Ver todas

Back

“Mais do que o preço, trabalhar com parceiros que possam garantir a continuidade de fornecimento a médio prazo será o mais importante”, Francisco Javier Tejedor de Pablo, Valvoline

A crescente instabilidade no Estreito de Ormuz está a gerar preocupação no setor dos lubrificantes, com receios de aumentos de preços, constrangimentos logísticos e eventuais ruturas no abastecimento. Francisco Javier Tejedor de Pablo, da Valvoline, alerta para um impacto potencialmente sem precedentes nos próximos meses, sublinhando que a capacidade de garantir matérias-primas será decisiva para assegurar a continuidade do fornecimento ao mercado português.

De que forma a situação no Estreito de Ormuz poderá impactar o mercado de lubrificantes em Portugal nos próximos meses?
A instabilidade no Estreito de Ormuz afeta diretamente as rotas globais de abastecimento de matérias primas necessárias ao fabrico de lubrificantes, desde o produto em si até às embalagens, maioritariamente derivados do petróleo. Temos como resultados uma grande volatilidade no preço do crude e um aumento súbito da procura por estes materiais no mercado, causando inevitavelmente um aumento dos preços. Em resumo, a situação está a pressionar seriamente os custos de produção à escala global. Somando os aumentos dos custos logisticos, teremos certamente um forte aumento de preços generalizado nos próximos meses e prevemos também possiveis situações de escassez, que irão afectar de forma mais ou menos grave as diferentes marcas que actuam no mercado, dependendo da a sua capacidade de garantir matérias primas para produzir e fornecer continuamente as suas redes de distribuição.

Quando poderá começar a notar-se um impacto na disponibilidade de produto em Portugal?
O impacto na disponibilidade depende do volume dos stocks de segurança e da capacidade dos diferentes players de garantirem matérias primas. No geral, se os bloqueios ou desvios de rotas se prolongarem, a situação não irá melhorar, podendo afectar principalmente produtos mais específicos. Acreditamos porém que a magnitude de possiveis problemas de escassez não se aplicará de forma igual a todas as marcas de lubrificantes no mercado, uma vez que a capacidade de garantir matérias primas também varia bastante.

Espera-se um aumento de preço dos produtos? Se sim, qual poderá ser a dimensão desse impacto?
Sim, inevitavelmente. A dimensão exata dependerá da duração da crise. Contudo, até ao momento os impactos são já muito consideráveis e sem precedentes, pelo menos nos últimos largos anos.

Que medidas estão a ser tomadas pela vossa empresa para garantir a continuidade do abastecimento aos clientes?
A Valvoline, sendo uma das marcas lideres a nivel mundial no mercado de lubrificantes, tem tido até ao momento a capacidade de garantir recursos junto dos seus habituais fornecedores de matérias primas. Por outro lado, estamos a diversificar ativamente as nossas fontes de aprovisionamento e a reforçar os stocks de segurança. No geral, acreditamos estar numa boa posição de forma a sermos capazes de continuar a produzir e a fornecer as nossas cadeias de distribuição, o que nesta fase é absolutamente a nossa prioridade. No entanto, não somos imunes ao ambiente externo e é sempre possivel que no caso de produtos mais específicos possam surgir alguns constrangimentos pontuais.

Que recomendações fazem aos distribuidores e oficinas neste contexto?
Aos distribuidores recomendamos um planeamento ainda mais cuidado que o habitual, se possivel antecipando as necessidades de stock a curto-médio prazo, mitigando ao máximo a exposição a problemas de disponibilidade. Às oficinas a mensagem é semelhante, sabemos que nesta fase irá existir uma grande volatilidade de preços, stocks a preço antigo e a novo preço, no entanto, acreditamos que neste momento, mais do que o preço, trabalhar com parceiros que possam garantir a continuidade de fornecimento a médio prazo será o mais importante.

PALAVRAS-CHAVE