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ACE lança campanha “We Drive EU” em defesa do aftermarket

30 Junho, 2026

A Automotive Coalition for Europe (ACE), do qual a FIGIEFA (e outras entidades) fazem parte, lançou oficialmente a campanha pan-europeia de sensibilização “We Drive EU”, uma iniciativa que pretende reforçar o reconhecimento do aftermarket automóvel como um pilar estratégico para o futuro industrial da Europa.

Promovida num evento de alto nível que reuniu decisores políticos, líderes da indústria e representantes do sector, a campanha surge num momento particularmente relevante para a agenda europeia da política automóvel e industrial. O objectivo passa por demonstrar o papel essencial do aftermarket na competitividade, resiliência, sustentabilidade e coesão social da União Europeia.

Sylvia Gotzen, Chief Executive da FIGIEFA, destacou o peso económico do sector, recordando que o aftermarket automóvel representa um mercado de 236 mil milhões de euros em peças e mão de obra, assegura a manutenção de mais de 285 milhões de veículos em circulação na Europa e suporta 3,2 milhões de empregos, bem como cerca de 900 mil empresas em todo o continente.

Ao longo da conferência, foi sublinhado que um aftermarket forte e inovador é indispensável para a solidez industrial europeia. Ao permitir a manutenção, reparação e atualização dos veículos ao longo de todo o seu ciclo de vida, o sector contribui para a inovação, para a concorrência e para o funcionamento equilibrado de todo o ecossistema automóvel.

A concorrência foi, aliás, um dos temas centrais do encontro. Stéphane Antiglio, presidente da Parts Holding Europe, defendeu a importância do MVBER, regulamento considerado essencial para assegurar um mercado competitivo, sublinhando a necessidade de este ser mantido e revisto de forma a acompanhar a evolução tecnológica.

A sustentabilidade mereceu igualmente destaque. Através da reparação, reutilização e remanufactura, o aftermarket contribui directamente para prolongar a vida útil dos veículos, reduzir desperdícios e emissões e apoiar os objetivos europeus de economia circular e neutralidade climática. Neste contexto, Paulius Saudargas, membro do Parlamento Europeu pelo Grupo PPE, defendeu que não se deve declarar prematuramente o fim de vida de veículos que ainda podem ser reparados, acrescentando que, com a evolução dos veículos definidos por software, a interoperabilidade e a normalização serão cada vez mais importantes.

Outro dos pontos em evidência foi a resiliência do sector. Durante as crises recentes, o aftermarket automóvel garantiu a continuidade de serviços essenciais, da logística e das cadeias de abastecimento, mantendo a mobilidade europeia em funcionamento. Com capacidade para fornecer componentes para mais de 47 mil marcas e modelos de veículos, o sector assume um papel fundamental para garantir mobilidade em qualquer ponto da Europa.

Dr. Mark Nicklas, responsável pela Unidade Automotive, Mobility Industries da DG GROW, na Comissão Europeia, referiu que as políticas europeias para o sector automóvel deverão apoiar a competitividade e a resiliência de todo o ecossistema, reconhecendo também o papel do aftermarket na disponibilização de veículos seguros, sustentáveis e acessíveis aos consumidores.

A importância do aftermarket independente para as economias locais foi igualmente destacada, nomeadamente através da sua rede de PME, distribuidores e oficinas, que garante emprego, desenvolvimento regional e acesso à mobilidade tanto em zonas urbanas como rurais ou remotas.

Neste domínio, Léa Dégardin, directora de Assuntos Europeus da Mobivia, defendeu que a mobilidade na Europa não funcionaria sem o aftermarket independente, sublinhando a necessidade de assegurar o direito à reparação dos veículos. Também Thomas Aukamm, Managing Director da AIRC, alertou para a crescente dependência das reparações modernas relativamente ao acesso à informação técnica dos construtores, aos dados dos veículos, à codificação de peças e aos sistemas de baterias.

Com 82% das viagens terrestres de passageiros na Europa realizadas de automóvel, os participantes reforçaram a importância de manter a mobilidade acessível para cidadãos e empresas. Um aftermarket competitivo permite preservar a liberdade de escolha dos consumidores e assegurar custos justos de reparação e manutenção, beneficiando também outros operadores do sector da mobilidade, como as seguradoras.

A campanha “We Drive EU” pretende, assim, garantir que o aftermarket automóvel é plenamente integrado na formulação das políticas europeias, incluindo na implementação do Automotive Industrial Action Plan e nas iniciativas legislativas em curso.

A Automotive Coalition for Europe apelou às instituições europeias para que adoptem uma abordagem baseada em todo o ciclo de vida do veículo, reconhecendo que os objetivos de competitividade e sustentabilidade da Europa não poderão ser alcançados apenas através da produção automóvel, mas também através do ecossistema que mantém os veículos em circulação.

Pierre Thibaudat, director-geral da ADPA, concluiu que o futuro automóvel da Europa não será assegurado apenas pela produção, mas por toda a cadeia de valor, na qual o aftermarket automóvel assume um papel determinante.

Segue a campanha “We Drive EU” no Linkedin e no website.

 

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