O setor da reparação automóvel em Portugal continua a enfrentar dificuldades na contratação de mão de obra qualificada, apesar de os operadores revelarem uma perceção globalmente positiva sobre os resultados da atividade. Os dados do Inquérito Conjuntura 2025, promovido pela ANECRA, mostram que 64% das empresas admitem ter falta de trabalhadores e que metade dos inquiridos identifica a escassez de pessoal habilitado como a principal dificuldade da atividade.
O estudo, realizado com uma amostra de 212 empresas, revela que a mecânica continua a dominar o setor, estando presente em 97% dos operadores, seguida do ar condicionado, com 57%, e da bate-chapa, com 49%. A reparação de veículos ligeiros representa 98% da atividade das oficinas inquiridas.
A idade média dos trabalhadores varia entre os 40 anos na mecânica e os 45 anos nas áreas de chapa e pintura. Entre as empresas que admitem falta de mão de obra, a necessidade mediana é de dois trabalhadores por empresa. O estudo indica ainda que 32% das empresas empregam trabalhadores estrangeiros, também com uma mediana de dois trabalhadores por oficina.
Ao nível económico, o preço-hora médio sem IVA aumentou de 33,12 euros no final de 2024 para 35,82 euros previstos para o final de 2025. Cerca de 74% das empresas afirmam já ter aumentado ou pretender aumentar os preços, quando no ano anterior essa intenção era manifestada por 57% dos operadores.
A faturação mediana anual das empresas inquiridas situou-se nos 241 mil euros, sendo que 60% desse valor corresponde a vendas a particulares. A faixa de faturação mensal mais representativa é entre 10 mil e 25 mil euros, abrangendo 28% das empresas.
Os veículos elétricos ganharam maior expressão na atividade das oficinas. Segundo o inquérito, os elétricos representam, em média, 7% dos veículos reparados e 6% da faturação total das empresas. O preço-hora médio aplicado neste segmento atinge os 48 euros.
O estudo mostra ainda que 57% das empresas operam com taxas de ocupação superiores a 75% e que 86% classificam os seus resultados como bons, enquanto 8% consideram-nos muito bons.
Quanto à continuidade das empresas, mais de metade dos empresários admite não saber qual será o futuro do negócio, enquanto 67 indicam que a continuidade ficará assegurada por familiares e 23 admitem vender a empresa.
















