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Diesel continua a liderar fraude nos conta-quilómetros em Portugal

25 Maio, 2026

A Carvertical indica que a fraude nos conta-quilómetros continua a afetar o mercado português de automóveis usados, com os veículos a diesel a liderarem tanto em frequência como em dimensão das adulterações. No entanto, os veículos híbridos e elétricos também começam a registar casos de manipulação à medida que aumentam a sua presença nas estradas nacionais.

Um estudo da carVertical, que analisou relatórios de histórico automóvel entre janeiro de 2024 e março de 2026, concluiu que cerca de 4,6% dos veículos diesel inspecionados em Portugal apresentavam quilometragem adulterada, a percentagem mais elevada entre todos os tipos de combustível. Nos veículos a gasolina, a taxa situou-se nos 3,6%.

Segundo os dados analisados, os automóveis a gasóleo registam também as maiores reduções médias na quilometragem, com cerca de 99 mil quilómetros retirados dos conta-quilómetros. Nos veículos a gasolina, a redução média ronda os 74 mil quilómetros.

Os híbridos apresentaram uma taxa de fraude de 2,6%, com uma redução média de cerca de 57 mil quilómetros, enquanto os veículos elétricos registaram a menor incidência, com 1,9% dos automóveis analisados a apresentarem adulterações e uma redução média de aproximadamente 44 mil quilómetros.

“A procura por veículos híbridos e elétricos continua a crescer de forma constante e, com ela, o risco de fraudes nos conta-quilómetros. Até mesmo carros relativamente novos estão a ser adulterados, pelo que os compradores devem avaliar cuidadosamente o estado de qualquer veículo que pretendam adquirir. Comprar um carro com o conta-quilómetros falsificado pode implicar um aumento de preço de milhares de euros e causar problemas adicionais no planeamento da manutenção”, afirmou Matas Buzelis, especialista no mercado automóvel da carVertical.

Entre os veículos elétricos analisados, a Opel foi a marca com maior percentagem de discrepâncias na quilometragem, com 4,3%, seguida da Renault, com 4,1%, da BMW, com 3,2%, da Peugeot, com 2%, e da Smart, com 1,7%.

No segmento híbrido, a Lexus liderou os casos de fraude na quilometragem, com 6,3%, seguida da BMW, com 4%, da Volkswagen, com 3,7%, da Toyota, com 3,5%, e da Audi, com 3,3%.

“Muitos condutores continuam a acreditar que os veículos modernos são impossíveis de manipular, mas a realidade prova o contrário. Uma quilometragem elevada costuma implicar um maior desgaste da bateria nos veículos elétricos, o que reduz a sua autonomia. Em resultado disso, os compradores tendem a evitar estes carros. Isso incentiva os vendedores a reduzir artificialmente a quilometragem e a apresentar o veículo como estando em melhor estado do que realmente está”, explicou Buzelis.

O estudo conclui que, apesar de os veículos a diesel e a gasolina continuarem a ser os mais afetados, a fraude nos conta-quilómetros está presente em todos os tipos de veículos, indicando que esta prática continua generalizada no mercado automóvel português.

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