A ZF Aftermarket está a acelerar a transformação da sua atividade no mercado independente de reposição, com uma estratégia assente no reforço do portefólio, na eletrificação, na digitalização e na ligação entre distribuidores, oficinas e frotas.
Na conferência de imprensa realizada na Automechanika Frankfurt 2026, Philippe Colpron, Head of ZF Aftermarket, destacou alguns dos principais desafios que estão a transformar o setor e revelou vários números que ilustram a dimensão da aposta do grupo.
Entre os dados apresentados, destaca-se o objetivo de lançar mais de 20.000 novas referências ao mercado em 2026, superando claramente a média anual de cerca de 12.000 referências introduzidas nos últimos anos. Atualmente, a ZF afirma que o seu portefólio permite responder a cerca de 30% das reparações realizadas em automóveis de passageiros e veículos comerciais.
O crescimento da eletrificação é outro dos pilares estratégicos. Segundo Philippe Colpron, existem já mais de 58 milhões de veículos eletrificados em circulação a nível mundial, num contexto em que o automóvel definido por software está igualmente a alterar profundamente a atividade das oficinas, aumentando a importância do diagnóstico, da formação e da cibersegurança.
Na Europa, a ZF afirma já cobrir cerca de 92% do parque de veículos eletrificados. A abordagem da empresa ao mercado assenta no conceito de “manter, reparar e substituir”, disponibilizando desde soluções de manutenção preventiva até kits de reparação para componentes como inversores e motores elétricos, evitando, sempre que possível, a substituição completa de módulos de elevado valor.
Outra tendência destacada por Philippe Colpron foi o rápido crescimento dos fabricantes chineses no mercado internacional. A ZF está a aproveitar a sua presença no mercado chinês, tanto no equipamento original como no aftermarket, para acelerar o desenvolvimento de aplicações destinadas a estes veículos. Nos pesados, a empresa diz cobrir já cerca de 60% das aplicações exportadas, enquanto nos ligeiros pretende, até ao final de 2027, oferecer cobertura para os dez principais modelos chineses presentes no mercado europeu. Para atingir esse objetivo, será necessário lançar aproximadamente mais 200 referências.
A digitalização ocupa igualmente um lugar central na estratégia da empresa. Philippe Colpron defendeu a necessidade de ligar de forma mais eficiente toda a cadeia de valor, desde o fabricante ao distribuidor, passando pela oficina e pelo operador de frota. Segundo o responsável, a atual fragmentação do aftermarket ainda gera ineficiências que podem ser reduzidas através da partilha e utilização inteligente de dados.
A ZF afirma já suportar através das suas soluções digitais mais de 2.000 frotas e 50.000 oficinas. A empresa está também a desenvolver sistemas que ligam diagnóstico, gestão de oficinas, telemática e catálogos de peças, permitindo, por exemplo, que uma oficina identifique mais rapidamente uma avaria, encontre a peça correspondente e aceda à respetiva informação técnica e comercial.
A inteligência artificial é outra das tecnologias que começa já a integrar este ecossistema. Entre os exemplos apresentados encontram-se agentes de voz baseados em IA capazes de comunicar na língua do utilizador e automatizar processos como marcações e planeamento de serviços.
Também ao nível da informação de produto, a ZF tem vindo a consolidar a sua oferta. O catálogo digital integrado reúne atualmente mais de 920.000 referências e representa mais de 95% das vendas realizadas pela empresa no aftermarket independente.
A formação continua, paralelamente, a ser considerada essencial para preparar as oficinas para novas tecnologias. A ZF revelou ter realizado mais de 5.000 ações de formação através da ZF ProAcademy, envolvendo mais de 410.000 profissionais.
Para Philippe Colpron, o aftermarket está assim a entrar numa nova fase, em que o crescimento dependerá cada vez mais da capacidade de combinar produtos, conhecimento técnico, software, dados e colaboração entre os vários intervenientes da cadeia de valor.













