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Um em cada 14 carros usados em Portugal apresenta sinais de uso intensivo

26 Agosto, 2026

Uma análise da Carvertical concluiu que 7,1% dos veículos verificados em Portugal entre 2025 e 2026 apresentam sinais de utilização intensiva, um indicador que pode revelar um desgaste superior ao esperado pelos compradores de automóveis usados.

O estudo considera como utilização intensiva os casos em que o veículo ultrapassa os 36 mil quilómetros anuais, ou 3000 quilómetros mensais.

A quilometragem é um dos principais critérios utilizados na escolha de um automóvel usado, mas a análise alerta para a importância de perceber também em quanto tempo essa quilometragem foi acumulada. Alguns veículos podem ter sido utilizados como táxis, veículos de aluguer, em serviços de entregas, transporte ou outras atividades profissionais, podendo apresentar um desgaste significativo apesar de manterem uma aparência semelhante à de um automóvel particular.

Os veículos sujeitos a utilização intensiva podem apresentar maior desgaste nos travões, suspensão, componentes da direção, motor, transmissão e embraiagem, bem como em elementos do habitáculo, como bancos, puxadores das portas, pedais, volante e acabamentos interiores. A utilização em ambientes urbanos, com acelerações e travagens frequentes, paragens com o motor a funcionar e trajetos curtos, pode contribuir para esse desgaste.

Entre os modelos analisados em Portugal, o Peugeot 5008 foi o que apresentou a maior proporção de veículos com utilização intensiva, com 24,2% a ultrapassarem o limite de 36 mil quilómetros anuais. Seguiram-se o Peugeot 2008, com 23,1%, o Peugeot 308, com 14,3%, o Mercedes-benz C-class, com 14,1%, e o Mercedes-benz E-class, com 13,7%. Estes modelos são também utilizados para fins profissionais devido ao conforto, eficiência e capacidade de circulação intensiva.

A análise alerta ainda para a dificuldade em identificar o passado profissional de alguns automóveis quando estes chegam ao mercado de usados. Veículos utilizados em aluguer, serviços de transporte, partilha de automóvel ou viagens de negócios podem não apresentar diferenças visíveis relativamente a outros veículos de passageiros.

“Se um veículo relativamente novo tem uma quilometragem estranhamente elevada, é muito provável que tenha pertencido a uma frota de empresa ou sido utilizado para Tvde, serviços de entregas ou outros serviços. Os compradores não se devem deixar levar por uma aparência cuidada ou apenas pelo preço. É imperativo inspecionar o veículo de forma exaustiva numa oficina, pois pode vir a precisar de reparações custosas a curto prazo”, explicou Matas Buzelis, especialista em mercado automóvel da carvertical.

Ricardo Silva, diretor comercial da Autoline, salientou que o principal risco associado a um veículo com muita utilização não está apenas no número de quilómetros, mas também na forma como estes foram realizados e na manutenção recebida pelo automóvel. Um veículo com quilometragem elevada, mas sujeito a manutenção regular e utilizado sobretudo em autoestradas, pode, segundo Silva, estar em melhor estado do que outro com metade da quilometragem, mas com manutenção deficiente ou utilização mais exigente.

“Nem sempre é possível identificar um veículo que sofreu um uso intensivo apenas através de uma inspeção visual. O desgaste do volante, dos bancos, dos pedais ou de outros componentes do habitáculo pode dar algumas pistas, mas muitas destas peças podem ser facilmente substituídas ou renovadas. Por isso, é essencial consultar o histórico de manutenção do veículo, verificar a documentação, realizar um diagnóstico eletrónico e, sempre que possível, pedir a um profissional independente que inspecione a viatura”, salientou Silva.

A identificação do histórico de utilização pode ser particularmente difícil no caso de veículos importados. Entre os automóveis com registo de táxi detetados pela carvertical, uma parte significativa era proveniente de outros países, o que sugere que alguns veículos podem ter tido uma utilização profissional exigente antes de serem colocados à venda como automóveis usados comuns.

A ausência de partilha sistemática de dados automóveis entre países dificulta a reconstrução do percurso de alguns veículos. “O comércio transfronteiriço dificulta a identificação dos riscos do uso intensivo. Um automóvel pode ter sido usado de forma intensiva num país, aparecendo posteriormente noutro mercado como um veículo usado normal. Uma vez que os dados históricos não viajam com o veículo, os compradores têm de escolher com base na aparência, no preço e na leitura da quilometragem, o que é francamente insuficiente”, afirmou Buzelis.

O estudo da Carvertical analisou relatórios históricos de veículos adquiridos pelos utilizadores da empresa entre janeiro de 2025 e maio de 2026. Os veículos com utilização intensiva foram agrupados por fabricante e modelo, convertidos em percentagens e classificados em conformidade.

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