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REMSA identifica cinco fatores que vão condicionar o futuro do aftermarket até 2035

19 Outubro, 2026

A REMSA alerta para cinco fatores que poderão transformar profundamente o mercado europeu do pós-venda automóvel até 2035, destacando os riscos associados ao acesso às peças, à informação técnica, aos dados dos veículos e às novas exigências de cibersegurança. A marca considera que a intervenção da União Europeia será determinante para garantir a competitividade das oficinas independentes.

A análise divulgada pela REMSA tem por base as conclusões de um estudo desenvolvido pela AlixPartners, CLEPA e Berylls, apresentado pela FIGIEFA durante a Automechanika Frankfurt. O documento identifica cinco grandes desafios que poderão condicionar a atividade das oficinas e dos restantes operadores independentes na próxima década.

O primeiro está relacionado com o aumento das chamadas peças cativas, cuja comercialização poderá ficar limitada aos canais dos fabricantes de automóveis. Num cenário mais desfavorável, esta situação poderá representar um aumento global de custos de 9,3 mil milhões de euros para os consumidores. Num cenário menos restritivo, o impacto estimado seria de 1,3 mil milhões de euros.

Outro fator determinante será a cibersegurança. Segundo a análise, os fabricantes poderão utilizar mecanismos de proteção eletrónica que dificultem o acesso de operadores independentes aos sistemas dos veículos, incluindo informações OBD, diagnóstico e ativação de componentes. Esta situação poderá obrigar as oficinas multimarca a suportar custos adicionais com autenticações, certificados e autorizações de acesso.

O terceiro desafio prende-se com a disponibilidade de informação técnica e de dados necessários às operações de manutenção e reparação. Com o aumento da complexidade tecnológica dos automóveis, o acesso a esta informação torna-se cada vez mais importante para assegurar a capacidade de intervenção das oficinas independentes.

As atualizações de software constituem outro dos fatores identificados. Estas operações estão a tornar-se parte integrante dos processos de reparação, mas continuam fortemente dependentes dos sistemas informáticos dos fabricantes. De acordo com o estudo, os operadores independentes podem enfrentar encargos que chegam aos 100 euros por atualização.

Por último, a REMSA destaca os riscos associados às limitações no acesso remoto aos dados, funcionalidades e recursos dos veículos. Sem um enquadramento regulamentar adequado, estas restrições poderão afastar progressivamente as oficinas independentes da manutenção dos automóveis mais recentes, especialmente daqueles com menos de seis anos.

Para a REMSA, as conclusões apresentadas reforçam a necessidade de uma intervenção regulamentar europeia que assegure condições de concorrência equilibradas entre as redes oficiais e os operadores independentes.

O futuro do aftermarket dependerá, assim, não apenas da capacidade de adaptação tecnológica das oficinas, mas também da garantia de acesso às peças, à informação técnica e aos sistemas eletrónicos dos veículos. Sem estas condições, o setor independente poderá enfrentar dificuldades crescentes para competir no mercado da reparação e manutenção automóvel até 2035.

 

 

 

 

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