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Mazda quer acabar com as velas nos motores a gasolina

20 Janeiro, 2017
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HCCI é o nome da nova tecnologia da Mazda, que deverá estar disponível a partir do final do próximo ano num motor a gasolina 30% mais económico, e que vai dispensar as velas de ignição.

Já ouviu falar no “Homogenous Charge Compression Ignition” (HCCI)? Em português podemos traduzir para motor de ignição por compressão com carga homogénea, o que já ajuda a perceber melhor o que é. A Mazda está a desenvolver esta tecnologia que é o que falta para motores de combustão interna a gasolina mais eficientes e… sem velas!

Os japoneses mantêm a tradição de inovação e a Mazda prevê que a nova geração do Mazda3, que deverá ser lançada no final de 2018, conte com a tecnologia HCCI, segundo adianta a agência de notícias japonesa Nikkei. O novo motor a gasolina passa a ter uma ignição muito semelhante a um motor diesel.

Os motores a gasolina são bons em termos de emissões, mas nem tanto no que se refere a eficiência energética. Os motores Diesel são exatamente o contrário: bons em termos de eficiência, mas piores em emissões. Engenheiros de todo o mundo tentam, há anos, conciliar os dois mundos. E o caminho para isso é a tecnologia HCCI, de acordo com a Mazda.

A sigla significa “Homogenous Charge Compression Ignition”, ou motor de ignição por compressão com carga homogénea. A carga homogénea diz respeito à mistura de combustível e de ar. Ela tem de ser a mais homogénea possível, ou seja, não deve haver uma concentração de combustível dentro do pistão, como normalmente acontece em motores com injeção direta ou common rail. A ignição por compressão é o que os motores movidos a diesel fazem: dispensam velas de ignição para “puxar fogo” à mistura. É a compressão que aumenta a temperatura e faz o combustível começar a fazer magia.

 

Mazda HCCI
A área quente em torno da chama no motor a gasolina (à esq.) é a que produz os óxidos de nitrogénio (NOx). No motor Diesel (centro), a área quente é aquela em torno do diesel que é injetado sob alta pressão na câmara. E é ela que responde pelas emissões que, por exemplo, fizeram a Volkswagen ter um grande percalço com o famoso caso Dieselgate No motor HCCI (à dir.), a temperatura de combustão é toda bem mais baixa que nos outros motores (cerca de 1.600ºC, contra uma média de 2.100ºC de um motor comum), o que diminui as áreas de produção de NOx.
A Nissan e a GM pesquisaram esta tecnologia durante anos, mas existiram sempre alguns problemas para que não fosse colocada em motores de produção. O primeiro deles era o controlo da temperatura exata de combustão da mistura. Se fica elevada demais, provoca risco de pré-detonação. Baixa demais, deixa o motor fraco, manda combustível fora e o objetivo de eficiência energética perde-se. O desafio passa por controlar a temperatura em todas as faixas de rotação do motor.

O caminho, segundo se dizia, era um comando de válvulas variável e uma monitorização constante da temperatura. Com temperatura mais alta, as válvulas de escape ficariam abertas mais tempo, para expulsar os gases quentes. Com temperatura mais baixa, ficariam fechadas, para preservar o calor dentro da câmara de combustão. Aparentemente foi isso que a Mazda conseguiu criar. Como? Vamos ter de esperar para descobrir os pormenores.

O novo motor será a segunda geração das tecnologias SkyActiv e, segundo as fontes da Nikkei, será capaz de fazer 3,3 l/100 km de gasolina. A Mazda, que já investiu em tecnologias como o motor Wankel, e deverá alargar o HCCI para toda a sua gama a partir do Mazda3.

 

 

 

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