O Streamline AfterSales Management surge num contexto em que a falta de comunicação em tempo real entre receção, armazém de peças e oficina continua a ser um dos principais entraves à eficiência nas oficinas.
Artigo publicado na REVISTA PÓS-VENDA 124, de fevereiro de 2026. Consulte aqui o artigo completo.
Desenvolvida pela CT Solutions, a SAM – Streamline AfterSales Management surgiu de uma necessidade real sentida no “chão” da oficina. Num setor onde a maioria das oficinas continua a trabalhar com fluxos de informação fragmentados, muitas vezes dependentes de telefonemas, folhas impressas ou aplicações paralelas, esta lacuna acabou por se tornar evidente para Jorge Costa, profissional com vasta experiência no setor do pós-venda automóvel. O responsável identificou que a falta de informação no momento certo, nas diversas áreas da oficina, era o maior entrave à produtividade. Segundo Jorge Costa, o principal problema não estava na falta de software, mas na ausência de informação útil no momento certo. “O SAM foca-se em interligar os três pilares do pós-venda: a receção, as peças e a oficina. A aplicação elimina a necessidade de telefonemas constantes ou deslocações físicas para saber o estado de uma reparação ou a chegada de um componente”, explicou à PÓS-VENDA. “Os procedimentos baseados em folhas de cálculo e comunicação por e-mail, continuam a ser uma prática comum em muitas oficinas independentes e concessionários. Contudo, essa informação só está atualizada no momento, e rapidamente fica obsoleta. Como solução para melhorar esse processo, eu e o Hugo Pinto, profissional com vasto conhecimento e experiência na componente informática, de desenvolvermos algo que fosse mais prático e automatizado”, indicou Jorge Costa.
Assim, Hugo Pinto, responsável pelo desenvolvimento de software da APP, deu vida tecnológica ao projeto, transformando tabelas estáticas numa aplicação dinâmica adaptável a qualquer dispositivo, quer seja Android, iOS e Desktop. “O objetivo foi o de agilizar o funcionamento do serviço pós-venda dentro das oficinas, e, por isso, o formato de funcionamento através de uma aplicação é fundamental para a mobilidade. Assim, tanto mecânico como o responsável pela gestão das peças e a pessoa que está na receção e a gerir as ordens de trabalho podem aceder à informação mação introduzida. Cada um tem a sua função, mas a informação está disponível para todos, e sempre atualizada. Para consolidar a eficiência das oficinas, o SAM funciona como o sistema nervoso da empresa, garantindo que todos os departamentos saibam exatamente o que o outro está a fazer, em tempo real”, explicou Hugo Pinto. Na prática, o objetivo passa por reduzir a dependência de comunicação informal e tornar visível, em tempo real, o estado de cada viatura e de cada ordem de trabalho. “Ao termos uma melhor gestão, conseguimos também fazer com que os técnicos consigam ter uma maior produtividade e, consequentemente, rentabilidade”, adiantou este responsável.
Funcionamento
A informação no SAM é extraída automaticamente do servidor do sistema ERP da oficina, “para garantir que os dados sobre o ETA, Estimated Time of Arrival, das peças e o progresso das viaturas possam sempre ser consultados pela equipa, indicou Jorge Costa. A aplicação não tem como objetivo substituir ERP existente numa oficina, mas funcionar como uma camada adicional de visualização e partilha de informação entre departamentos.
Produtividade
Jorge Costa afirma que a solução foi pensada para estruturas oficinais com um fluxo elevado de trabalho, “onde a gestão de dezenas de carros em simultâneo exige rigor. Estimamos que a implementação do sistema pode gerar melhorias significativas na ordem dos 20% na prestação da oficina, com base em estimativas internas e na experiência acumulada em contextos reais de oficina. Ao ter esta informação disponível, a oficina consegue ter uma melhor gestão, quer da sua capacidade, como da sua agenda e dos processos que estão em curso. Rapidamente podemos consultar quais os veículos que aguardam peças, antecipar a chamada para um cliente que aguarda uma resposta nossa sobre quando é que vamos realizar o serviço na sua viatura. Antes, os clientes ligavam à oficina a questionar quando é que seria feita a intervenção no seu veículo. Agora, com esta APP, é a oficina que pode antecipar isso, o que mostra profissionalismo junto do cliente”.
Inteligência Artificial
Embora o SAM já possua um protótipo funcional capaz de demonstrações robustas, a equipa procura agora parcerias com oficinas para finalizar a integração com os principais ERP´s do mercado. A utilização de Inteligência Artificial é vista por Jorge Costa e Hugo Pinto como um passo futuro promissor para automatizar ainda mais o processo de agregação e gestão de dados. Segundo Hugo Pinto, outra vantagem técnica adicional sobre a futura integração do ERP com agentes de Inteligência Artificial é a salvaguarda das diretrizes de Proteção de Dados, como o RGPD. Com a utilização de agentes de IA executados em servidores ou terminais locais, evita-se a necessidade de dar acesso direto aos servidores e bases de dados à plataforma, garantindo que os dados sensíveis se mantêm sempre internos. Esta questão é particularmente relevante para grandes grupos do setor automóvel, frequentemente sujeitos a processos de certificação como a ISO 27001 e a ISO 27701, e que podem ver na proteção de dados um dos principais obstáculos à adoção deste tipo de soluções.
Clientes
A equipa pretende criar, no futuro, um canal de comunicação direta da oficina com o cliente final, para permitir que este acompanhe mais de perto a evolução do trabalho, “tal como já acontece em sistemas de VHC, Vehicle Health Check, em que o cliente pode ter acesso a vídeos e fotos que aumentam a sua confiança no serviço”, revela Jorge Costa. “A CT Solutions pretende tornar o SAM em algo muito mais do que uma aplicação, mas num elo inteligente que permite que a informação flua sem ruído, para garantir que cada minuto na oficina seja aproveitado para gerar rentabilidade e satisfação dos clientes, num contexto onde tempo, coordenação e informação continuam a ser fatores críticos para a rentabilidade das oficinas”, conclui.










