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Veículos elétricos usados aumentam procura na Europa

28 Maio, 2026

As tensões no Médio Oriente e a subida dos preços dos combustíveis estão a dar um impulso temporário ao mercado europeu de veículos elétricos usados, segundo o mais recente relatório da Indicata referente a maio de 2026.

O estudo conclui que o mercado automóvel usado europeu já não vive o cenário de forte instabilidade registado nos últimos trimestres, embora continue cada vez mais dependente de fatores macroeconómicos externos.

A análise refere que o aumento dos custos de utilização dos veículos a gasolina e diesel está a restaurar parte da atratividade económica dos veículos elétricos a bateria (BEV), sobretudo entre consumidores que procuram reduzir despesas de mobilidade. A Indicata considera que esta mudança não representa uma adesão estrutural à mobilidade elétrica, mas sim uma reação pragmática dos compradores perante a volatilidade energética. Apesar disso, o relatório alerta que a recuperação dos preços dos elétricos usados continua desigual entre países europeus.

Os veículos elétricos a bateria deixaram também de ser os automóveis com menor velocidade de rotação no mercado europeu de usados. O indicador Market Days Supply (MDS), que mede o tempo médio necessário para vender um veículo, melhorou nos BEV e tornou-se o mais baixo entre os principais tipos de motorização analisados. Ainda assim, a Indicata sublinha que os elétricos permanecem vulneráveis aos descontos agressivos nos modelos novos e às diferenças de procura entre mercados nacionais.

O relatório identifica ainda os híbridos convencionais como a solução mais equilibrada no atual contexto europeu, combinando custos de utilização mais reduzidos com estabilidade de valor residual e facilidade de utilização semelhante aos modelos de combustão interna. Em sentido contrário, os híbridos plug-in enfrentam uma posição cada vez mais difícil no mercado, pressionados simultaneamente pela competitividade dos motores tradicionais e pelo regresso do interesse nos elétricos puros.

Os veículos a gasolina e diesel continuam a dominar o mercado europeu de usados, embora a Indicata considere que a subida dos preços dos combustíveis começa a reduzir a atratividade comercial destes modelos. Segundo o relatório, os automóveis com motor de combustão permanecem a “espinha dorsal” do mercado europeu, mas já não oferecem o mesmo nível de estabilidade observado anteriormente.

A análise destaca também um agravamento das diferenças entre os vários mercados europeus. Países como Reino Unido, Espanha, Itália, Dinamarca, Polónia e Noruega já sentem maior pressão competitiva provocada pelas marcas chinesas, especialmente nos segmentos elétricos. A Indicata considera que os fabricantes chineses estão a redefinir os referenciais de preço em vários mercados, dificultando a defesa dos valores residuais das marcas tradicionais.

Em Portugal, os preços dos veículos usados registam uma subida acumulada de 1,4 pontos percentuais face a janeiro de 2020. Entre os modelos até quatro anos mais vendidos destacam-se o Peugeot 2008, Peugeot 208 e Citroën C3. Já entre os modelos com venda mais rápida surgem o MG 4, BYD Atto 3 e Kia Niro.

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