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“O setor dos lubrificantes vive hoje uma realidade em que a gestão da cadeia de abastecimento se tornou tão importante quanto a qualidade do produto”, Rui Mesquita, RMOIL

A crescente tensão no Estreito de Ormuz está a gerar preocupação em vários setores dependentes do petróleo e das cadeias logísticas internacionais, e o mercado dos lubrificantes não é exceção. A possibilidade de perturbações no abastecimento, aumentos nos custos das matérias-primas e pressão sobre os preços finais coloca distribuidores, oficinas e fabricantes em estado de alerta. Para perceber de que forma esta situação poderá afetar Portugal nos próximos meses, fomos ouvir Rui Mesquita, da RMOIL.

De que forma a situação no Estreito de Ormuz poderá impactar o mercado de lubrificantes em Portugal nos próximos meses?

A situação no Estreito de Ormuz poderá ter um impacto significativo no mercado de lubrificantes em Portugal nos próximos meses, sobretudo ao nível dos custos logísticos, volatilidade das matérias-primas como o preço do petróleo e pressão sobre os preços finais como o aumento também do preço das bases lubrificantes e aditivos; maior pressão sobre os custos de transporte e possíveis atrasos no abastecimento de determinados produtos e matérias-primas. Apesar da incerteza, o mercado português “deverá” manter-se resiliente. No entanto, os próximos meses exigirão gestão estratégica, capacidade de adaptação e forte proximidade entre marcas, distribuidores e clientes profissionais.

Quando poderá começar a notar-se um impacto na disponibilidade de produto em Portugal?

O impacto na disponibilidade de lubrificantes em Portugal poderá começar a sentir-se num prazo relativamente curto, dependendo da evolução da tensão no Estreito de Ormuz e da duração de eventuais perturbações logísticas. Num cenário de agravamento da situação, os primeiros efeitos poderão surgir já entre 3 a 6 semanas, sobretudo em produtos mais dependentes de importação de bases e aditivos provenientes do Médio Oriente ou da Ásia. Inicialmente, o mercado tende a sentir maior pressão nos preços e nos prazos de entrega antes de ocorrer uma rutura efetiva de stock. Caso a instabilidade se prolongue por vários meses, poderão surgir atrasos no reabastecimento de determinadas gamas de lubrificantes como já acontece em algumas marcas a operar em portugal, limitação temporária de volumes por parte de fabricantes; aumento dos custos; e muito provavél a necessidade de substituição de referências ou reformulações. Para Portugal, eu acho que o risco é parcialmente mitigado pela existência de produção europeia e pela capacidade de alguns fabricantes internacionais como a IGOL, redistribuírem abastecimentos entre regiões. Ainda assim, os operadores com menor capacidade de stock poderão sentir essa maior pressão, mas que não é o nosso caso.

Espera-se um aumento de preço dos produtos? Se sim, qual poderá ser a dimensão desse impacto?

Sem dúvida que sim, é expectável que exista ainda mais subida gradual dos preços dos lubrificantes caso a tensão continue ou se agrave nas próximas semanas, com revisão de tabelas de preços mensais por parte dos fabricantes de lubrificantes. O mercado dos lubrificantes está diretamente ligado ao comportamento do petróleo bruto, das bases lubrificantes e dos custos energéticos globais. Sempre que o Brent sobe de forma acentuada, toda a cadeia industrial acaba por sofrer pressão — desde a produção até ao transporte e distribuição. Neste momento, penso e admito que cenários acima dos 150 dólares por barril de petróleo, caso ocorram bloqueios prolongados ou perturbações no tráfego marítimo da região, o impacto poderá ser ainda pior se a situação persistir durante o verão, que o mercado comece a refletir aumentos ainda mais visíveis nos próximos meses. Para a RMOIL, o foco estará cada vez mais na capacidade de antecipação, gestão rigorosa de stocks e estabilidade nas parcerias que temos.

Que medidas estão a ser tomadas pela vossa empresa para garantir a continuidade do abastecimento aos clientes?

Na RMOIL, a prioridade é garantir estabilidade, previsibilidade e continuidade operacional aos nossos parceiros, mesmo num contexto internacional de elevada volatilidade. Perante esta situação que vivemos, estamos a atuar em várias frentes estratégicas: o reforço preventivo de stocks em referências críticas, articulação permanente com a  IGOL e restantes parceiros de negócio, e não menos importante um melhor planeamento antecipado de todas as compras. O nosso objetivo é minimizar impactos nos prazos de entrega e garantir que os nossos parceiros como as oficinas, frotas e clientes profissionais continuem a operar com a maior normalidade possível. O setor dos lubrificantes vive hoje uma realidade em que a gestão da cadeia de abastecimento se tornou tão importante quanto a qualidade do produto. Na RMOIL temos conseguido antecipar alguns cenários, e temos mantido a capacidade de stock e responder rapidamente às mudanças do mercado, para enfrentar este tipo de crise até ver..! Apesar da tensão internacional, acreditamos que vamos continuar abastecidos, embora com maior pressão sobre os preços, custos e logística nos próximos meses.

Que recomendações fazem aos distribuidores e oficinas neste contexto?

Neste contexto de incerteza e possível pressão sobre a cadeia de abastecimento, a principal recomendação para os nossos distribuidores e oficinas é a antecipação e planeamento das suas necessidades. O mercado poderá entrar num período de maior volatilidade, não apenas ao nível dos preços, mas também na disponibilidade de determinadas referências de lubrificantes como já falado atrás, por isso, é importante adotar uma gestão mais estratégica do stock e das compras como: Reforçarem os stocks mínimos de produtos com maior rotação, evitarem efetuar compras exclusivamente reativas ou de última hora, trabalhar se possível com marcas e parceiros com capacidade logística sólida como é a RMOIL e a IGOL, apostarem em produtos premium e de maior durabilidade, que ajudam a otimizar os custos operacionais, e a melhorar o planeamento de manutenção dos veículos dos seus clientes.

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