O quinto painel do Congresso Pós-Venda Ibéria 2026 falou-se de talento e da retenção do mesmo nas oficinas. O tema central foi a crescente dificuldade do setor automóvel em atrair, qualificar e reter talento, num contexto de envelhecimento da força de trabalho e mudança das expectativas das novas gerações.
Na sua apresentação, Daniel Lorenzo Fernández, Director de Relações Externas da Randstad Espanha, identificou o défice de talento como um dos maiores desafios atuais do setor. Apesar da existência de desemprego, muitas empresas continuam a ter dificuldade em preencher vagas, realidade que se repete diariamente nas oficinas e restantes empresas da cadeia automóvel.
Outro dos problemas destacados foi o absentismo, que tem registado um forte crescimento. Segundo Daniel Lorenzo Fernández, Espanha apresenta uma das taxas mais elevadas de absentismo na Europa, com impacto direto na produtividade e na organização das empresas.
A escassez de profissionais resulta também de um desajustamento entre a formação disponível e as necessidades concretas das empresas. O responsável da Randstad chamou a atenção para a falta de qualificações intermédias, particularmente relevantes em profissões técnicas, como as ligadas à eletromecânica e à reparação automóvel. Segundo os dados apresentados, 21,3% da população espanhola apresenta níveis de qualificação baixos (em Portugal é de 11,4%).
O envelhecimento da população ativa surge como outro desafio estrutural. Daniel Lorenzo Fernández destacou que, por cada trabalhador que se deverá reformar nos próximos anos, haverá apenas cerca de 0,75 pessoas disponíveis para o substituir, evidenciando as dificuldades de renovação geracional.
No setor automóvel, este problema é particularmente relevante: 45% dos trabalhadores têm mais de 45 anos, o que aumenta a urgência de atrair jovens para profissões técnicas e criar percursos de carreira capazes de assegurar a renovação das equipas.
A solução passa, segundo o responsável da Randstad, por tornar as empresas mais atrativas enquanto empregadoras. Não basta procurar trabalhadores: é necessário construir uma verdadeira proposta de valor para o colaborador, capaz de responder às prioridades das novas gerações.
Entre os fatores mais valorizados pela Geração Z, Daniel Lorenzo Fernández destacou o salário, a segurança laboral, a conciliação entre vida profissional e pessoal e as oportunidades de desenvolvimento de carreira. As empresas terão, por isso, de perceber melhor aquilo que os jovens procuram e comunicar de forma clara o que podem oferecer.
A principal mensagem da apresentação foi que o desafio do talento já não pode ser tratado apenas como uma questão de recrutamento. Para assegurar o futuro do setor, será necessário combinar formação, retenção, progressão profissional, melhores condições de trabalho e uma proposta de valor mais atrativa para as novas gerações.
Na mesa-redonda participaram Elena Bermúdez, Gerente da Irmas Bermúdez, Javier Priego del Hoyo, Gerente do Grupo Torrejón, Sandra Ramos da Carglass, e María Isabel Pellón Esteban, Diretora do SEPE Madrid.
O debate centrou-se na dificuldade crescente em atrair jovens para o mercado de trabalho e garantir a renovação das equipas, um problema que não é exclusivo de Espanha e que se repete noutros países europeus. Foi referido, por exemplo, que mercados como a Alemanha começaram há vários anos a desenvolver iniciativas específicas para responder a esta escassez, enquanto em Espanha estas soluções começam agora a ganhar maior expressão.
Um dos pontos abordados foi precisamente a necessidade de criar mecanismos que aproximem os jovens, as empresas e as entidades de emprego, permitindo conhecer melhor as expectativas das novas gerações e criar percursos de entrada no mercado mais ajustados às necessidades reais das empresas.
Foram ainda referidos estudos e iniciativas internacionais dedicados à análise do emprego jovem e das dificuldades de integração no mercado de trabalho, procurando comparar diferentes realidades nacionais e perceber que medidas podem ser replicadas ou adaptadas a Espanha.
A principal mensagem que é possível retirar da gravação é que a falta de talento exige uma resposta coordenada entre empresas, serviços públicos de emprego e sistema de formação. O desafio não passa apenas por encontrar candidatos, mas por tornar as profissões mais atrativas, facilitar a entrada dos jovens no mercado e criar condições para que permaneçam e desenvolvam uma carreira no setor.
Neste caso, a gravação está demasiado curta para distinguir com segurança as intervenções individuais de Elena Bermúdez, Javier Priego, Sandra Ramos e María Isabel Pellón. Se tiveres uma versão mais completa do áudio ou outra gravação deste painel, consigo fazer um resumo muito mais rico e atribuir os principais pontos a cada participante.













