Os carros usados importados apresentam um risco significativamente superior de terem sofrido danos anteriores em comparação com os veículos nacionais, segundo uma análise da carVertical.
Os dados revelam que 55,4% dos veículos importados verificados em Portugal entre janeiro de 2025 e março de 2026 tinham registos de danos, enquanto essa proporção se situava nos 25,3% entre os carros usados nacionais. Isto significa que os veículos importados têm 2,2 vezes mais probabilidades de apresentar um histórico de danos.
O estudo indica ainda que mais de metade dos carros analisados em Portugal, concretamente 56,5%, foram importados, evidenciando a forte dependência do mercado nacional em relação aos veículos provenientes do estrangeiro. Esta realidade aumenta a exposição dos compradores a potenciais riscos associados à falta de informação sobre o histórico dos automóveis.
Paralelamente, um inquérito realizado pela empresa junto de 14 mil condutores de 22 países europeus mostra que a transparência é uma das principais preocupações dos consumidores. Cerca de 92,2% dos inquiridos consideram que os vendedores devem divulgar qualquer acidente ou sinistro anterior do veículo. Além disso, 75,6% afirmaram que preferem adquirir um automóvel sem histórico de danos, enquanto apenas 9,6% apontaram o preço como o critério mais importante na decisão de compra.
“Os países têm leis de proteção de dados diferentes. Ao não existir um sistema unificado que garanta que o histórico de um carro importado esteja acessível a todos os condutores, a qualidade dos veículos usados sofre. Ao importar um carro para outro país, o histórico do veículo é muitas vezes reiniciado: os defeitos são ocultados e a quilometragem é adulterada”, afirmou Matas Buzelis, especialista em mercado automóvel da carVertical.
A empresa alerta ainda para o facto de os veículos importados apresentarem também maior propensão para fraudes relacionadas com a quilometragem. Segundo os dados analisados, estes automóveis podem ser entre duas e cinco vezes mais suscetíveis a adulterações do conta-quilómetros do que os veículos nacionais.
O estudo concluiu igualmente que 60,7% dos condutores não comprariam um automóvel que tivesse sofrido um acidente grave, mesmo que apresentasse um estado visual aparentemente perfeito. Por outro lado, 63,9% disseram estar dispostos a pagar mais por um veículo caso tivessem garantias de que nunca esteve envolvido em acidentes. Para 86,7% dos inquiridos, a gravidade dos danos anteriores é um fator extremamente importante na avaliação de um carro usado.
“Os carros importados são sempre uma compra mais arriscada. Particulares e empresas envolvidos no comércio automóvel compram frequentemente veículos sinistrados e reparam-nos da forma mais barata possível para os voltar a vender. A alta proporção de danos entre veículos importados significa que o risco de adquirir um carro com defeito está longe de ser negligenciável”, afirmou Buzelis.












