Mas atenção, esta é uma ferramenta e, como todas as outras, só é boa na medida de quem as usa. O segredo do ChatGPT está no prompting, no fundo, são os comandos que temos de transmitir. Estes devem cumprir algumas regras básicas: definir a tarefa, o contexto, dar exemplos, criar uma persona, transmitir o formato da resposta e o tom em que a mesma deve ser dada”. O Bruno Venâncio terminou a sua intervenção com um categórico “não se iludam, o futuro do mercado automóvel não é amanhã, na próxima semana ou em 2025. O futuro do mercado automóvel é agora…”.

Tópicos na agenda automóvel hoje e na próxima década

Guilherme Costa, da Razão Automóvel, abordou os grandes temas que, atualmente, estão a ser abordados na indústria automóvel e os tópicos que vão marcar a agenda nos próximos anos. Entre as preocupações está a transição energética e, na opinião deste especialista, “o equilíbrio necessário entre a promoção de uma mobilidade que se pretende cada vez mais sustentável, com a eletrificação a assumir um inegável protagonismo, e a ‘saúde’ do motor económico da Europa. Pelo peso que a indústria automóvel assume no velho continente (e até em Portugal), não podemos continuar a mudar a regulamentação a cada ano que passa, sob pena de estarmos a prejudicar irremediavelmente uma indústria que gera centenas de milhares de postos de trabalho e milhares de milhões de euros em receitas. Para Guilherme Costa, “uma excelente forma de combater o envelhecimento acelerado do parque automóvel nacional e de reduzir as emissões poluentes, é estender o programa de incentivo ao abate e as bonificações daí resultantes ao mercado de usados. Passar de um automóvel que cumpre as normas Euro3 para um automóvel que cumpras as Euro6 é um salto gigante em termos de redução de emissões”.

Uma medida que a APDCA há muito reclama e que, até à queda do Governo, estava inscrita no Orçamento do Estado. A APDCA aguarda com expetativa o que fará um novo executivo em relação a esta possibilidade…

Decifrar pessoas não é “magia”

O último orador do dia foi Alexandre Monteiro, orador e autor de livros best-sellers, que elucidou os presentes na “arte” de decifrar pessoas. Estar atento aos gestos, palavras, tiques, código de vestuário e objetos de adorno pode fazer a diferença entre conseguir gerar empatia e conquistar um cliente ou, por outro lado, afastá-lo irremediavelmente. Para Alexandre Monteiro, “o nosso corpo revela segredos que, quem esteja atento e sensibilizado para esta temática, consegue descortinar e interpretar. Pequenos gestos, olhares, detalhes e até a utilização de cores pode denunciar um estado de espírito, uma desconfiança, um traço de carácter. Por vezes, a capacidade de saber reconhecer estes sinais e até a forma como nos comportamos perante eles, fará a diferença no fechou, ou não, determinado negócio”.

Apelo emocionado ao espirito de união

Com um discurso espontâneo e não previsto no programa da 5ª Convenção, Nuno Silva subiu, mais uma vez ao palco, para, num tom de voz emocionado, agradecer a presença dos associados e fazer um apelo convicto à união entre as empresas: “Não continuem a olhar para o lado à espera que alguém ou alguma coisa resolva os vossos e os nossos problemas. Temos de tomar nós as rédeas e procurar uma solução. Em conjunto, unidos e a uma só voz. Só assim podemos ser senhores de nós mesmos e não deixar que outros players do mercado ditem o nosso futuro ou modifiquem as regras a meio do ‘jogo’. A força da APDCA vem dos associados que a compõem. Quantos mais se juntarem a esta causa, quantos mais associados tivermos nas nossas fileiras, mais vigor terá a Associação, mais força terá a nossa voz. Passem esta mensagem a todos os empresários do setor e percebam que a APDCA existe por vocês e para vocês”.

O presidente da APDCA, Nuno Silva, fechou, assim, com chave de ouro, uma jornada que primou pela união de todos os envolvidos no comércio dos automóveis usados.

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