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“O futuro passa por um mix de combustíveis que sejam limpos, disponíveis e competitivos”, Filipe Henriques, GASIB

Num encontro informal realizado hoje no Restaurante Tágide, em Lisboa, e onde a PÓS-VENDA marcou presença, Filipe Henriques, CEO da GASIB, defendeu o papel crucial do mix energético na nova mobilidade, apontando o GPL Auto e o BioAutogás como soluções prontas e económicas para a redução imediata de emissões, tanto em veículos ligeiros como pesados.

Filipe Henriques destacou que, ao contrário da perceção em Portugal, o GPL vive um momento de forte expansão na Europa. Em Espanha, o veículo mais vendido em 2025 foi um modelo a GPL, o Dacia Sandero, com cerca de 60 mil matrículas no ano. “Este sucesso deve-se, em grande parte, à necessidade de circular em zonas de baixas emissões, onde os veículos a GPL beneficiam de etiquetas ambientais favoráveis devido à sua baixa emissão de partículas. Comparado com o diesel, o GPL reduz as emissões de NOx em 96% e de outras partículas contaminantes em até 99%. Para o consumidor, a vantagem é também económica: o combustível custa cerca de 50% menos que a gasolina ou o diesel, sem exigir mudanças de hábitos de consumo ou perda de autonomia”.

Veículos pesados

O foco da conversa incidiu também no transporte profissional. Filipe Henriques apresentou a solução da startup espanhola Begas, que desenvolveu motores 100% a GPL, sem necessidade de gasolina, homologados com a norma Euro 6. “Para um transportador, o GPL é uma alternativa real para hoje”, afirmou o CEO, sublinhando que o investimento num posto de abastecimento próprio para GPL, entre 35 a 50 mil euros, é significativamente inferior ao necessário para o Gás Natural Comprimido. Além da redução de 20% nas emissões de CO2 face ao diesel, os motores a GPL em veículos pesados permitem uma redução de 50% no ruído, tornando-os ideais para operações urbanas.

Frotas profissionais

No que toca ao transporte de mercadorias, a GASIB sublinha que o GPL oferece uma vantagem competitiva imbatível na infraestrutura de abastecimento. Enquanto um posto de Gás Natural Comprimido pode exigir investimentos entre 500 mil e 1,5 milhões de euros, a instalação de um depósito e bomba de GPL num armazém de um frotista custa apenas entre 35 a 50 mil euros.

Além disso, ao contrário das soluções elétricas, que comprometem a tara útil dos veículos pesados devido ao peso das baterias, o GPL permite manter a capacidade de carga. Para as empresas, o combustível representa cerca de 60% dos custos operacionais, e a transição para o Autogás permite uma redução imediata de custos de abastecimento na ordem dos 50%.

BioAutogás

Uma das revelações do evento foi o facto de o autogás comercializado em Portugal já conter, atualmente, 13% de biopropano. Este biocombustível, produzido como subproduto do HVO e do SAF (combustível sustentável de aviação), permite reduções de emissões de CO2 que podem chegar aos 92% se utilizado de forma pura. “O biopropano é molecularmente equivalente ao propano, o que significa que não requer qualquer alteração nos veículos ou na infraestrutura já existente”, explicou Filipe Henriques.

Manutenção

Filipe Henriques abordou também a desmistificação da manutenção, referindo que os veículos a GPL são, na verdade, mais simples e económicos de manter do que os diesel, uma vez que não necessitam de filtros de partículas nem de AdBlue. Além disso, nos novos motores 100% a GPL para veículos pesados, a eficiência é superior porque o combustível entra no motor em estado líquido, garantindo uma temperatura de combustão mais baixa e, consequentemente, uma menor degradação das peças. Filipe Henriques assegurou ainda que, embora a tecnologia exija técnicos especializados, um requisito partilhado com a mobilidade elétrica, existe já uma rede de concessionários e oficinas preparada para prestar suporte técnico, garantindo a fiabilidade e segurança operacional das frotas. Neste âmbito e, para contrariar o desafio do valor residual em Portugal, onde os carros usados a GPL ainda são injustamente desvalorizados em comparação com os modelos a gasolina, apesar de terem custos de utilização muito inferiores, “a GASIB reforça a existência de incentivos fiscais para empresas, como a dedução de 50% do IVA do combustível e taxas de tributação autónoma mais baixas, que tornam o TCO extremamente atrativo”, adiantou.

Desafios 

Apesar das vantagens, o CEO da GASIB reconhece que o GPL enfrenta ainda barreiras de imagem e falta de conhecimento em Portugal. No entanto, lembrou que as empresas já podem beneficiar de vantagens fiscais, como a dedução de 50% do IVA do GPL e taxas de tributação autónoma mais baixas. A GASIB, agora parte do grupo chileno Abastible, um dos 10 maiores operadores de GPL do mundo, está a realizar um périplo por grupos parlamentares e instâncias governamentais para promover a neutralidade tecnológica e garantir que o GPL seja considerado uma peça fundamental no mix energético nacional. “Não vai haver uma energia única. O futuro passa por um mix de combustíveis que sejam limpos, disponíveis e competitivos”, concluiu Filipe Henriques.

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