A Upshift Academy é um projeto do Grupo DualParts, criado para aproximar os players do aftermarket através da formação prática e direcionada.
Artigo publicado na edição n.º 121 da Revista Pós-Venda
Transformar a forma como a formação técnica é entendida no aftermarket automóvel em Portugal é o grande objetivo do Grupo DualParts com a criação da Upshift Academy. O projeto, liderado por Tiago Domingos e Cristiano Fumega, pretende responder às necessidades reais das oficinas, ao transmitir o conhecimento prático, ao mesmo tempo que promove a proximidade com os distribuidores e as marcas, funcionando como elo entre marcas, retalhistas e oficinas. A academia pretende apostar na capacitação real dos profissionais e na redução de falhas que geram custos e garantias. A aposta passa, assim, por proporcionar formações úteis, acessíveis e adaptadas ao público, valorizando as marcas representadas pelo grupo e ajudando a reduzir erros por parte dos profissionais das oficinas. A Upshift Academy promete crescer em 2026, reforçando a importância da formação como vantagem competitiva neste mercado. Tiago Domingos e Cristiano Fumega, do Grupo DualParts, explicam, em entrevista à PÓS-VENDA, todos os detalhes sobre o presente e o futuro da Upshift Academy.
O que é a Upshift Academy?
Tiago Domingos: A Upshift Academy é uma academia, mas não uma academia formal no sentido tradicional. Não queremos vender formação, mas sim responder àquilo que o cliente precisa, através da sua capacitação técnica.
Quais são os principais objetivos deste projeto para o Grupo DualParts?
Tiago Domingos: O nosso grande foco é sermos uma ponte entre as marcas, os retalhistas e as oficinas. Já reparámos há muito tempo que existe muita procura de formação, mas poucas ações formativas que sejam realmente interessantes. Muitas vezes, a formação é feita apenas para cumprir critérios legais. A verdade é que as formações mais interessantes são as dadas pelas marcas, pois são dadas por pessoas que sabem do que estão a falar, com anos de experiência no desenvolvimento de produto ou, como o Cristiano Fumega, que tem uma vasta experiência no mercado. A Upshift Academy junta-se ao conjunto de serviços que o grupo DualParts já proporciona e é uma forma de termos uma diferenciação competitiva, pois, embora já existam formações do género, não estão formalizadas numa academia. Além de ser uma forma de fidelizar os nossos clientes, também queremos valorizar as nossas marcas. É uma maneira de dizermos às marcas que, se querem ser ainda mais conhecidas e ganhar quota de mercado em Portugal, esta é uma excelente forma de o fazerem. É uma forma não invasiva de chegar ao cliente, não através de campanhas de descontos, mas mostrando o valor do conhecimento de uma pessoa formada pela marca. É importante sublinhar que este não é um projeto com objetivos meramente financeiros. O principal objetivo é ajudar tecnicamente toda a gente, colocando as marcas a falar diretamente com os retalhistas e as oficinas. Num setor com tanta incerteza, é fundamental que o ecossistema se ajude. Queremos que as oficinas percebam que as marcas estão aqui para ajudar, e vice-versa.
O Cristiano Fumega é a pessoa que está à frente deste projeto. Como é que tudo começou e quais são os próximos passos?
Cristiano Fumega: Estamos numa fase embrionária. A primeira fase foca-se nas nossas marcas próprias e exclusivas, como a Mayle e a Champion. Comecei pela formação de baterias para acabar com o problema frequente das garantias. Aproveitámos a experiência e a autorização que tenho, consequente do meu percurso profissional, para continuar a dar essa formação. Agora, o próximo passo é ir à Alemanha receber formação da Mahle para me tornar o formador oficial da marca em Portugal. Antes, o formador era um técnico espanhol que vinha por vezes a Portugal, mas ter uma pessoa permanentemente no nosso país faz toda a diferença. É um projeto que não é de curto prazo. Estamos a montá-lo agora e 2026 será mais forte. Este ano serviu para lançar as bases e para o grupo se habituar a lidar com a organização de formações, algo que não era comum.
Qual a diferença que fazem o idioma e a abordagem de um técnico permanente em Portugal?
Cristiano Fumega: Faz toda a diferença. Tivemos o exemplo de um formador português de uma marca que dava uma formação tão técnica e com uma linguagem de engenharia que era assustadora. No fim, percebemos que não valia a pena propô-la aos clientes, pois não iriam ter interesse. Um mecânico não precisa de saber a liga metálica de que é feito um motor, quer saber o que tem de fazer numa determinada situação prática. É por isso que as minhas formações são apreciadas pelos clientes. Adapto o meu discurso a quem me está a ouvir, se são casas de peças, a abordagem é mais comercial, se são mecânicos, é mais técnica. Já fui mecânico, já estive do outro lado e sei os erros que se cometem. Por isso, tento ser o formador que sempre gostei de ter. Falo de forma simples, uso analogias do dia a dia, como a teoria de que os aditivos são os medicamentos do motor, para explicar os benefícios de forma clara. Também lido com a resistência de quem diz que tem muita experiência e que não precisa de formação. Gosto de desafiá-los, para lhes mostrar que, por falta de conhecimento, podem estar a perder oportunidades de ganhar dinheiro.
As formações serão sempre presenciais ou consideram o formato online?
Cristiano Fumega: A curto prazo, o nosso foco para as nossas marcas exclusivas é a formação presencial, que é essencial. Não sou apologista do formato online, porque o formador perde o controlo e não consegue ver a reação das pessoas, o que é fundamental para manter a sala ligada e interessada. Há muitos formadores que, passados cinco minutos, perdem a atenção de toda a gente e ficam a falar sozinhos. Eu preciso de interagir, fazer perguntas, oferecer brindes, manter a dinâmica. No futuro, se fizermos parcerias com entidades externas para formações certificadas, como a de ar condicionado, aí poderá haver ações de formação online, mas o nosso foco é o presencial.
Tiago Domingos: Concordo. Pessoalmente, penso que na formação online as pessoas desligam completamente passados cinco minutos. Um formador que consiga prender a atenção online é um em milhares. O online poderá ser uma opção para uma masterclass com um especialista de uma marca estrangeira que não possa vir cá, mas o nosso foco é o presencial. A formação presencial permite interligar a formação com um evento social, tornando a experiência mais apelativa. As pessoas têm mais vontade de participar, de perguntar e de interagir.
O conteúdo será sempre focado numa marca específica ou planeiam ter formações técnicas mais gerais?
Tiago Domingos: No início, queremos que seja associada à marca e que as marcas façam parte do projeto. Poderá haver formação técnica geral, como a de ar condicionado, por exemplo, mas isso dependerá sempre do interesse do cliente. O nosso core business é a venda de peças, a formação é um serviço adicional. Por isso, precisamos de ter a garantia de que, se organizarmos algo mais geral, haverá adesão suficiente. E sabemos que uma formação dada por uma marca tem sempre muito mais interesse e atrai muito mais gente.
Falaram da questão das garantias. De que forma é que a formação ajuda a minimizar este problema?
Cristiano Fumega: É um dos pontos centrais. Com as baterias, por exemplo, as casas de peças estavam habituadas a trocar um produto com menos de dois anos sem diagnóstico, e quem perdia dinheiro eram os nossos parceiros. Na formação, explicamos o porquê de uma bateria se estragar, mostrando que muitas vezes o erro não é do material, mas de outros fatores, como o alternador não carregar corretamente. Assim, os próprios mecânicos, que antes reclamavam, passam a entender a origem do problema.
Tiago Domingos: Exato. O erro vai sempre acontecer, mas queremos minimizá-lo. Isto aplica-se a muitos outros produtos, especialmente com a crescente complexidade dos componentes auto. Muitas vezes, o problema está na instalação, como não seguir as instruções de aperto. A formação serve para relembrar os procedimentos corretos para evitar que uma peça seja devolvida, o fornecedor não aceite a garantia e se gere um mal-estar desnecessário. Queremos ajudar a aumentar a consciencialização sobre esta complexidade.
Quais são os planos até ao final deste ano? Pensam criar um website ou portal para a academia?
Cristiano Fumega: Até ao final do ano vamos ter mais algumas formações. Adiámos algumas pois vou estar em formação com a Mahle, e depois já fará sentido fazer eventos com duas marcas, como a GS Yuasa e a Mahle. Já temos clientes interessados a apontar datas para novembro e dezembro, especialmente os Mahle official dealers.
Tiago Domingos: Em relação a um portal, para já não temos planos para um website ou redes sociais dedicadas. Estamos num processo de mudança interna e, no início, vamos integrar a comunicação da academia no nosso ecossistema existente. No futuro, veremos se há necessidade de a tornar independente. A nível de logística, o projeto tem o objetivo de abranger o país todo. O nosso objetivo é chegar a todos os clientes, de norte a sul.







