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“A oportunidade é que os distribuidores estão a aumentar a sua quota no mercado”, Luís Aniceto, S. José Pneus

3 Janeiro, 2022
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Luís Aniceto, gerente da S. José Pneus, diz que os distribuidores de pneus (grossistas) assumiram ainda maior preponderância no negócio de pneus durante a enorme desregulação que se vive no mercado.

O custo médio dos pneus de ligeiros (e pesados) vai continuar a aumentar em 2022?
As subidas de preço têm-se verificado ao longo de todo o ano, também em reflexo do aumento dos custos da matéria-prima, principalmente borracha natural e sintética, do aço e ainda da desregulação do custo dos fretes marítimos e rodoviários, numa situação inversa à estabilidade de preços dos últimos anos. Enquanto o circuito descrito acima não apresentar uma estabilização, os preços manterão esta tendência.

Que efeitos tal situação (do aumento do custo dos pneus) poderá trazer para o mercado?
Essa situação poderá trazer algumas alterações no momento da escolha do comprador. O comprador mais fiel às marcas Premium irá continuar a ter a mesma opção, mas alguns vão passar a optar por marcas Quality, onde se espera um aumento de vendas. Também pode acontecer que os utilizadores privilegiem marcas Budget em detrimento de outras, como alternativa à escalada de preços.

Face às dificuldades com os transportes (sobretudo marítimos), poderá haver escassez de oferta de pneus em 2022?
O fecho e a redução de produção de algumas fábricas, na Europa e na Ásia, além da dificuldade em haver contentores disponíveis para transporte, tanto de matéria-prima como de produto acabado, alteraram a cadeia de abastecimento, criando uma desregulação entre a oferta e a procura e provocando, em consequência, um aumento do nível de encomendas nos fabricantes. Como resultado, verificámos uma diminuição, e mesmo alguma escassez, da oferta de pneus no mercado. É previsível que, se tudo correr bem, apenas em meados de 2022 exista uma regularização do nível de stocks transversal a todos os incumbentes.

Em que segmento de mercado (desde o ligeiro ao pesado, passando pelo industrial e agrícola) poderá existir maiores dificuldades?
As dificuldades vão fazer-se sentir em todos os tipos de pneus. Os fabricantes, que trabalhem gamas completas, irão privilegiar o fabrico dos seus principais produtos, sendo então expectável uma maior dificuldade de abastecimento nas especialidades e marcas de segunda linha.

Quais são os maiores desafios para os grossistas de pneus em 2022 (e já agora as oportunidades)?
Em 2022 o comprometimento continuará a ser total com o mercado, traduzido num ainda maior investimento no stock e numa gestão que tem de ser ainda mais rigorosa, cuidada e precisa, para que se consiga manter o elevado nível de serviço junto dos clientes. A elevada disponibilidade de stock e a diversidade de oferta serão os grandes fatores diferenciadores. A oportunidade é que os distribuidores estão a aumentar a sua quota no mercado, ao garantirem maior oferta e melhor serviço, sendo hoje elementos ainda mais fundamentais na cadeia de abastecimento ao retalhista.

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