A instabilidade no Estreito de Ormuz está a gerar preocupação em vários setores dependentes de matérias-primas energéticas, incluindo o mercado dos lubrificantes. A concentração da produção mundial de óleos base no Golfo Pérsico, aliada às dificuldades logísticas e aos incidentes registados na região, começa já a refletir-se nos custos e na disponibilidade de alguns produtos. Ainda assim, uma fonte oficial da Galp garante a empresa que dispõe de uma cadeia de abastecimento robusta e diversificada, capaz de assegurar a continuidade do fornecimento aos clientes em Portugal, apesar de admitir dificuldades pontuais e a necessidade de reajustes de preços em determinadas referências.
De que forma a situação no Estreito de Ormuz poderá impactar o mercado de lubrificantes em Portugal nos próximos meses?
Os lubrificantes são produzidos a partir de óleos base e de aditivos que, na sua grande maioria, têm origem no crude ou em derivados do crude sendo que uma parte muito relevante da produção mundial de óleos base está concentrada precisamente no Golfo Pérsico. O bloqueio no Estreito de Ormuz tem condicionado o normal escoamento desses produtos para o mercado internacional, o que se traduziu diretamente num aumento significativo do seu custo. Paralelamente, registaram-se também incidentes com infraestruturas energéticas que afetaram a capacidade produtiva naquela região, com impacto na disponibilização global destes produtos.
Quando poderá começar a notar-se um impacto na disponibilidade de produto em Portugal?
A Galp dispõe de uma cadeia de abastecimento robusta e diversificada, que permite manter a capacidade de resposta às necessidades normais dos nossos clientes, assegurando a continuidade do fornecimento. Não obstante, registam-se dificuldades pontuais junto de determinados operadores, bem como no abastecimento de algumas matérias-primas.
Espera-se um aumento de preço dos produtos? Se sim, qual poderá ser a dimensão desse impacto?
Sim, face ao contexto extraordinário de aumentos generalizados nos custos das matérias-primas e de outros fatores associados à produção, tornou-se necessário proceder a reajustes nos preços de venda. A variação dos preços depende das matérias-primas envolvidas e as especificidades de cada referência, incluindo também os custos associados às embalagens necessárias à produção, que também têm registado aumentos de custos significativos.
Que medidas estão a ser tomadas pela vossa empresa para garantir a continuidade do abastecimento aos clientes?
A estratégia da Galp passa por assegurar uma cadeia de abastecimento robusta e diversificada, complementada por elevados níveis de stock de segurança, o que confere capacidade de reação e adaptação perante a volatilidade do mercado e as perturbações nas cadeias de abastecimento. O facto de a Galp concentrar toda a sua produção e armazenagem em Portugal constitui uma vantagem adicional em termos de proximidade e capacidade de resposta às necessidades dos seus clientes.
Que recomendações fazem aos distribuidores e oficinas neste contexto?
Que mantenham os seus ritmos habituais de aquisição e evitem sobre stockagem. Com comportamentos responsáveis e através de uma atuação próxima e coordenada com fornecedores e clientes, conseguiremos atravessar este período de forma equilibrada e eficaz.

















