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Estudo da carVertical aponta para riscos acrescidos na compra de veículos importados

24 Junho, 2026

Os carros usados importados apresentam um risco significativamente superior de terem sofrido danos anteriores em comparação com os veículos nacionais, segundo uma análise da carVertical.

Os dados revelam que 55,4% dos veículos importados verificados em Portugal entre janeiro de 2025 e março de 2026 tinham registos de danos, enquanto essa proporção se situava nos 25,3% entre os carros usados nacionais. Isto significa que os veículos importados têm 2,2 vezes mais probabilidades de apresentar um histórico de danos.

O estudo indica ainda que mais de metade dos carros analisados em Portugal, concretamente 56,5%, foram importados, evidenciando a forte dependência do mercado nacional em relação aos veículos provenientes do estrangeiro. Esta realidade aumenta a exposição dos compradores a potenciais riscos associados à falta de informação sobre o histórico dos automóveis.

Paralelamente, um inquérito realizado pela empresa junto de 14 mil condutores de 22 países europeus mostra que a transparência é uma das principais preocupações dos consumidores. Cerca de 92,2% dos inquiridos consideram que os vendedores devem divulgar qualquer acidente ou sinistro anterior do veículo. Além disso, 75,6% afirmaram que preferem adquirir um automóvel sem histórico de danos, enquanto apenas 9,6% apontaram o preço como o critério mais importante na decisão de compra.

“Os países têm leis de proteção de dados diferentes. Ao não existir um sistema unificado que garanta que o histórico de um carro importado esteja acessível a todos os condutores, a qualidade dos veículos usados sofre. Ao importar um carro para outro país, o histórico do veículo é muitas vezes reiniciado: os defeitos são ocultados e a quilometragem é adulterada”, afirmou Matas Buzelis, especialista em mercado automóvel da carVertical.

A empresa alerta ainda para o facto de os veículos importados apresentarem também maior propensão para fraudes relacionadas com a quilometragem. Segundo os dados analisados, estes automóveis podem ser entre duas e cinco vezes mais suscetíveis a adulterações do conta-quilómetros do que os veículos nacionais.

O estudo concluiu igualmente que 60,7% dos condutores não comprariam um automóvel que tivesse sofrido um acidente grave, mesmo que apresentasse um estado visual aparentemente perfeito. Por outro lado, 63,9% disseram estar dispostos a pagar mais por um veículo caso tivessem garantias de que nunca esteve envolvido em acidentes. Para 86,7% dos inquiridos, a gravidade dos danos anteriores é um fator extremamente importante na avaliação de um carro usado.

“Os carros importados são sempre uma compra mais arriscada. Particulares e empresas envolvidos no comércio automóvel compram frequentemente veículos sinistrados e reparam-nos da forma mais barata possível para os voltar a vender. A alta proporção de danos entre veículos importados significa que o risco de adquirir um carro com defeito está longe de ser negligenciável”, afirmou Buzelis.

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