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Sustentabilidade e peças usadas são grandes desafios do pós-venda

O segundo painel do Congresso Pós-Venda Ibéria 2026 abordou o tema da sustentabilidade no pós-venda, como também da nova regulamentação que tem a ver com a circularidade relacionada com o tema das peças auto.

A intervenção começou com a apresentação de Manuel Kindelan, Director Geral da SIGRAUTO, que teve como foco a ligação entre sustentabilidade, economia circular e o futuro da pós-venda automóvel.

Manuel Kindelan destacou que a sustentabilidade está hoje profundamente ligada à economia circular, cujo objetivo passa por maximizar a utilização dos recursos, reduzir resíduos e prolongar o ciclo de vida dos materiais e componentes. Para o responsável, sustentabilidade não significa apenas consumir menos recursos, mas sobretudo utilizá-los de forma mais eficiente ao longo de todo o ciclo de vida do veículo.

Uma parte importante da apresentação incidiu sobre a nova regulamentação europeia relativa à circularidade dos veículos. Segundo Manuel Kindelan, as novas regras irão obrigar os fabricantes a pensar a sustentabilidade desde a fase de conceção e ecodesign, facilitando a desmontagem, reparação e recuperação de componentes, com especial atenção às baterias e motores elétricos.

A nova legislação deverá também reforçar a obrigação de os fabricantes disponibilizarem informação técnica relevante, não apenas para o tratamento dos veículos em fim de vida, mas também para a própria pós-venda e reparação. Está igualmente prevista uma maior rastreabilidade dos componentes e a criação de mecanismos de identificação e informação sobre as peças recuperadas.

Outro dos aspetos destacados foi o crescente protagonismo das peças usadas, recuperadas, recondicionadas e remanufaturadas. A regulamentação pretende incentivar a sua utilização e criar condições para que estas peças integrem cada vez mais os processos de reparação, desde que sejam garantidas condições de qualidade, segurança, rastreabilidade e durabilidade.

Manuel Kindelan sublinhou ainda que Espanha (tal como Portugal) parte de uma posição relativamente favorável, uma vez que o abate definitivo de um veículo está ligado à sua entrega num centro autorizado de tratamento, que assegura a descontaminação, recuperação dos componentes e tramitação administrativa do abate. Este sistema permite também um maior controlo sobre o destino dos veículos e reduz o risco de desaparecimento do circuito legal.

A mensagem central da intervenção foi, assim, a de que a sustentabilidade vai alterar toda a cadeia de valor automóvel: desde a forma como os veículos são concebidos até à maneira como são reparados e tratados no final da sua vida útil. Para a pós-venda, isso significa uma importância crescente da reparação responsável, da reutilização de peças, da informação técnica e da circularidade dos materiais.

Na mesa-redonda que se seguiu participaram Roberto Hernández da Zurich España, David Enfedaque, responsável pós-venda da SEAT e CUPRA, Mariana Martins da B-Parts, e Xavi Pegueroles da PPG. O painel centrou-se sobretudo na sustentabilidade aplicada à reparação, reutilização de peças, rentabilidade das oficinas e necessidade de tornar a economia circular operacional no aftermarket.

O debate partiu dos principais desafios e oportunidades associados à sustentabilidade no setor automóvel, com os participantes a defenderem que a transição para modelos mais circulares só terá verdadeiro impacto se conseguir conciliar benefícios ambientais com eficiência operacional e viabilidade económica para todos os intervenientes da cadeia.

A reutilização de peças originais usadas foi um dos temas em destaque. Foi sublinhada a necessidade de reduzir a incerteza que ainda existe no mercado relativamente a este tipo de componentes, garantindo redes de fornecedores controladas e critérios exigentes de qualidade. A confiança no produto surge, assim, como condição essencial para aumentar a sua utilização pelas oficinas e pelos clientes.

O painel destacou também a importância de tornar a utilização destas peças simples para a oficina. Uma peça original usada, quando devidamente identificada, verificada e fornecida através de uma rede de confiança, deve chegar ao reparador em condições de ser instalada sem aumentar a complexidade da operação. A redução de tempos de processo e de possíveis reclamações foi apontada como essencial para a aceitação destas soluções.

Outro tema abordado foi o papel da tecnologia e das novas ferramentas de apoio à oficina ao nível das peças usadas, capazes de melhorar a eficiência dos processos de reparação e apoiar decisões mais rápidas. A digitalização foi apresentada não apenas como instrumento de gestão, mas também como uma forma de reduzir desperdícios e tornar a atividade mais eficiente do ponto de vista energético e operacional.

A discussão colocou ainda a questão económica no centro da sustentabilidade. Os participantes defenderam que uma solução ambientalmente mais favorável tem também de ser rentável para seguradoras, oficinas, fornecedores e clientes. A utilização de peças reutilizadas ou outras alternativas circulares ganha particular relevância quando permite reduzir substancialmente o custo face a uma peça nova, sem comprometer a qualidade da reparação.

A redução das emissões de CO₂ foi igualmente referida como um objetivo que não pode ser analisado isoladamente. Para os participantes, a sustentabilidade exige uma visão global do processo de reparação, considerando a origem dos componentes, o consumo de energia, os processos utilizados e a própria eficiência da oficina.

A mensagem central do painel foi, assim, a de que a economia circular tem de passar da teoria ainda mais à prática. Para isso, será necessário reforçar a confiança nas peças reutilizadas, criar processos mais simples para as oficinas, recorrer a ferramentas mais eficientes e, sobretudo, assegurar que as soluções sustentáveis são também economicamente viáveis para toda a cadeia da pós-venda.

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