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Megapeças: Por via da digitalização

A empresa de Vila Nova de Gaia quer estar na vanguarda do negócio de peças usadas e, como tal, tem vindo a adotar todas as melhores práticas tendentes a catapultar a sua operação, sobretudo do ponto de vista digital.

Artigo publicado na REVISTA PÓS-VENDA 122, de novembro de 2025. Consulte aqui a edição.

Tudo começou com a empresa José Maria da Silva em 1977, mas só em 1999 apareceu o nome Megapeças. Desde esse momento que a empresa sempre quis licenciar a sua atividade, o que só aconteceu na realidade em 2007. Entretanto, houve a mudança de instalações, por via desse licenciamento, sendo que um dos grandes focos da atividade da empresa, para além da valorização dos veículos em fim de vida, foi a comercialização das peças usadas.

“Desde essa época que a nossa intenção era ter sempre peças um pouco diferentes daquelas que existiam no mercado. Já em 1987 fomos a França para trazer veículos para o nosso negócio de peças usadas. O sucesso foi enorme até porque já tínhamos as peças vendidas ainda antes de o veículo sair do reboque”, conta Jorge Silva, sócio-gerente da Megapeças. Para ter nessa altura uma referência do valor das peças usadas, a Megapeças recorria ao Eurotax (desde a década de 80), de modo a existir uma referência face às peças novas.

Durante muitos anos, o negócio de peças usadas, dentro da Megapeças, foi-se estruturando cada vez mais, embora praticamente apenas com as vendas em balcão, mas a “pandemia trouxe a grande mudança que se verificou rumo à digitalização”, diz Jorge Silva. Contudo, conta o mesmo responsável que em 2014 a empresa começou a catalogar as peças usadas e a fazê-lo com critério e com qualidade, isto é, ter as peças limpas e com a referência certa. “Sempre tivemos este paradigma de que, para fazer a catalogação da peça, tal fosse feito com qualidade”, refere Jorge Silva, que assume que se tratou de um processo lento, mas que a longo prazo se tornou muito compensador.

Apesar de alguns erros que foram sendo cometidos na catalogação, que levam sempre à melhoria do processo nessa mesma catalogação, o responsável da Megapeças diz que se trata de um processo que não termina, apesar da evolução que houve também ao nível das plataformas digitais, nomeadamente na parceria que a empresa tem com a ATENA. “Fomos aprendendo e evoluindo em simultâneo e a verdade é que a catalogação e digitalização foram tendo o seu retorno, com reflexo nas vendas”, refere Jorge Silva, que assume que “neste momento, se não temos o nosso stock à mostra e visível, então é difícil vender. Foi isso que a catalogação e digitalização trouxeram, e só quem consegue acompanhar esta transformação é que atualmente consegue estar preparado para o futuro do negócio das peças usadas”.

Digitalização
Pela experiência que acumulou com a catalogação e digitalização do seu stock de peças usadas, o responsável da Megapeças comenta que o maior investimento nem foi no software, mas sim na mão de obra. Ter uma equipa a digitalizar o stock constantemente acaba por não ter, numa primeira fase, um retorno direto e só acima de um determinado volume de peças catalogadas (e colocadas nos respetivos marketplaces) é que começaram a aparecer as primeiras vendas. “É um trabalho contínuo, que não tem fim, mas que é necessário e que se torna rentável”, diz Jorge Silva.

A primeira empresa a fazer a migração para a nova versão do software ATENA foi a Megapeças, por ser um dos parceiros mais antigos que usam o ATENA, mas também uma das que esteve sempre na frente no que à digitalização diz respeito.

Da antiga versão ATENA para a nova, o volume de dados gerados em termos de informação da viatura em fim de vida e da peça usada é muito maior. Por exemplo, com a nova versão ATENA existe a possibilidade de incluir o VIN OE (identificar corretamente o carro), o que permite dizer, por exemplo, em que outros veículos aquela peça usada pode ser aplicada (devido ao cruzamento de informação). Tudo isto gera um outro volume de informação que, como tal, trouxe uma maior complexidade na transição, mas assim que foram superados esses “problemas de juventude”, rapidamente começaram a ser superadas as vendas anteriores.

Logicamente que a peça usada colocada pela Megapeças nos diferentes marketplaces onde está presente possui agora muito mais informação e detalhe, o que só por si potencia muito mais a venda. No entender de Jorge Silva, o problema agora é ter os recursos humanos certos para fazer este trabalho de catalogação, pois trata-se de um trabalho minucioso que, não sendo bem feito, pode gerar ainda mais custos (de recatalogação, de devolução, etc.).

De acordo com o responsável deste centro de abate, atualmente, “a grande maioria das vendas da Megapeças são feitas através da plataforma, e mesmo as vendas que ainda são feitas em balcão, são de clientes que previamente já consultaram a plataforma”.

Marketplace
Para além do site da Megapeças, onde qualquer cliente pode adquirir as peças usadas que estão em stock, a Megapeças marca presença em mais cinco marketplaces nacionais e internacionais.
“Estamos em negociações para que, no início de 2026, estejamos presentes em mais dois marketplaces”, refere Jorge Silva, explicando que, de momento, o site da Megapeças está a potenciar mais vendas do que qualquer dos marketplaces onde está presente. “Vamos apostar mais no marketing digital no futuro, mas é muito importante ter as nossas vendas diversificadas pelo nosso site e por outros marketplaces, para não dependermos apenas de uma plataforma externa”, explica, referindo também que “o nosso interesse passa sempre por dinamizar o mais possível a venda de peças usadas através do nosso próprio site”.

Com vendas efetuadas para muitos países a nível mundial, os principais mercados da Megapeças, para além de Portugal, são França, Alemanha, Itália e Espanha. “As vendas para estes mercados têm também muito a ver com os carros que nós desmantelamos, muitos deles vindos de França, já que apostamos muito em ter um stock de peças usadas diferenciado”, revela Jorge Silva.

Neste momento, a Megapeças tem cerca de 53.000 peças usadas em stock (mais de 90% estão codificadas em prateleira e prontas a ser entregues ao cliente). Segundo dados da ATENA, a Megapeças é neste momento um dos centros de abate de veículos com um dos maiores tickets médios de venda (o que também se deve à aposta em peças usadas diferenciadas), sendo também das entidades em que a taxa de devolução é menor, “o que tem muito a ver com o trabalho que é feito na correta catalogação, o que evita vendas falhadas”, conclui Jorge Silva.

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