Decorreu hoje, no Porto, no âmbito da Expomecânica o terceiro Fórum ACAP / DPAI, este ano dedicado ao tema “Para Quem Move o Aftermarket”. Com o mote sobre se existe espaço para fazer melhor no aftermarket, ficou provado que sim!!!
No discurso de abertura do Fórum ACAP / DPAI, o seu Presidente, Joaquim Candeias começou por fazer a pergunta se “existe espaço para fazer melhor no aftermarket?”. Na sua apresentação destacou a importância da união, da ambição e da capacidade de adaptação num momento particularmente relevante para a mobilidade automóvel. Perante uma plateia composta por profissionais e empresários que diariamente fazem mover o setor, foi sublinhado por Joaquim Candeias que o aftermarket tem evoluído de forma significativa, com empresas mais preparadas, profissionais mais qualificados e estratégias cada vez mais orientadas para o futuro.
O discurso serviu também para reconhecer o trabalho dos participantes, oradores, moderadores, parceiros, patrocinadores e equipas envolvidas na organização, com especial destaque para o papel da ACAP e da Expomecânica na valorização e aproximação dos diferentes agentes do setor.
Apesar do momento positivo, diz Joaquim Candeias, a mensagem central foi a necessidade de sair da zona de conforto, enfrentar a mudança sem receios e encarar os desafios como oportunidades. O setor pode e deve ser mais eficiente, sustentável e competitivo, mantendo uma atitude de aprendizagem permanente.
Foi ainda apresentada a campanha europeia #WeDriveEU, que pretende dar maior visibilidade ao aftermarket junto das instituições europeias e da sociedade. A campanha reforça o papel essencial do setor na mobilidade, na economia, na sustentabilidade e na resiliência da Europa.
Com uma faturação de cerca de 236 mil milhões de euros e responsável por 3,2 milhões de postos de trabalho na Europa, o aftermarket assume-se como um setor estratégico. Garante peças, manutenção e soluções para milhões de veículos, prolonga o seu ciclo de vida e assegura a liberdade de movimento dos cidadãos.
A mensagem final foi de confiança: “o futuro da mobilidade já começou e será construído com o contributo decisivo de um aftermarket mais unido, inovador e preparado para os desafios que se avizinham”; disse Joaquim Candeias.
No Painel “O Novo Pós-Venda – Oportunidades, Tecnologia e Rentabilidade”, Inês Alves da Auto Reparadora Vale de Milhaços contou a história de resiliência desta oficina como exemplo (de sucesso). Na sua apresentação ficou evidente que a gestão oficinal é muito importante para que a oficina seja gerida como empresa que é, obtendo-se a partir dessa gestão ganhos de escala muito importantes para a oficina se tornar rentável.
A transformação do aftermarket automóvel, a digitalização dos processos e a importância crescente da formação estiveram em destaque neste painel que reuniu representantes de diferentes áreas do setor, desde oficinas independentes até grandes operadores de distribuição (de pneus e peças de pesados).
Entre os principais temas debatidos esteve a necessidade de adaptação das empresas às novas exigências do mercado, num contexto marcado pela eletrificação, pela conectividade e pela crescente sofisticação tecnológica dos veículos. Os participantes defenderam que a rentabilidade das oficinas depende cada vez mais da capacidade de investir em formação técnica, otimização de processos e qualidade do serviço prestado ao cliente.
David Brito, da Auto Brito, destacou a importância de uma receção eficiente e de uma comunicação clara com o cliente, enquanto Inês Alves sublinhou o valor das certificações, da diferenciação no mercado e do investimento contínuo na capacitação técnica das equipas.
Já Luís Aniceto, da S. José Pneus, partilhou a evolução da empresa ao longo de seis décadas, defendendo que a abertura à mudança, a profissionalização e a digitalização foram fundamentais para transformar uma pequena empresa familiar numa referência ibérica do setor.
No segmento dos pesados, Joel Lebre, da Motorbus, destacou a importância da disponibilidade de stock e da eficiência logística, sublinhando que um veículo parado representa perdas elevadas para os transportadores. O responsável revelou que a aposta no reforço de stocks durante a pandemia permitiu à empresa ganhar vantagem competitiva e responder às necessidades do mercado.
Também em debate estiveram os desafios colocados pelas novas regulamentações europeias, pelos TPMS nos veículos pesados, pela sustentabilidade e pela crescente integração de eletrónica e telemática nos veículos modernos.
Apesar das diferentes áreas representadas, houve uma ideia transversal entre todos os participantes: o futuro do setor passa inevitavelmente pela formação contínua, pela digitalização e pela capacidade das empresas saírem da sua zona de conforto para se adaptarem a um mercado em rápida transformação.
O segundo painel “Liderar o Futuro – Talento, Competências e Novas Gerações”, que teve como membros António Esteves (NEEM FEUP), José Pedro (Car Academy), Luís Miranda Torres (Instituto Superior de Engenharia do Porto) e Manuel Mota (Católica Porto Business School / AB Consultoria).
A integração dos jovens profissionais foi apontada como um desafio ainda por resolver. Embora existam empresas abertas a acolher novas gerações e a transmitir conhecimento, continua a haver algum preconceito relativamente a quem está no início do percurso. A aproximação entre estudantes e mercado de trabalho deve, por isso, acontecer mais cedo e de forma estruturada, permitindo aos jovens conhecer melhor as várias áreas profissionais antes de fazerem escolhas definitivas.
Foi também defendido o reforço do ensino profissional e dos cursos técnicos, capazes de proporcionar uma experiência mais próxima da realidade das empresas e de preparar melhor os futuros profissionais para as exigências do setor.
No aftermarket, a questão central passa pela capacidade das empresas se adaptarem a novos veículos, novas tecnologias e novos clientes. Apesar de Portugal manter um parque automóvel envelhecido, a eletrificação já é uma realidade visível nas estradas e, mais cedo ou mais tarde, chegará às oficinas. Esperar que o mercado se ajuste ao modelo tradicional de negócio foi considerado um erro. São as empresas que têm de se adaptar à tecnologia, ao consumidor e ao novo contexto competitivo.
Neste cenário, programas como o Aftermarket 360 surgem como ferramentas importantes para apoiar empresários e gestores na passagem de uma gestão operacional para uma gestão mais estratégica, rentável e preparada para o futuro. As áreas da formação digital, gestão financeira, rentabilidade e recursos humanos foram apontadas como prioritárias. A escassez de profissionais qualificados exige novas respostas, desde academias de formação a soluções adaptadas a pequenos operadores.
A conclusão é clara: o aftermarket está num momento decisivo. Quem investir em formação, digitalização, gestão e mudança de mentalidade estará melhor preparado para competir, atrair talento e responder às exigências do futuro.

















