Ver todas

Back

Auto Valério: Uma história que vem de longe

23 Outubro, 2026

Com seis décadas de história no setor automóvel, a Auto Valério é hoje muito mais do que um stand de automóveis. A oficina, aberta ao público há oito anos, assume-se como uma estrutura autónoma, com identidade própria, que se foca nos valores da qualidade de serviço que a empresa granjeou ao longo da sua existência.

Artigo publicado na edição n.º 127 da REVISTA PÓS-VENDA Clique aqui para consultar a edição.

Profissional com 35 anos de casa, Luís Vicente começou ligado à área comercial e assumiu posteriormente a responsabilidade pelo pós-venda e pela oficina. Inicialmente, a oficina funcionava sobretudo como apoio ao stand, assegurando garantias e a preparação das viaturas vendidas. Com a mudança para as atuais instalações oficinais e o aumento da procura, a realidade alterou-se.

“Hoje continuamos a fazer as garantias, como é lógico, mas a oficina é um negócio independente, aberto ao público, com acordos e parcerias próprias”, revela Luís Vicente, assegurando que a ligação ao Ostand mantém-se como uma mais-valia competitiva para a Auto Valério: “quem compra um carro na Auto Valério sabe que tem acompanhamento posterior, com preparação rigorosa antes da entrega e um serviço de proximidade. O cliente tem apoio, tem acompanhamento e isso faz a diferença.”

Atualmente, a oficina enfrenta um desafio que muitos empresários do setor reconhecem: excesso de trabalho!!! “Há tanto serviço que temos de aprender a dizer não. Às vezes é tão importante dizer não como dizer sim”, diz Luís Vicente, revelando que “com a idade média do parque automóvel a aumentar, as intervenções tornaram-se mais complexas e demoradas. Muitas vezes, aquilo que parece uma reparação simples transforma-se num trabalho exigente e pouco rentável em termos de horas investidas. Há serviços muito demorados e nem sempre conseguimos cobrar todas as horas que realmente gastamos”. Por isso, a oficina tem vindo a selecionar melhor o tipo de trabalhos que aceita, privilegiando intervenções que se enquadrem na sua estrutura e capacidade.

A evolução tecnológica dos veículos trouxe também novos desafios. Sensores, módulos eletrónicos e sistemas interligados aumentaram significativamente o custo médio das reparações. “Hoje um sensor pode custar 500 ou 600 euros. Às vezes, em duas peças, quase se atinge o valor de mil euros. É difícil explicar isso ao cliente”, diz o responsável da oficina, que garante que a aposta passa pela transparência total. Sempre que possível, os relatórios de diagnóstico são impressos e explicados ao cliente.

A Auto Valério está associada a uma rede (Eurorepar Car Service) desde a abertura da oficina, sobretudo para facilitar o acesso a parcerias e fornecedores. No entanto, Luís Vicente reconhece que o verdadeiro fator diferenciador não está tanto no preço das peças, mas no serviço. “Hoje as marcas de peças são todas semelhantes em qualidade e preço. O que faz a diferença é o serviço de entrega das peças”, diz Luís Vicente que revela que a empresa também trabalha muito com a Drive360. A oficina privilegia fornecedores com entregas rápidas e frota própria, algo que considera essencial para manter os elevadores a trabalhar e evitar tempos mortos. Em termos de marcas de peças e colisão, a política é clara: apostar em qualidade reconhecida, tanto na mecânica como na pintura (aqui trabalha com a Standox).

Outra opção, a que cada vez mais recorre esta oficina, são as peças usadas, nomeadamente através das plataformas como a B-Parts. “Compramos muitas peça nessas plataformas, não só de carroçaria, mas também outro tipo de peças, como módulos eletrónicos. Em muitos casos é melhor e mais barato que trabalhar com peças novas”, revela Luís Vicente que considera que “as peças usadas são uma excelente opção neste momento, até porque o parque circulante, como disse, está cada vez mais envelhecido”. Na colisão a Auto Valério é oficina recomendada por várias companhias de seguros. Para Luís Vicente, trata-se de um “bem necessário. Garante volume de trabalho e regularidade. Talvez a margem seja um pouco menor, mas o volume constante de trabalho compensa”. Além disso, muitos clientes da Auto Valério chegam através das seguradoras e acabam por manter-se após a primeira experiência. Apesar de haver muito trabalho, não se coloca a hipótese de mudar de instalações, até porque uma das grandes dificuldades deste setor, segundo Luís Vicente é a dificuldade em recrutar mão de obra qualificada. “Não é fácil arranjar mecânicos e, sobretudo, bate-chapas. É um problema grave no setor.”

A oficina conta atualmente com 11 pessoas: rececionista, mecânicos, pintores, bate-chapas e apoio à preparação das viaturas. “Podia crescer arranjando outro espaço. Mas sem pessoas não faz sentido”, assume Luís Vicente que diz que o setor precisa de maior valorização das profissões técnicas e de planos de carreira atrativos para os jovens. Apesar de atento à evolução do mercado, Luís Vicente considera que ainda não se justifica investir fortemente nos veículos elétricos. “O parque elétrico ainda representa uma percentagem muito reduzida. Exige espaço, ferramentas e técnicos específicos. Para já, não sentimos necessidade”, garante o gestor oficinal, que mesmo assim diz que “estamos sempre a investir em equipamentos novos e sempre a tentar melhorar o serviço. Gostava de investir mais em formação da equipa, mas nesta fase não é possível como nós queriamos, mas vamos sempre fazendo formação para evoluir a qualidade
do serviço. O desafio é arranjar tempo para tudo”, conclui Luís Vicente.

Ficha da Oficina

NOME: Auto Valério
DATA DE CONSTITUIÇÃO: 1965
MORADA: Sintra
Nº DE EMPREGADOS: 11
REDE OFICINAL: Eurorepar Car Service
SITE: www.autovalerio.com
SERVIÇOS: Mecânica, colisão, pneus
LEMA: Proximidade, rigor técnico e compromisso com o cliente

PALAVRAS-CHAVE