Um estudo da CarVertical sobre o mercado de veículos usados em Portugal revelou casos extremos de adulteração de quilometragem, danos elevados e históricos complexos, expondo fragilidades significativas na transparência da informação disponível para os compradores.
A análise incidiu sobre dados de 2025 e identificou situações em que a quilometragem de alguns modelos foi reduzida em quase 800 mil quilómetros, evidenciando práticas fraudulentas com impacto direto no valor de mercado dos automóveis.
Entre os casos analisados, destacam-se veículos que circularam por múltiplos países ao longo do seu ciclo de vida. Modelos como Tesla Model 3, Renault Mégane, Audi A5 e Volkswagen Golf registaram passagens por cinco países diferentes, o que pode dificultar o acesso ao histórico completo. A elevada rotatividade também se verifica ao nível dos proprietários, com um BMW M4 a atingir 26 donos, seguido de um Honda Civic com 19 e um Volkswagen Golf com 18. “Se um carro muda constantemente de mãos, é muito provável que isso indique problemas graves que não estão a ser resolvidos”, afirmou Matas Buzelis, especialista de mercado automóvel.
O estudo evidencia ainda limitações na partilha de dados entre países europeus, sobretudo no caso da Alemanha, responsável pela exportação de cerca de dois milhões de veículos por ano, mas que não disponibiliza informação detalhada para outros mercados. Esta falta de interoperabilidade cria condições propícias à ocultação de históricos relevantes e à prática de fraude.
No que diz respeito a danos registados, alguns veículos apresentam um número elevado de ocorrências. Um Audi A3 lidera com 14 registos de danos, seguido por um Mercedes-Benz Classe C com 13 e um Mercedes-Benz Classe CLS com 12. Em termos de custos, os valores mais elevados foram identificados em veículos de luxo, com um Ferrari GTC4Lusso a atingir 235 mil euros em danos, seguido de um Porsche GT3 com 145 mil euros e um Bentley Continental com 125 mil euros.
A adulteração da quilometragem continua a ser uma das práticas mais frequentes, afetando sobretudo modelos importados. O Mercedes-Benz Vito surge como o mais afetado, com uma média de 786 mil quilómetros adulterados, seguido do Mercedes-Benz Viano com 551 mil e do BMW Série 5 com 403 mil. “A quilometragem adulterada é uma característica frequente nos modelos importados do estrangeiro”, afirmou Matas Buzelis, defendendo a necessidade de uma abordagem europeia conjunta para garantir maior transparência.
O estudo analisou relatórios de histórico de veículos adquiridos por clientes ao longo de 2025 em 18 países europeus, com base em dados recolhidos de múltiplas fontes, incluindo autoridades policiais, registos nacionais e instituições financeiras, permitindo identificar tendências e casos extremos no mercado de usados.










