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Procura insuficiente trava valorização de veículos elétricos usados

O mercado automóvel português apresenta sinais de estabilização, mas continua a enfrentar desequilíbrios estruturais com impacto potencial nos valores residuais, sobretudo nos veículos eléctricos, de acordo com conclusões apresentadas no Indicata Executive Breakfast.

O encontro reuniu responsáveis do sector e especialistas para analisar os factores que deverão influenciar o mercado de usados em 2026. Durante a sessão, o debate incidiu sobre o enquadramento macroeconómico, a evolução das motorizações, a pressão regulatória e o papel dos dados em tempo real na gestão de risco e na tomada de decisão. Intervieram Manuel Rodrigues, Yoann Taitz e Miguel Vassalo, que destacaram a crescente complexidade do mercado.

No plano macroeconómico, foi sublinhado que Portugal deverá registar um crescimento de 1,8% em 2026, acima dos 0,9% estimados para a zona euro. Ainda assim, persistem factores adversos como inflação elevada, crédito ao consumo em níveis significativos e maior pressão concorrencial, condicionando o acesso ao financiamento. Em Fevereiro de 2026, o crédito ao consumo para novas operações situava-se em 9,01%, reforçando a sensibilidade da procura ao valor das prestações.

A análise ao mercado automóvel revelou um desfasamento entre veículos novos e usados. Os veículos eléctricos representam 23,6% das vendas de novos, mas apenas 5,2% no mercado de usados. Já o diesel mantém 48,5% no usado, apesar de representar apenas 7,9% nas vendas de novos. Esta diferença evidencia ritmos distintos na transição energética entre segmentos e antecipa pressões adicionais sobre os valores residuais.

Os veículos eléctricos continuam a enfrentar dificuldades de absorção no mercado de usados. A paridade de preço com modelos a combustão ainda não foi alcançada e, num exemplo do segmento B com 36 meses e 45.000 quilómetros, os eléctricos apresentavam um diferencial de +8,5%. Em simultâneo, a oferta cresce a um ritmo superior à procura, num contexto em que novos concorrentes estão a influenciar expectativas de preço.

A fiscalidade e a regulação foram também apontadas como factores determinantes. Os incentivos à electrificação têm impulsionado a adopção de veículos eléctricos no mercado novo, mas poderão gerar maior pressão futura no remarketing e na valorização destes activos. Os especialistas consideram que os valores residuais são cada vez mais influenciados por factores estruturais como políticas públicas, evolução tecnológica, volumes de mercado e concorrência internacional.

Neste contexto, o Indicata inica que a capacidade de antecipar tendências e interpretar dados em tempo real assume um papel central para construtores, gestores de frota, operadores de rent-a-car e instituições financeiras. “Num mercado cada vez mais exigente, transformar dados em clareza e clareza em acção deixou de ser apenas uma vantagem competitiva para passar a ser uma condição essencial para proteger margem, rotação e posicionamento”, foi afirmado durante a sessão.

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