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4.º À CONVERSA COM AS OFICINAS

10 Março, 2020
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O “À Conversa com as Oficinas” foi desta vez a Viseu, conhecer as dificuldades e oportunidades das oficinas da região.

ENTREVISTA PAULO HOMEM E NÁDIA CONCEIÇÃO

A Phaarmpeças recebeu a 4.ª edição do “À Conversa com as Oficinas”, tendo juntado 10 responsáveis oficinais numa interessante partilha nas suas instalações, em que foram discutidos os principais problemas, oportunidades e preocupações das oficinas que estiveram presentes.

DIFICULDADES
David Brito, da oficina Autobrito, localizada na zona de Tábua e que se especializa em serviços de mecânica geral e pneus, indica a falta de mão-de-obra como o principal problema que encontra no dia-a-dia das oficinas da região, opinião partilhada por todos os participantes. “A mão-de-obra é um grande problema neste momento, é muito difícil encontrarmos bons técnicos, porque há poucos jovens interessados em seguir esta profissão”. Para além da falta de mão-de-obra, David Brito indica também os problemas frequentes de liquidez por parte do cliente.

Avizinham-se ainda outros problemas no futuro, mas temos de nos ir preparando para eles, nomeadamente com tecnologia, devido à ausência de fichas OBD ou ao aparecimento dos veículos elétricos, por exemplo”. Manuel Costa, da Costa e Poças, oficina de Castro D´Aire focada em serviços de mecânica geral e pneus, destaca a dificuldade crescente em aceder à informação, que tem solucionado com o apoio de colegas de outras oficinas da região. Quanto à falta de mão-de-obra, Jorge Antunes, da Multifusível – oficina de mecânica e especialista em eletrónica, fundada em 2002 –, afirma que uma parte da culpa desta situação pode ser atribuída às escolas profissionais: “as escolas deveriam colocar os alunos mais frequentemente no terreno e dar-lhes mais responsabilidade, para melhor se prepararem para o mercado de trabalho. Em relação às oficinas, penso que valorizamos pouco a mão-de-obra, o valor hora praticado é muito baixo. Hoje em dia, para termos um serviço de qualidade, temos de acompanhar a tecnologia que está cada vez mais presente nos veículos, mas, para isso, temos de realizar grandes investimentos em novos equipamentos e informação técnica, e isso tem altos custos. Além disso, o cliente atual quer sempre um orçamento, ou, por vezes, entra na oficina já com uma ideia de resolução do problema e de valores, que consultou na Internet”. A carga fiscal e as crescentes exigências ambientais sãotambém outras dificuldades do dia-a-dia do negócio indicadas por Jorge Antunes.

“Hoje em dia, o que se assiste no mercado é que qualquer pessoa é mecânico, e aparecem-nos muitas avarias criadas porpresumíveis mecânicos, e os clientes aparecem-nos com problemas para resolver, causados por estes biscateiros”, indica José Ribeiro, da Mister Oficina. Por sua vez, Jorge Ferro, responsável da Fervilacar, oficina especializada em serviços de chapa e pintura, além de alguns serviços de mecânica, refere também a formação como um dos maiores problemas deste setor de atividade. “Noto que as escolas profissionais não se preocupam em motivar os alunos que enveredam por cursos relacionados com o setor da reparação automóvel”. José Ribeiro refere, no que diz respeito à formação, que “as escolas enviam mais os alunos para as oficinas de marca do que para as multimarca. O que os alunos trazem no final do curso são conhecimentos vagos. Há bons e maus profissionais a chegar ao mercado, embora seja raro encontrar bons profissionais. A profissão ainda é mal vista e os jovens não querem ir para esta área”.

GESTÃO
António Silva, da oficina Geração Garrida, localizada em Viseu, indica a importância de uma boa gestão e organização do negócio, assim como Nuno Marques, da Tecnirepairauto, oficina que, além de serviço a ligeiros, recebe também veículos pesados e máquinas agrícolas. Marco Fernandes, da Statusnível, oficina localizada na zona de Nelas, que, além da mecânica geral, realiza também serviço de pneus e de reboques, também é da opinião que a gestão é o mais importante para a continuidade do negócio oficinal.“Podemos trabalhar bem na oficina e fazer um serviço de qualidade, mas se não trabalharmos bem no escritório, na parte da gestão oficinal, o negócio não corre bem”.

Em relação à gestão, José Ribeiro indica também que esta tem de ser cada vez mais rigorosa. “A gestão tem de sercada vez mais eficiente. Até porque este é um negócio em que o cliente quer tudo o mais rápido possível e não quer esperar. Mas a nossa maior dificuldade atualmente é o acesso à informação técnica, que as marcas têm e nós não temos, e que é fundamental também para a continuidade do nosso negócio”. António Lages, da Tolages, oficina de Tondela, também indica como uma das maiores dificuldades a falta de compreensão por parte de alguns clientes. “Hoje em dia, o cliente não quer esperar, quer ficar sem o veículo o menor tempo possível e, além disso, já chega à oficina com preços que consultou na Internet, e quer que lhe seja feito esse valor. Mas temos custos fixos que influenciam o valor do serviço. O cliente pede sempre orçamentos, mas é algo muito difícil porque durante a reparação acontecem muitos imprevistos, e, por isso, o que se fazem são estimativas”. Para além destas dificuldades, Jorge Antunes, da Multifusível, acrescenta que “não há muita união no setor da reparação automóvel. As associações que existem neste setor não satisfazem as necessidades das oficinas”.

CUSTO DAS REPARAÇÕES
Com o aumento do valor de alguns componentes nos veículos mais recentes e o consequente aumento do custo das reparações para o cliente final, David Brito refere a importância de comunicar de forma transparente com o cliente: “Atualmente, qualquer veículo novo vem equipado com sistemas muito caros. O cliente tem de ter noção que ter um carro custa dinheiro e cabe-nos a nós, na Autobrito, elucidá-los disso. Ou fazemos manutenção preventiva, e o cliente aceita isso, ou então o veículo, passado algum tempo, deixa de estar em condições e irá ter cada vez mais problemas”. Manuel Costa refere que é importante fazer o melhor diagnóstico possível, por forma a dar logo ao cliente uma estimativa de custos ao cliente, e indica que, muitas vezes, na Costa e Poças, “o cliente pede peças usadas, quando a reparação é mais dispendiosa”. No caso da Morwagen, Jorge Santos indica que, no caso de trabalhos mais dispendiosos, é sempre dado um orçamento ao cliente, para que este esteja preparado para o valor da reparação antecipadamente. Jorge Antunes, da Multifusível lembra ainda a importância de se orçamentar bem um veículo e não fazer o orçamento “a olho”. Quanto à estimativa de custos, Marco Fernandes, da Statusnível, lembra que não é possível ter preço e qualidade simultaneamente. “Ou se aposta no preço, ou na qualidade”. Todos os responsáveis concordam com a importância de informar o cliente sobre os motivos pelos quais a reparação terá um custo elevado, explicando o tipo de intervenção que será feita. Caso o cliente queira trazer a peça para a reparação Jorge Santos aumenta o valor da mão-de-obra. “E não permitimos que o cliente o faça por sistema”, explica o responsável da Morwagen.

INFORMAÇÃO TÉCNICA
Quanto ao acesso à informação técnica, Jorge Antunes, indica que “a informação técnica mais pormenorizada tem de ser com a marca. Por vezes, também usamos a plataforma Autodata. A informação técnica é sempre muito importante no dia-a-dia, porque os veículos estão a evoluir muito. Hoje em dia, para se fazer um serviço de qualidade, temos de ter esse complemento na oficina. A informação técnica está escassa e é fundamental hoje em dia para se fazer um serviço de qualidade, mas tudo isto tem custos para as oficinas. O problema maior nas oficinas são os softwares dos veículos. Há muitas avarias que se resolvem com software, porque a marca desenvolve software para fazer algumas reparações. Quando nos aparecem, na Multifusível, esses problemas, só temos duas hipóteses: ou temos noção que somos capazes de o resolver, ou ter a humildade de dizer ao cliente que terá de ir à marca”.

Peças e ferramentas 
Jorge Ferro, indica também a dificuldade de, por vezes, não se encontrarem peças de carroçaria para algumas viaturas que chegam à Fervilarcar, o que acontece, inclusivamente, com viaturas recentes. “Estamos a passar por esta dificuldade. As marcas deixam de fabricar peças, mesmo em viaturas recentes. Já tivemos um caso destes com uma viatura com 8 anos, por exemplo”. António Silva, quando tem dúvidas na aplicação trabalha diretamente com a peça original nos veículos que chegam à Geração Garrida, para poder aceder à informação, “porque é mais fácil, caso necessite de apoio das origens. E nunca trabalhamos com material de fraca qualidade”.

No caso das ferramentas, cada vez mais técnicas e específicas, Nuno Marques refere que tenta comprar o máximo de ferramentas que lhe for possível para equipar da melhor forma a Tecnirepairauto. Quando precisa de uma ferramenta, opta por adquiri-la imediatamente e, quando não tem aquela que necessita, pede ajuda a um colega de outra oficina da zona. “Há esta interajuda entre algumas oficinas, o que nos ajuda a contornar alguns problemas que surgem”, acrescenta David Brito. E José Ribeiro adianta: “sem esta interajuda, seria impossível resolver alguns problemas que nos aparecem em alguns veículos na Mister Oficina”. E Nuno Marques acrescenta: “neste aspeto, a Phaarmpeças também é um grande apoio para as oficinas, porque consegue disponibilizar-nos algumas ferramentas rapidamente. Possuem algumas ferramentas que compararam especificamente para nos ceder quando é necessário, e isso é uma grande ajuda”. Marco Fernandes, da Statusnível, também evidencia o apoio que tem dos parceiros ao nível da eletrónica e colisão.

Peças usadas
No serviço de colisão da Fervilarcar, Jorge Ferro aposta frequentemente em material usado original. “A colisão é diferente das outras áreas. Na mecânica é raro apostarmos numa peça usada, mas na área da colisão apostamos muito nessa vertente das peças usadas originais. É uma especificidade deste negócio, que aumenta a margem de negociação e também a margem para a oficina. A área da pintura é a área onde se orçamenta mais. É uma área com bastante formação por parte das marcas”.

Já é uma preocupação na sua oficina o aumento do número de veículos elétricos e híbridos?

Marco Fernandes
STATUSNÍVEL
“De momento isso não me preocupa, porque na área geográfica da minha oficina ainda não é frequente aparecerem veículos deste tipo”.

Nuno Marques
TECNIREPAIRAUTO
”Possuo um veículo híbrido e um elétrico, nos quais vou fazendo testes. São as minhas cobaias, para ir realizando alguns testes. Na minha oficina, já recebi clientes com veículos elétricos. Estes veículos têm pouca manutenção, faz-se essencialmente mudança de pastilhas, óleo de travões, etc. E têm muito desgaste no óleo de travões. Já temos equipamento e ferramentas necessárias para trabalhar nestes veículos”.

José Ribeiro
MISTER OFICINA
“Ainda não há grande procura nesta zona, mas há a tendência para isso e por isso já recebemos formação nesta área”.

António Silva
GERAÇÃO GARRIDA
“Ainda não recebi este tipo de veículos na minha oficina, mas já realizei uma primeira fase de formação”.

Jorge Santos
MORWAGEN
“Este tema ainda não é uma preocupação. Talvez daqui a uns 5 ou 10 anos comece a ser uma realidade mais presente no nosso dia-a-dia”.

Para Manuel Costa
COSTA E POÇAS
“Para já é algo que não me preocupa. Quando chegar a altura, logo nos preocupamos com isso”.

Formação
José Ribeiro, da Mister Oficina, realiza formação na Phaarmpeças, no CEPRA e em outras entidades. Indica que falta formação de qualidade no mercado. “As marcas prestam boa formação, mas fora das marcas não é fácil encontrar formação de qualidade. Muitas vezes as oficinas fazem formação porque é obrigatória, mas nem sempre encontram formação de qualidade, acabam por fazer apenas porque é obrigatória”.

– Os temas de formação mais procurados por Marco Fernandes, da Statusnível, estão relacionados com a eletrónica. “Pretendo desenvolver mais a área de eletrónica, que é muito importante hoje em dia, é fundamental a formação em eletricidade básica, para se perceber de eletrónica. Procuramos muita informação nesta área. Além disso, também troco ideias com alguns colegas especialistas neste tema”.

4.º “À Conversa com as Oficinas”:

Parceiro
Phaarmpeças

Oficinas
David Brito – Autobrito
António Lages – Tolages
Manuel Costa -Costa e Poças
Jorge Santos – Morwagen
Jorge Antunes – Multifusível
Jorge Ferro – Fervilarcar
António Silva – Geração Garrida
José Ribeiro – Mister Oficina
Nuno Marques – Tecnirepairauto
Marco Fernandes – Statusnível

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