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“A oficina que espera… já começou a perder”, Raquel Marinho, Bosch Car Service

18 Junho, 2026

Durante anos, o setor da reparação automóvel viveu relativamente confortável dentro de um modelo previsível. Entravam carros de combustão, fazia-se manutenção, diagnóstico, reparação e o negócio seguia o seu curso. Mas o mercado mudou. E continua a mudar a uma velocidade que muitos ainda subestimam.

Opinião de Raquel Marinho, responsável da Bosch Car Service | Artigo publicado na edição n.º129 da REVISTA PÓS-VENDA.

Hoje, a grande questão já não é se a eletrificação vai chegar às oficinas. Ela já chegou. A verdadeira questão é outra: quando é que cada oficina vai decidir preparar-se? E é precisamente aqui que reside um dos grandes desafios do setor independente. Há muitas oficinas cujos proprietários andam consumidos com a gestão diária da agenda e ainda não conseguiram priorizar a formação para intervir em viaturas eletrificadas, nem adaptaram o seu espaço para trabalhar neste tipo de viaturas. Não dizem que não, mas também ainda não disseram que sim. Vão adiando.

Aquilo que está a acontecer em muitas oficinas não é uma decisão consciente de não avançar. É apenas a falsa sensação de que ainda há tempo. A agenda sempre cheia… os elevadores sempre ocupados… E isso cria a ideia de que está tudo bem e que evoluir pode ficar para depois.

Mas, enquanto muitas oficinas vão dizendo “depois vemos”, os clientes vão mudando de carro, o renting cresce e está a trazer para as estradas veículos mais recentes, mais tecnológicos e eletrificados. Todos estes clientes já procuram oficinas que estejam devidamente preparadas. As que não estão, sem se aperceberem, começam a perder clientes que, simplesmente, deixam de voltar.

Não há conflito. Não há aviso. Não há uma quebra abrupta. Há silêncio. E é exatamente isso que torna esta transformação perigosa. Porque a perda é discreta e vai acontecendo devagar… Ao mesmo tempo, as oficinas que não evoluem ficam progressivamente dependentes de veículos mais antigos, de menor valor e de clientes mais sensíveis ao preço.

Enquanto isso, as oficinas que decidiram preparar-se cedo estão a construir outra realidade. Não começaram porque já tinham muito trabalho em veículos eletrificados. Começaram porque perceberam que a preparação demora tempo.

Perceberam que formar equipas, adaptar processos, investir em segurança e ganhar confiança técnica não se faz de um dia para o outro. E quem começa hoje ganha algo fundamental: tempo para evoluir sem pressão. Além disso, descobre rapidamente que esta transformação não é apenas tecnológica. É uma mudança profunda no modelo de negócio. A oficina vai-se posicionando para não depender tanto da substituição de componentes e começa a gerar mais valor através de conhecimento, diagnóstico e especialização. Atrai e fideliza clientes com veículos mais recentes. Clientes mais exigentes, mas também que valorizam mais a qualidade e estão dispostos a pagar por ela.

Preparar uma oficina para veículos eletrificados não é apenas uma questão técnica. É uma decisão estratégica e decisiva no contexto da manutenção e reparação automóvel da atualidade. Quem não decide avançar… já está a decidir ficar para trás.

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