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Eletrificação e condução automatizada na Estratégia 2030 da Bosch

A Bosch reforçou a sua aposta no setor automóvel no âmbito da Estratégia 2030, destacando a inovação tecnológica e a diferenciação como pilares para enfrentar a pressão sobre preços e a concorrência global.

Apesar de um contexto marcado por tensões geopolíticas e barreiras comerciais, a empresa acredita que a mobilidade continuará a ser um motor central de crescimento, sustentado por avanços em software, sensores e eletrificação.

Em 2025, a área de Mobilidade registou vendas de 55.800 milhões de euros, com um crescimento ajustado de 2,9%, embora a margem EBIT operacional tenha recuado para 1,88%. A empresa justifica este desempenho com o impacto de medidas estruturais e provisões destinadas a reforçar a competitividade futura. Para 2026, a Bosch prevê uma recuperação, apoiada na redução de custos e no reforço da eficiência operacional.

Stefan Hartung afirmou que “na concorrência internacional não contam apenas os custos, mas sobretudo a diferenciação”, sublinhando que a capacidade de adaptação regional e a presença global da empresa são vantagens decisivas no setor automóvel. O responsável destacou ainda a pressão exercida pelo mercado chinês na definição de preços, o que obriga a uma aposta contínua em inovação para manter a competitividade.

A empresa está a investir fortemente na mobilidade definida por software, antecipando que este mercado possa atingir cerca de 200.000 milhões de euros até 2030. Nesse contexto, desenvolveu a Bosch AI Extension Platform, um sistema que integra inteligência artificial na experiência de condução, permitindo personalizar funções do veículo com base no condutor e nos passageiros.

Na área da condução automatizada, a Bosch aposta em sensores inerciais capazes de garantir a orientação dos veículos mesmo na ausência de sinal de câmara ou GPS. “Estes sensores funcionam para um automóvel automatizado de forma semelhante ao sentido de equilíbrio no ouvido interno humano”, explicou Stefan Hartung. A empresa considera que este segmento terá forte crescimento, com o mercado de sensores inteligentes para aplicações automóveis a poder ultrapassar os 80.000 milhões de dólares a médio prazo.

Os sistemas avançados de assistência ao condutor continuam também a gerar novas oportunidades de negócio. Em 2025, a Bosch assegurou encomendas no valor de 10.000 milhões de euros nesta área, combinando sensores, software e computadores centrais do veículo.

A eletrificação mantém-se como outro eixo estratégico, com a empresa a prever fornecer mais de sete milhões de componentes e soluções para veículos elétricos ao longo de 2026. Paralelamente, a Bosch anunciou uma parceria com a Tata AutoComp Systems para desenvolver e produzir eixos elétricos e motores destinados ao mercado indiano.

Markus Forschner sublinhou que “a competitividade é a base para um crescimento rentável”, defendendo que o reforço da eficiência permitirá sustentar os investimentos necessários nas tecnologias do futuro. A empresa prevê para 2026 um crescimento das vendas entre 2% e 5% e uma margem EBIT operacional entre 4% e 6%, sinalizando uma expectativa de melhoria no desempenho do negócio automóvel.

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